Jul 26, 2012

THE EXPERIENCES FROM THE CAREGIVER OF THE PERSON WHO IS SUBMITTED TO NIV AT HOME…

AUTORES: Sofia Vital

RESUMO

Nos últimos anos a ventilação não invasiva surge como opção para o tratamento de doenças pulmonares, apesar de pouco abordada na literatura. O objectivo é: identificar os benefícios/experiências do cuidador da pessoa submetida a VNI em contexto domiciliário. Através de uma metodologia com base na pesquisa no motor de busca da EBSCO, em duas bases de dados, a CINAHL Plus with Full Text e na MEDLINE with Full Text, British Nursing Index, pelo método de pergunta PI(C)O, foram seleccionados 9 artigos de um total de 22 encontrados, publicados entre Janeiro de 2006 e Novembro de 2011. Dos resultados encontrados verifica-se que estar dependente de respiração assistida durante o sono é de extrema importância na vida das pessoas, sendo que uma grande proporção escolhe ser cuidado em casa. Também é identificado uma melhoria na qualidade do sono e a possibilidade de estar em casa com as suas famílias, sendo o benefício mais notório a capacidade de ir para a cama e adormecer. Verifica-se uma melhoria no discurso, menos fadiga, diminui a ansiedade e pânico, maior actividade diurna com menos períodos de labilidade emocional. Concluí-se que é fulcral poder realizar o tratamento com ventiloterapia e permanecer no seu lar, junto da família/cuidador, permite poder manter a actividade profissional sem prejuízo para si e para o meio envolvente. Na prática de enfermagem é relevante que os profissionais de saúde no seu campo de acção, aquando da tomada de decisão da prática profissional conheçam o modo como as pessoas vivem e pensam para adequar as estratégias de saúde, e deste modo, ir ao encontro das suas necessidades.

Palavras-chave: ventilação não-invasiva, benefícios/experiências, cuidador/família.

ABSTRACT

At the last few years non invasive ventilation appeared as an option to pulmonary disease treatment, although it is not so much approach in literature. The main purpose is to identify the benefits/experiences from the caregiver of the person who is submitted to NIV at home. Through a methodology that has as base the search motor EBSCO, at CINAHL Plus with Full Text and MEDLINE with Full Text, British nursing databases, by the asking PI(C)O method, there were selected 9 from 22 articles, those articles were published between January 2006 and November 2011. From the results found, it was verified that being dependent from NIV during sleep it is from extremely importance at patient’s lives, and a large number of those patients chooses to be treated at home. There was also identified a significant improve at the patients sleep quality and the ability of being at home with their families, despite this, the major benefit for the patients is the ability to go to bed and fall asleep. There is an also relevant improvement at speech, less tiredness, anxiety and panic, more daily activity with less emotional lability periods. At conclusion, it is from extreme importance for the patient to be able to do the NIV treatment and stay at home, near his family/caregiver; it allows the patient to be able to continue his professional activity. At nursing practice it is relevant that health professionals know how patients live and think so they can adapt their health strategies to fulfil the patient needs.

Keywords: non-invasive ventilation, benefits/experiences, family/caregiver.

INTRODUÇÃO

É fulcral considerarmos que só reconhecendo as vivências e experiências do utente/cuidador na relação com o enfermeiro, é que podemos garantir uma boa relação de ajuda, melhorando as atitudes/valores da relação terapêutica. Deste modo, a profissão de enfermagem é exigente do ponto de vista do enfermeiro estabelecer com o utente/cuidador uma relação que permita ser cada vez mais ele próprio, minimizando o sofrimento (Pereira e Araújo, 2011).

O envelhecimento demográfico nos países mais desenvolvidos é uma realidade actual, com preocupações sociais, económicas e de saúde das populações. As pessoas em situação de dependência aumentaram, o que implica que a família/cuidador adquire competências para lidar com novos desafios (Petronilho, 2010).

