Nov 22, 2012

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PHYSICAL ACTIVITY, PHYSICAL FITNESS AND DEGREE OF DEPENDENCE ON BAVD’S and IADL’S
Comparative study of elderly women practitioners and non-practitioners
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Actividad Fisica, Condición Física y Grau de la Dependencia en las AA.BB.DD.VV´s y AA.II.VV.DD´s
Estudio comparativo entre personas mayores praticantes y no praticantes
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AUTORES: Rute Monteiro

Resumo

A prática regular de atividades físicas na terceira idade tem adquirido um importante papel na promoção da saúde e da qualidade de vida dos idosos, refletindo um envelhecimento ativo e mais independente. Este estudo tem o intuito de avaliar a influência da Atividade Física sobre os níveis de Aptidão Física relacionadas ao nível de dependência nas ABVD’s (Atividades Básicas da Vida Diária) e AIVD’s (Atividades Instrumentais da Vida Diária). Para realizar esta investigação foram comparados os resultados obtidos na bateria de aptidão física de Fullerton e nas escalas de Barthel e Lawton, de um grupo de idosas praticantes e um grupo de idosas não praticantes de Atividade Física. Os resultados do estudo indicaram que as idosas praticantes  apresentavam bons níveis de autonomia para o desempenho das suas atividades  quotidianas enquanto as idosas não praticantes expunham maior dificuldade e até mesmo  dependência.

Palavras-chave: AIVD´s, Aptidão Física, Atividade Física, ABVD´s e Envelhecimento
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Abstrat

The practice of regular physical activity in old age has acquired an important role in promoting health and quality of life of older people, reflecting a more active and  independent aging. This study aims to evaluate the influence of physical activity on levels of physical fitness related to the level of dependence in BADL’s (Basic Activities of Daily Living) and IADL’s (Instrumental Activities of Daily Living). To realize this research were compared to results obtained in a battery of physical fitness Fullerton and Barthel and Lawton scales, a group of elderly women practitioners and a group of elderly women  non-practicing Physical Activity. The study results indicated that the elderly women  practitioners had good levels of autonomy to carry out their daily activities while the  elderly women non-practitioners exposed more difficult and even dependence.

Keywords: IADL’S, Physical Fitness, Physical Activity, Aging and BAVD’s.
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Resumen

La práctica regular de las actividades físicas en las personas mayores ha adquirido un papel importante en la promoción de su salud y su calidad de vida, lo que refleje en un envejecimiento más activo e independiente. Este estudio tiene como objetivo evaluar la influencia de la actividad física sobre los niveles de la Condicion Fisica relacionadas con el nivel de la dependencia en las AA.BB.VV.DD.´s (actividades basicas de la vida diaria) y AA.II.VV.DD´s (actividades instrumentales de la vida diaria). Para llevar a cabo esta investigación, se compararon los resultados obtenidos en la batería de la condición fisica de Fullerton y en las escalas de Barthel y Lawton, de un grupo de personas mayores praticantes y de otro grupo de personas mayores no praticantes de actividad fisica.Los resultados de eso estudio indicaron que los practicantes mayores tenían buenos niveles de autonomía para llevar a cabo sus actividades diarias mientras que las personas mayores no praticantes tenian gran dificultad e incluso dependencia.

Palabras clave: AA.II.VV.DD´s, condición física,  actividad física,  AA.BB.VV.DD.´s y envejecimiento
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Introdução

O tema da investigação a realizar é “A importância da Atividade Física (AF) na Aptidão Física (ApF) dos idosos relacionada ao nível de dependência nas ABVD’s (Atividades  Básicas da Vida Diária) e nas AIVD´s (Atividades Instrumentais da Vida Diária)”, tendo  como objetivo geral avaliar a influência da AF sobre os níveis de ApF relacionadas ao nível  de dependência nas ABVD’s e AIVD’s, de idosas praticantes e idosas não praticantes. E  portanto a pertinência deste estudo é justificada no sentido em que se pretende  aprofundar o conhecimento da influência da AF na qualidade de vida, estreitamente correlacionada à capacidade funcional dos idosos na manutenção de uma vida  independente, para melhor adequar as estratégias de intervenção, incluindo uma  abordagem preventiva.