Posto isto, ainda há a considerar que a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica é a quarta causa de morte no mundo, e em 2020 prevê-se que seja a terceira, em Portugal será a sexta causa de morte. Em cinco anos os internamentos hospitalares aumentaram em flecha, assim bem como a taxa de mortalidade intra-hospitalar (Magalhães, 2009). No Brasil, verifica-se um aumento do número de mortes por DPOC nos últimos 20 anos, em ambos os sexos. Na década de 1980 a taxa de mortalidade era de 7,88/100.000 habitantes, passando para 19,04/100.000 habitantes na década de 1990, com um crescimento de 340%. A DPOC, apesar de tudo, nos últimos anos neste país, passou da quarta para a sétima posição entre as principais causas de morte (Rocha e Carneiro, 2008).

Segundo a Direcção Geral da Saúde, em 2050 prevê-se que Portugal seja um dos países da União Europeia com maior percentagem de idosos e menor percentagem de população activa. Esta percentagem passará de 16,9% para 31,9% entre 2004 e 2050, respectivamente, sendo que neste último, Portugal será o quarto país da União Europeia com maior percentagem, apenas abaixo da Espanha (35,6%), da Itália (35,3%) e da Grécia com 32,5% (Petronilho, 2010).

Carratu et al afirmaram que a VNI reduz a necessidade de entubação em 80% dos utentes com moderada a grave falência respiratória e com hipercapnia na DPOC. A utilização de CPAP em utentes com a DPOC exacerbada e com a pressão positiva ao final da expiração (PEEP) de 10-12 cmH2O diminui o trabalho respiratório e a dispneia (Rocha et al, 2008).

Deste modo, a DPOC define-se como um estado patológico caracterizado por uma limitação do débito aéreo que não é totalmente reversível, a limitação ventilatória é geralmente progressiva e está associada a uma resposta inflamatória anómala dos pulmões à inalação de partículas ou gazes nocivos (Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica, 2004). A VNI tem evidência major na exacerbação aguda da DPOC, especialmente para aqueles utentes com exacerbação grave, caracterizada pela presença de acidose respiratória (pH <7,35) e deve ser mantida no domicílio após esse episódio agudo, se verificar que mantêm hipercapnia e se tolerar bem a ventiloterapia (Comissão Nacional para os Cuidados Respiratórios Domiciliários, 2011).

Relativamente ao SAOS é previsível que atinja cerca de 5% da população portuguesa, associada a hipertensão arterial, cardiopatia isquémica, disritmias e doença cerebrovascular. A sonolência diurna excessiva (SDE), é uma das manifestações major, sendo uma das principais causas de acidentes de viação e condiciona portanto, o regular desempenho profissional. Esta doença tem como tratamento de primeira linha a VNI de pressão positiva com indicação nas situações moderadas a graves ou nas ligeiras se acompanhada de risco cardiovascular ou sonolência diurna significativa (Comissão Nacional para os Cuidados Respiratórios Domiciliários, 2011).

A VNI também é adequada e bastante eficaz nas deformações da caixa torácica e nas doenças neuromusculares. Como tal, deve ser aplicada o mais precocemente possível na presença de hipoventilação (associada a fadiga, dispneia, cefaleia matinal, lentificação cognitiva, falta de memória e SDE) ou pelo menos um destes critérios fisiopatológicos, como a PCO2 ser superior a 45 mmHg, a dessaturação nocturna inferior a 88% em 6 minutos consecutivos, a capacidade vital forçada ser inferior a 50% ou a 70% (no caso da ELA) e/ou a pressão máxima inspiratória ser inferior a 60 cmH2O (Direcção Geral de Saúde, 2006).

Desta forma, pretende-se salientar os benefícios e experiências identificadas pelo cuidador/família, em contexto domiciliário.

METODOLOGIA

Elaborou-se uma questão de partida, que atende aos critérios do formato PI(C)O, utilizando o inglês como idioma, em textos completos (full text) de Novembro de 2011, retrospectivamente até Janeiro de 2006. Deste modo, para compreender mais amplamente este fenómeno foi feita uma pesquisa através do motor de busca electrónico – EBSCO, recorrendo à base de dados da CINAHL (Plus with Full Text) e MEDLINE (Plus with Full Text, British Nursing Index). As palavras-chave orientadoras utilizadas foram previamente validadas pelos seguintes descritores de pesquisa: [(“Positive Pressure Ventilation” OR “Continuos Positive Airway Pressure” OR “noninvasive ventilation”) AND (“nursing intervention” OR “nursing” OR “nurse”) AND (“carevige*” OR “family carevigers” OR “families”)] especificamente, resultando num total de 22 artigos.

Para a selecção dos estudos encontrados, foram definidos critérios de inclusão e exclusão, para uma melhor definição dos benefícios/experiências dos cuidadores da pessoa submetida a VNI no domicílio, como se observa na tabela 1.

 

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

Nesta fase, incluíram-se 9 estudos que correspondiam aos critérios de inclusão e exclusão considerados. Para uma melhor transparência da metodologia utilizada, segue-se a apresentação dos resultados obtidos (quadro 1).

 

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Como resultado da análise dos artigos acima mencionados é possível verificar que o cuidador da pessoa submetida a VNI no domicílio identifica benefícios, como também descreve experiências vivenciadas e salienta alguns sintomas que denota atenuarem com a aplicação de VNI.

Ingadóttir et al (2006) referem que estar dependente de respiração assistida durante o sono (com ou sem oxigénio) é de extrema importância na vida dos utentes, podendo surgir alguma confusão com os sentimentos espirituais. Eng (2006) realça que as “falhas” na respiração causa um aumento da taxa de morbilidade nas pessoas com doença neuromuscular, sendo que uma grande proporção escolhe ser cuidado em casa, em estadio já avançado.

Jackson et al (2006) salientam que 146 (36%) utentes de 403 (participantes no estudo) usaram VNI, sendo a dispneia (p=0,0003) e a ortopneia (p=0,0357) os sintomas mais descritos. Todavia, não houve relação com a idade, raça, tipo de seguro de saúde, capacidade vital e duração dos sintomas. Baseando-se nas guidelines actuais, deve-se recorrer à utilização de VNI quando a capacidade vital forçada desce 50%, estas não estão a ser seguidas na maioria dos utentes, sendo que no estudo, o autor sugere que a modificação das guidelines deveria incluir a utilização de VNI em qualquer utente com sintomas de ortopneia. Segundo Bucher et al (2008), o CPAP melhora a vigilância de dia e diminui os acidentes com veículos motores em utentes com apneia obstrutiva do sono. Dos 25,3% dos utentes com suave a moderada SAOS não foi utilizado VNI, desenvolvendo problemas cardiovasculares em comparação com 14,4% (p=.024) que optou por usar CPAP.

Também Israel-Ancoli et al (2008) num estudo comparativo com utentes com doença de Alzheimer verificaram que o uso de CPAP terapêutico permitiu um aumento significativo da cognição, de um modo geral. Os benefícios de modo individual sugerem melhoria na aprendizagem verbal, na memória, na flexibilidade cognitiva e na rapidez de raciocínio.

Sundling et al (2009), pretendiam através de entrevistas ao cuidador no domicílio da pessoa submetida a VNI identificar os benefícios da ventilação nos utentes com ELA. Com este estudo verificaram uma melhoria na qualidade do sono e a possibilidade de estar em casa com as suas famílias, os cuidadores motivam-nos a usar também no período diurno, o benefício mais notório é a capacidade de ir para a cama e adormecer, também no mesmo estudo verificou-se uma melhoria no discurso, menos fadiga, ansiedade e pânico, maior actividade diurna e menos períodos de labilidade emocional.

Da experiência vivenciada no domicílio pelo cuidador, segundo Eng (2006) a máscara e a pressão positiva causam desconforto, por vezes úlceras de pressão e acumulação de secreções brônquicas, daí considerarem que a orientação para os cuidados em casa deve ser prestada por uma equipa multidisciplinar coordenada e estruturada. Contudo, apesar dos benefícios e do decrescente risco de um segundo EAM em utentes com distúrbios do sono, os resultados obtidos no estudo de Palombini et al (2006) foram desanimadores, o CPAP nasal foi pouco aceite no tratamento em casa, o desconforto e o aumento de distúrbios nocturnos foram as principais razões para a descontinuidade no tratamento com CPAP. Os autores sugerem, deste modo, alterações na aplicação nasal, com recurso a sessões como parte de um Programa de Reabilitação com a colocação de máscara nasal, como também sessões de educação para a saúde sobre a conexão e a desconexão ao equipamento enquanto está na cama.