1. Enquadramento Teórico

Nos dias de hoje, vai-se tornando vulgar afirmar que o envelhecimento da população é um dos fenómenos mais importantes das sociedades contemporâneas. Carateriza-se por ser um fenómeno moderno e universal, que se traduz pelo facto de o grupo das pessoas idosas não parar de aumentar, simultaneamente ao facto de o número de indivíduos jovens não cessar de decrescer, especialmente nos países desenvolvidos. Estas alterações drásticas na estrutura da população refletem um duplo envelhecimento da mesma. Temos, então, uma população idosa que já supera, e a tendência diz que excederá mais, a população juvenil; uma população idosa, que já é bastante idosa, e cada vez o será mais, até porque as estatísticas revelam que o segmento mais idoso da população idosa é aquele que mais cresce (Simões, 2006:19). Este último grupo é constituído na sua maioria por mulheres, isto é, a proporção de indivíduos de sexo masculino relativamente aos de sexo feminino, é  cada vez menor, à medida que se avança na escala da idade. Embora se desconheçam as  razões para que as mulheres apresentem taxa de mortalidade inferior à dos homens,  presume-se que estejam implicados fatores de natureza genética e ambiental, tais como os  papéis sociais e estilos de vida. Em 2002, deparamo-nos com uma esperança média de  vida para os homens de 73,68 anos e de 80,56 para as mulheres; um índice de  envelhecimento de 105% e um índice de dependência dos idosos de 24,7% (Sequeira,  2010:15). Torna-se, então, evidente que o envelhecimento é um processo complexo,  caraterizado por um “conjunto de processos de natureza física, psicológica e social, que  com o tempo, produzem mudanças na capacidade de funcionamento dos indivíduos e  influenciam a sua definição social” (Atchley, 2000 citado por Simões, 2006:30). Do ponto  de vista biológico Saldanha (2009:11) considera que “o envelhecimento é caracterizado  pela diminuição progressiva mais ou menos rápida e de intensidade variável da capacidade  funcional do organismo, diferente de órgão para órgão e de tecido para tecido,  cuja velocidade de progressão depende de factores hereditários, ambientais, sociais, nutricionais e higieno-sanitários”.

Apesar das modificações fisiológicas que o envelhecimento produz no ser humano, é sabido que o sedentarismo representa a causa mais importante para o aparecimento precoce da lentidão dos movimentos, mas também da diminuição funcional dos órgãos revestidos por músculos como acontece com o tubo digestivo e em particular com os movimentos peristálticos que ao tornarem-se mais lentos conduzem à obstipação.

Isto conduz-nos ao problema da dependência na velhice.

A qualidade de vida¹ das pessoas com mais de 65 anos de idade está estreitamente  correlacionada com o seu estado funcional em geral e com a capacidade de ter uma  atividade física normal em particular. Netto (2002:317) reforça esta ideia ao afirmar que  “há uma correlação positiva entre velhice saudável e vida independente, notadamente a  independência física.” Conseguir movimentar-se é uma das componentes essenciais de  vida do ser humano que lhe permite autonomia² e independência. O mesmo autor, na  sequência desta ideia, refere que “uma forma de se quantificar saúde de um idoso é através  do grau de autonomiaque ele possui e do grau de independência com que desempenha as funções do dia-a-dia, sempre levando em conta o seu contexto  socioeconómico-cultural.” Acrescentando que se pode medir a independência através do  seu oposto: a dependência³. Já para Simões (2006:34), “a saúde funcional é aferida pela  capacidade de realizar actividades da vida real, sem ajuda, tais como caminhar, tomar  banho, vestir-se, comer e cuidar da toilette”.

¹Qualidade de vida é uma perceção individual da posição na vida, no contexto do sistema cultural e dos valores em que as pessoas vivem, e relacionada com os seus objetivos, expectativas, normas e preocupações. É um conceito amplo, subjetivo, que inclui de forma complexa a saúde física da pessoa, o seu estado psicológico, o nível de independência, as relações sociais, as crenças e convicções pessoais e a sua relação com os aspetos importantes do meio ambiente (OMS, 1999 citado por Sequeira, 2010: 4).
²Autonomia refere-se à capacidade percebida para, controlar, lidar com as situações e tomar decisões sobre a vida quotidiana de acordo com as próprias regras e preferências. Ou seja, é a capacidade de cada um cuidar de si e de se adaptar ao meio e ser responsável pelas suas ações (OMS, 2002 citado por Sequeira, 2010:4).
³Dependência “é a situação em que se encontra a pessoa que, por falta ou perda de autonomia física, psíquica e intelectual, resultante ou agravada por doença crónica, demência orgânica, sequelas pós-traumáticas, deficiência, doença severa e/ou incurável em fase de avançada, ausência ou escassez de apoio familiar ou de outra natureza, não consegue, por si só, realizar as atividades da vida diária” (Decreto-Lei n.º 101, 6 de Junho, 2006 – Artigo 3.º)

Como referido anteriormente, o envelhecimento é parte integral e natural da vida que depende não só de factores genéticos mas também e principalmente da forma como vivemos o nosso dia-a-dia. Neste sentido, afirma Sequeira, (2010:23):

A inatividade associada ao envelhecimento leva à diminuição da atividade muscular e, consequentemente, à perda de tecido muscular, que se traduz numa coordenação sensório-motora menos eficiente, implicando dificuldades acrescidas de adaptação a situações novas. A manutenção de uma atividade física regular constitui uma forma de compensação, contribuindo para a preservação das estruturas orgânicas e do bem-estar aos quais se associa uma menor degeneração fisiológica.