Posto isto, Sundling et al (2009), também salientam que os prestadores de cuidados experienciam períodos de alívio de stress para eles mesmos, assim bem como o alívio de períodos stressantes como é o caso, do sono ininterrupto e o envolvimento no tratamento com a ventiloterapia.

Ainda Battisti et al (2006), sugerem que estudos futuros deveriam determinar como melhorar a interacção entre utente e ventilador e reduzir o esforço do cuidador/família.

Relativamente aos utentes com doença de Parkinson que apresentam distúrbios do sono, Friedman et al (2008), avaliou as características do sono durante uma noite e, verificou que 80 a 90% dos utentes têm distúrbios do sono afectando a capacidade de adormecer, de sonhar, os comportamentos pós-sono, assim bem como insónias diárias. Os cuidadores identificam a demência e a psicose como os sintomas mais complicados de gerir, e consideram que o sono tem um impacto fulcral no bem-estar e na qualidade de vida do idoso.

 

CONCLUSÃO

Podemos concluir que o cuidador da pessoa submetida a VNI no domicílio, salienta os benefícios e as experiências vivenciadas de uma forma clara e sucinta.

Foi identificado que estar dependente de VNI no domicílio contribuiu para um aumento da qualidade de vida, bem-estar físico, social e familiar. É de extrema importância poder realizar o tratamento com ventiloterapia e permanecer no seu lar, junto da família/cuidador, permitindo manter a actividade profissional sem prejuízo para si e para o meio envolvente. Em pleno século XX, observou-se o desenvolvimento no idoso de doenças degenerativas (Parkinson, Alzheimer), quando associadas a alterações do foro respiratório (SAOS, DPOC, ELA) manter VNI no domicílio (CPAP), contribui em largo espectro para a manutenção da plenitude das suas capacidades cognitivas, relacionais e sociais, promovendo deste modo, a autonomia, o conforto e o aumento da esperança média de vida (Quadro 3).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quadro 3: Benefícios/experiências identificadas pelo cuidador da pessoa submetida a VNI no domicílio.

Face ao exposto é fulcral que os profissionais de saúde compreendam o utente e o cuidador/família com uma história de vida, aceitem as suas crenças, os seus valores e as suas experiências, o que vai contribuir para definir o modo como assimilam a orientação para os cuidados no domicílio.

Em estudos futuros, será interessante comparar a percepção do profissional acerca da informação dada à pessoa que cuida com a percepção da pessoa cuidada face à informação fornecida pelo profissional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Promoção do autocuidado em pessoas com DPCO

Dez 23, 2011

Artigo Original

Promoção do autocuidado em pessoas com DPCO: o caso da Ventilação Não Invasiva

Promotion of self-care in people with COPD: The case of Noninvasive Ventilation

Autores: Luís Amorim

Luís Amorim: Hospital Militar Principal, Serviço de Urgência

Corresponding author: luis.xavier.amorim@hotmail.com

RESUMO

Objectivo:

Determinar onde os cuidados de enfermagem podem obter melhor promoção do autocuidado (e subsequentes ganhos em saúde), face à utilização da VNI comparativamente à VM, em doente com DPOC.

Metodologia: Efectuada pesquisa nas bases de dados: Efectuada pesquisa nas bases de dados: With Full Text, SciELO -Scientific Electronic Library Online (23), PubMed, Cochrane, Scientific Electronic Library Online (23), PubMed, Cochrane, ePORTUGUÊSe – Literatura Técnico-científica (3), com publicação nos cinco últimos anos (até 20 de Dezembro de 2011). Foi utilizado o método de PICO e seleccionados 7 artigos do total de 485 encontrados.

Resultados: A VNI é a escolha de eleição nas diversas descrições salientando as vantagens sobre a VM, face à redução da taxa de mortalidade, a ser a alternativa mais barata, eficaz e de simples execução nos casos de insuficiência respiratória sem descompensação hemodinâmica, e face aos problemas e complicações decorrentes do seu uso. Apesar de simples, advoga-se que seja instituída por profissionais, com selecção criteriosa dos doentes e em unidades próprias, o que parece retirar um pouco a possibilidade do autocuidado e autonomia ao doente.

Conclusões: Face à questão PICO, existem indícios que apontam que a utilização da VNI possa ser benéfica para a promoção da autonomia e autocuidado do doente, na medida que diminuindo todo o leque de comorbilidade, dias de internamento e qualidade de vida, este possa ter capacidade de exercer as suas AVDs.

Implicação na prática profissional: Face ao exposto a VNI deva ser adoptada como técnica de eleição e integrada na nossa prática clínica, pois, tem enormes vantagens sobre a VM, resultando em ganhos em saúde, qualidade de vida e diminuição de custos. No entanto, ao relacionar-se com a promoção do auto cuidado, face à pertinência das questões levantadas num dos estudos, sugere-se que seja melhor estudado as aplicações que podem ser feitas nesta matéria, pois, apesar de advogar que a mesma seja instituída e adoptada pelo doente, deve ser feita com segurança, face às condicionantes que possam advir da sua má utilização.

Palavras-chave: Autocuidado; DPOC; Ventilação Não Invasiva; Ventilação Mecânica.

INTRODUÇÃO

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma das principais causas de morbilidade crónica, de perda de qualidade de vida e de mortalidade, estando previsto o seu aumento nas próximas décadas (Portugal, 2004). Em Portugal, a prevalência desta doença está estimada em 5,3% da população com idades compreendidas entre os 35 e os 70 anos, sendo o sexo masculino o mais afectado, embora haja mais mulher que fumem e cada vez mais jovens; o número de internamentos elevou-se em 5% nos últimos 5 anos, assim como a utilização da oxigenoterapia de longa duração. No Inquérito Nacional de Saúde, 15% dos inquiridos recorreu aos serviços de saúde por queixas respiratórias, sendo o tabaco o responsável por mais de 90% das situações clínicas (Portugal, 2004). A DPOC é responsável a nível mundial por 29 milhões de anos de incapacidade (DALYs) e por um milhão de anos de vidas perdidas em todo o mundo. Estima-se que 10% da população mundial com mais de 40 anos sofra desta doença. Curiosamente, é uma doença que é prevenível na maioria esmagadora dos casos (com a evicção do acto de fumar) e que se precocemente diagnosticada pode ser adequadamente tratada (Portugal, 2004).
A Ventilação Não Invasiva (VNI) assume-se cada vez mais como a intervenção de eleição, quer face à sua maior relevância nos estudos científicos que justificam a sua escolha como a alternativa de eleição relativamente à Ventilação Mecânica (VM), quer pelo fundamento clínico, quer no plano económico como alternativa tecnológica mais barata, quer pelo seu aspecto prático que permite que os próprios doentes e cuidadores a possam utilizar com facilidade, em especial em quadros de insuficiência respiratórios agudos.
Esta revisão sistemática da literatura, mais do que uma exigência académica, transformou-se numa necessidade pessoal de validar as questões que se punham da minha prática clínica e que fundamenta a minha questão de fundo, sobre se esta vantagem aparente salientada pela literatura se traduzia na promoção de uma maior autonomia a nível dos cuidados nos doentes com DPOC, o que a revelar-se implica também um redefinir das áreas de actuação do enfermeiro nesta vertente, apostando mais em cuidados que incentivem a promoção do autocuidado do doente, nomeadamente na educação para a saúde e da promoção de estilos de vida saudáveis, ao invés da centralização no tratamento. Tem como objectivo determinar onde os cuidados de enfermagem podem obter melhor promoção do autocuidado (e subsequentes ganhos em saúde), face à utilização da ventilação não invasiva comparativamente à ventilação mecânica, em doente com DPOC.