Contudo, apesar de ser hoje bem reconhecida a importância do estilo de vida adotado para a nossa saúde, persiste o sedentarismo na população portuguesa. Um estudo realizado pelo Observatório Nacional de Atividade Física, publicado pelo Instituto do Desporto de Portugal, I.P., refere que a situação de atividade física denota insuficiência nos idosos. Nesta população, observa-se uma baixa prevalência de pessoas suficientemente ativas, ficando aquém do desejável: nos homens verifica-se uma prevalência de 45% e nas mulheres uma prevalência de 28%. A atividade física encerra vários objetivos aos níveis físico, social e psicológico que se resumem num propósito principal – a melhoria do bem-estar e o aumento da longevidade. Embora a sua prática regular ser benéfica em todas as idades, esta torna-se, ainda mais essencial à medida que envelhecemos, por contribuir em grande escala, para a manutenção da independência funcional.

Para a avaliação desta independência funcional existem vários instrumentos de avaliação geriátrica. O Índice de Barthel é um instrumento que avalia o nível de independência do sujeito para a realização de dez ABVD’s, sendo estas definidas como, de modo sucinto, como o conjunto de atividades primárias da pessoa, relacionadas com o autocuidado e a mobilidade, que permitam ao indivíduo viver sem necessidade de ajuda. Já o Índice de  Lawton avalia o nível de independência da pessoa idosa no que se refere à realização das  AIVD´s, sendo constituídas pelas atividades que possibilitam à pessoa a adaptar-se ao meio e manter a sua independência na comunidade.

Também na necessidade de identificar a perda funcional de pessoas idosas foram desenvolvidas as baterias de Fullerton. A bateria de aptidão física funcional de Fullerton tem como objetivo avaliar a ApF de pessoas com mais de 60 anos. Sendo a aptidão física funcional reconhecida como a capacidade fisiológica para realizar atividades normais do dia a dia de uma forma segura e independente, sem excesso de fadiga, esta bateria propõe avaliar a capacidade dos sistemas músculo-esquelético, cardiorrespiratório e neurológico através da avaliação de parâmetros físicos como: a capacidade cardiorrespiratória, a resistência muscular, a flexibilidade, a agilidade e a composição corporal.

2. Metodologia

A questão que se coloca neste estudo é a seguinte: A prática de AF reduz o nível de dependência das AVD´s e AIVD´s, ao melhorar o nível de ApF de idosas?

Na tentativa de resolver este problema realizou-se um estudo do tipo quantitativo. Já para a determinação da amostra a estudar recorreu-se ao método probabilístico, utilizando-se o procedimento amostragem por cachos. Após um contacto prévio com a instituição, através de uma reunião agendada com a diretora técnica, a técnica de serviço social, da lista de idosos institucionalizados, selecionou 16 idosas que apresentaram maior disponibilidade e maior acessibilidade à concretização do estudo, respeitando os critérios próprios de inclusão de cada grupo. Para o grupo praticante, as idosas teriam obrigatoriamente de praticar atividade física há pelo menos um ano com uma frequência mínima semanal de uma vez. Quanto ao grupo não praticante, as idosas selecionadas nunca praticaram atividade física. Para ambos os grupos, as idosas teriam de ter 65 ou mais anos. A média de idades das 16 voluntárias é de 81,06±6,567 anos. Já o grupo de idosas praticantes, constituído por oito elementos, apresenta uma média de idades de 77,50±5,071 anos, enquanto o grupo não praticante, também com oito elementos, manifesta uma média de 84,63±6,140 anos.