CONCEITOS

A DPOC caracteriza-se pela limitação do fluxo de ar nas vias respiratórias, não reversível com o tratamento instituído, e que se agrava com a inflamação produzida em resposta à agressão do pulmão pela inalação de partículas ou germes nocivos.
A assistência ventilatória pode ser entendida como a manutenção da oxigenação e/ou da ventilação dos pacientes de maneira artificial até que estes estejam capacitados a reassumi-las. Ventilação com pressão positiva não invasiva (VNI) fornece suporte ventilatório sem a necessidade de uma abordagem das vias aéreas invasivo (Burns, Adhikari, Keenan & Meade, 2010).
A ventilação mecânica consiste na introdução de um tubo endotraqueal na árvore respiratória, a fim de fornecer o aporte de oxigénio de forma mais eficaz (Burns, Adhikari, Keenan & Meade, 2010).
O domínio da Promoção da Saúde compreende “a consciência de bem-estar ou de normalidade de função e as estratégias necessárias para manter sob controle ou aumentar esse bem-estar ou normalidade de função” (NANDA, 2006, p.262), incorporando cinco grandes campos de acção: elaboração e implementação de politicas publicas saudáveis, criação de ambientes favoráveis á saúde, reforços da acção comunitária e desenvolvimento de habilidades pessoais (Buss, 2000). O autocuidado, é a capacidade de participar de actividades para cuidar do seu próprio corpo (NANDA, 2006).
Face ao exposto, a presente revisão de literatura pretende discriminar quais os ganhos em saúde, em especial em relação à promoção do autocuidado em doente com DPOC associados à VNI comparativamente à VM, nos últimos 5 anos, com base em evidências científicas.

METODOLOGIA

Para delimitar um vasto campo de hipóteses inerentes à problemática da VNI e a responder ao objectivo delineado, elaborou-se a seguinte questão de partida, que atende aos critérios do formato PICO (Melny e Fineout-Overholt, 2005): Em pessoas com DPCO (Population), os cuidados de enfermagem realizados na VNI (Intervention) são mais eficazes que os realizados na VM (ventilação mecânica)(Comparation) na promoção do autocuidado em pessoas com DPCO (Outcomes)?

Realizou-se revisão de literatura científica nacional e internacional conforme os critérios estabelecidos para a pesquisa documental nas bases de dados MedLine With Full Text, LILACS With Full Text, SciELO – Scientific Electronic Library Online, PubMed, Cochrane, ePORTUGUÊSe, com publicação nos cinco últimos anos (até 20 de Dezembro de 2011), com pesquisa dos unitermos abaixo mencionados. Foi utilizado o método de PICO e seleccionados 12 artigos do total de 485 encontrados. Por conseguinte, ao definir-se o objecto de estudo, a fim de se pretender uma compreensão mais ampla deste fenómeno, foi levada a cabo uma pesquisa em base de dados electrónica, nas bases de dados atrás referenciadas. As palavras-chave orientadoras utilizadas foram as validadas pelos descritores da United States of National Liberary of National Institutes of Health, com a respectiva orientação:
[(“Positive Pressure Ventilation” OR “Intermittent Positive Pressure Ventilation”; “Respiration, Artificial” OR “Positive End-Expiratory Pressure” OR “Continuous Positive Airway Pressure” OR “Positive-Pressure Ventilation” OR “Nasal Continuous Positive Airway Pressure”) AND (“Outcome Assessment” OR “Outcome Measures” OR “Outcome Studies” OR “Outcomes Assessment” OR “Outcomes Research”)] tendo as palavras sido procuradas em texto integral (Dezembro/2011), retrospectivamente até 2006, resultando 485 artigos no total, dentro da linha prescrita por Guyatt e Rennie (2002) e aos níveis de evidência validados (Capezuti, 2008; Guyatt, e Rennie, 2002).
Como critérios de inclusão privilegiaram-se os artigos que efectuavam a comparação das duas tecnologias, com recurso a metodologia qualitativa e/ou qualitativa ou revisão sistemática da literatura, que clarificassem as suas vantagens na aplicação da prática clínica e o seu impacto nos resultados em saúde. Face à questão enunciada, foi feita a procura sistemática dos unitermos: “DPOC”, “promoção”, “autocuidado”, “qualidade”, tendo sidos aprovados apenas 35 artigos com esses lexemas, dos quais foram seleccionados 7 que correspondiam na generalidade à questão PICO enunciada, sendo excluídos os demais por se distanciarem do objectivo pretendido, bem como todos os artigos com metodologia pouco clara, repetidos ou com data anterior a 2006 e todos aqueles sem co-relação com o objecto de estudo (Quadro 1).

DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

Destes achados, verifico que como resultado da análise dos artigos anteriormente referenciados é possível denotar que a VNI apresenta claras vantagens face à VM.
Chakrabarti et al. (2000) considera a VNI como a escolha de eleição nas diversas descrições, embora haja uma diminuição desta resposta numa segunda análise com recurso fotográfico. Considero interessante que apesar de apenas 34% tinham ouvido falar de directivas avançadas de cuidados (ADCs), mas nenhum jamais tinha emitido um, no entanto, 48% manifestaram interesse em fazê-lo seguinte explicação deste processo, o que joga a favor do uso da VNI caso seja dada a possibilidade de optarem por esta técnica.
Burns, Adhikari e Meade (2003) salientam a vantagem da VNI sobre a VM, ao reduzirem a taxa de mortalidade, bem como o tempo de internamento nas Unidades de Cuidados Intensivos, reforçados por Bourguignon da Silva, Foronda e Troster (2003) que enunciam que esta técnica pode ser uma alternativa mais barata, eficaz e de simples execução nos casos de insuficiência respiratória sem descompensação hemodinâmica, o que parece ir no sentido apontado da literatura em geral, ao fornecer o fornece suporte ventilatório sem a necessidade de uma abordagem das vias aéreas invasivo (Burns, Adhikari, Keenan & Meade, 2010), caso do edema pulmonar cardiogênico agudo e exacerbações agudas hipercápnica de doença pulmonar obstrutiva crónica, onde as exigências de cuidados intensivos da unidade, das taxas de intubação, das despesas de cuidados de saúde foram manifestamente reduzidas e a sobrevida melhorada. Outras condições existem, mas os dados são menos conclusivos (Crummy e Naughton, 2007).
Jezler, Holanda, José e Franca (2007) recomendam a utilização de estratégias protectoras de ventilação mecânica durante a ventilação mecânica de um paciente com DPOC agudizado. A assistência ventilatória pode ser entendida como a manutenção da oxigenação e/ou da ventilação dos pacientes de maneira artificial até que estes estejam capacitados a reassumi-las. No entanto, a sua utilização não está isenta de risco. A ventilação mecânica consiste na introdução de um tubo endotraqueal na árvore respiratória, a fim de fornecer o aporte de oxigénio de forma mais eficaz (Burns, Adhikari, Keenan & Meade, 2010), no entanto, pode provocar lesão do pavimento respiratório, com subsequente processo inflamatório, acompanhado de obstrução, ulceração, hemorragia e isquémia (Jvirjevic et al., 2009), condicionando significativamente a evolução clínica favorável do doente em estado grave (Rahal, Garrido & Cruz, 2005). Por outro lado, degrada os mecanismos de defesa e protecção, fragilizando o paciente e expondo-o a infecções nosocomiais, como a pneumonia, sinusite e otite (Fagon et al., 2000; Burns, Adhikarin & Meade, 2006; Agarwal et al., 2009; Epstein, 2009; Jvirjevic et al., 2009), bem como aumenta o desconforto, a dor, o stress associado à ansiedade agravados pela incapacidade de se alimentar ou comunicar eficazmente (Burns et al. 2006; Agarwal et al., 2009).

Para Rocha e Carneiro (2008), a ventilação mecânica não invasiva pode ser mais efectiva em pacientes com moderada a grave exacerbação da DPOC e as complicações podem ser diminuídas pela utilização de adequada interface e experiência do fisioterapeuta. Um pouco nessa linha, Ferreira, Nogueira, Conde e Taveira (2009) consideram que face aos riscos envolvidos, advogam que seja instituída por profissionais treinados e conhecedores dos factores preditivos de insucesso, com selecção criteriosa dos doentes, assim como em unidades próprias, com monitorização adequada, de modo a garantir o sucesso desta terapêutica, o que parece retirar um pouco a possibilidade do autocuidado e autonomia ao doente.
Vargas, Weissheimer, Severo da Cunha e Filippin (2011) salientam que os estudos mostraram que a VMNI, durante o exercício, pode aumentar a tolerância ao mesmo. Esta revisão sugere que a VMNI, modo BIPAP®, utilizada por indivíduos com DPOC na realização de exercícios pode reduzir a fatigabilidade dos músculos esqueléticos, promovendo melhores adaptações fisiológicas ao esforço físico desses indivíduos, uma vez que a VNI pode promover um suporte ventilatório parcial a pessoas com insuficiência respiratória (Agarwal et al., 2009), desde que em estádios iniciais tenham capacidade para respirar espontaneamente e que preencham critérios para extubação ou desmame ventilatório, actuando, deste modo, na diminuição do período de necessidade de VM e/ou re-entubação e, consequentemente, de sedação e das suas complicações associadas (Rahal et al., 2005). Ao salvaguardar a capacidade de clearence brônquica previne o enfraquecimento dos músculos respiratórios (Burns et al., 2006), positivamente relacionados com a taxa de sobrevida e redução do tempo de permanência em Unidade de Cuidados Intensivos (Gelbach, et al., 2002; Giacomini et al., 2003).

CONCLUSÃO

Da pesquisa efectuada, verifico que os critérios de procura nas bases de dados e de selecção me deixou pouco material para poder tirar conclusões pertinentes e interessantes. Da quantidade de achados, verifico que o enfoque está centrado nas técnicas que são utilizadas e que a vertente dos cuidados é deixada um pouco de lado, pelo que da selecção efectuada haverá alguma dificuldade em responder à questão PICO que foi formulada.
Face à questão PICO, existem indícios que apontam que a utilização da VNI possa ser benéfica para a promoção da autonomia e autocuidado do doente, na medida que diminuindo todo o leque de comorbilidade, dias de internamento e qualidade de vida, este possa ter capacidade de exercer as suas AVDs e nesse âmbito também poder fazer a gestão e monitorização da sua função respiratória, desde que para isso possa ter a informação julgada pertinente e adequada ao seu estado de saúde e compreensão, devidamente monitorizada e validada por pessoal de saúde competente.
A Ventilação Não Invasiva (VNI) consiste num método de assistência/suporte ventilatório aplicado na via aérea do cliente através de máscaras faciais, nasais ou bucais, que funcionam como interface doente/ventilador em substituição do tubo endotraqueal. Estudos recentes evidenciam elevados benefícios no uso da VNI associada a patologias respiratórias agudas e crónicas. Estes apontam para uma diminuição da taxa de entubação orotraqueal, da taxa de mortalidade, do tempo de internamento hospitalar, bem como, para uma maior estabilização clínica e melhor qualidade de vida do cliente no domicílio. Nesta medida, cada enfermeiro assume um papel crucial no seio da equipa multidisciplinar e na monitorização do cliente hospitalizado submetido a VNI, bem como, na sua capacitação numa perspectiva de alta e no seu acompanhamento domiciliário, pelo que a este se exige uma prática profissional baseada na evidência e em linhas de orientação (Guidelines) que elevem os cuidados prestados ao cliente a um nível de excelência.

IMPLICAÇÕES NA PRÁTICA PROFISSIONAL

Face ao exposto, julgo que a VNI deva ser adoptada como técnica de eleição e integrada na nossa prática clínica, pois, tem enormes vantagens sobre a VM, resultando em ganhos em saúde, qualidade de vida e diminuição de custos.
No entanto, ao relacionar-se com a promoção do autocuidado, face à pertinência das questões levantadas num dos estudos, sugere-se que seja melhor estudado as aplicações que podem ser feitas nesta matéria, pois, apesar de advogarmos que a mesma seja instituída e adoptada pelo doente, deve ser feita com segurança, face às condicionantes que possam advir da sua má utilização.

APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

REFERENCIAS

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