A colheita de dados, composta por três partes, decorreu entre os dias 4 a 12 de Junho, durante os períodos da manhã, na Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós. O tempo médio gasto no levantamento dos dados por indivíduo foi cerca de 1h. A primeira parte correspondia à aplicação de um questionário de identificação geral (Anexo A) que incluía questões relativas à identificação pessoal, habilitações literárias, estado de saúde e situação de prática de atividade física. A segunda parte correspondeu à realização da bateria de aptidão física funcional de Fullerton, composta pelos seguintes testes: levantar e sentar na cadeira; flexão do antebraço; estatura e peso; sentado e alcançar; sentado, caminhar 2,44m e voltar a sentar; alcançar atrás das costas; e andar seis minutos. A aplicação dos testes respeitou a ordem apresentada, seguindo com rigor o protocolo (Anexo B). Nesta fase, para completar a informação relativa à composição corporal⁴, além da estatura e peso, também foram registados valores do Índice de Massa Corporal (IMC), da percentagem de Massa Gorda (% FAT), da percentagem de Massa Muscular (% MUS) e do nível de gordura visceral. Por último, na terceira parte da recolha de dados, utilizaram-se duas escalas de avaliação do grau de dependência na realização de certas atividades – o Índice de Barthel e o Índice de Lawton –, tendo o investigador questionado o cuidador (técnico de ação social) de forma a não tornar o processo tão moroso. O Índice de Barthel⁵ (Mahoney e Barthel, 1965; Wade e Colin, 1988) é um instrumento de avaliação das atividades básicas da vida diária (ABVD). Este índice é composto por 10 ABVD, sendo que cada atividade apresenta entre dois a quatro níveis de dependência, em que a pontuação 0 corresponde à dependência total, sendo a independência pontuada com 5, 10 ou 15 pontos em função dos níveis de diferenciação, de acordo com o Anexo C. A sua cotação global oscila entre 0 e 100 pontos⁶, variando de forma inversamente proporcional ao grau de dependência, ou seja, quanto menor for a pontuação maior é o grau de dependência. Este índice possibilita a avaliação da capacidade funcional do idoso e determina o grau de dependência de forma global e de forma parcelar em cada atividade. Já o Índice de Lawton (Lawton e Brody, 1969) é um instrumento de avaliação das atividades instrumentais da vida diária (AIVD). É composto por oito atividades: cuidar da casa, lavar a roupa, preparação da comida, ir às compras, utilização do telefone, utilização de transporte, gestão do dinheiro e gestão da medicação. Cada item apresenta três, quatro ou cinco níveis diferentes de dependência, pelo que cada atividade é pontuada de 1 a 3, de 1 a 4 ou de 1 a 5, em que uma maior pontuação corresponde a um maior grau de dependência, variando entre 8 a 30 pontos⁷.

Para o tratamento estatístico dos dados, a ferramenta utilizada foi o programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS), versão 20.0 for Windows. Numa primeira etapa, os dados foram explorados através da estatística descritiva, com o objetivo de obter o perfil do conjunto de dados, através de tendência central (média e mediana) e de dispersão (desvio-padrão). A análise inferencial foi executada pelo T-teste para observar a existência de diferenças significativas nos dados de ambos os grupos e pela correlação de Pearson para apurar a existência de associações entre diferentes variáveis.

⁴Os valores da composição corporal, excetuando a estatura, foram obtidos através do Monitor de Composição Corporal marca Omron BF511.
⁵O Índice de Barthel surge como um instrumento válido, fiável e fácil de aplicar na avaliação do grau de autonomia. Surge como mais significativo a avaliação dos itens do que o resultado global, porque permitem identificar onde estão as incapacidades. (Araújo et al, 2007: 65)
⁶Pontuação Índice de Barthel: 90-100 Independente; 60-89 Ligeiramente dependente; 40-55 Moderadamente dependente; 20-35 Severamente dependente; <20 Totalmente dependente.
⁷Pontuação Índice de Lawton: 8 Independente; 9-20 Moderadamente dependente, necessita de uma certa ajuda; >20 Severamente dependente, necessita de muita ajuda.

Apresentação de Resultados

A amostra, constituída por 16 idosas da Santa Casa da Misericórdia de Porto de Mós, apresenta uma média de idades de 81,06±6,567 anos. A idade do grupo praticante varia  entre um mínimo de 71 e um máximo de 85 anos, manifestando uma média de  77,50±5,071 anos. Enquanto no grupo não praticante, a idade varia entre um mínimo de  74 e um máximo de 94 anos, sendo a média igual a 84,63±6,140. O estado civil está  representado nos gráficos 1 e 2, em baixo, onde 56,3% da amostra são viúvas, 25,5%  solteiras e 18,8% casadas. Quanto aos grupos, é no grupo não praticante que se verifica  uma maior percentagem de viúvas (37,50%).

Gráfico 1: Estado Civil, em percentagem

Gráfico 2: Estado civil por grupo (frequência e percentagem)

O meio residente de toda a amostra é rural e como consequência 43,8% não frequentou a escola e 68,8% desempenharam a função de domésticas. Relativamente à composição  corporal, o grupo praticante apresentou os seguintes resultados médios comparativamente  o grupo não praticante (IMC 27,475±3,42 e 27,900±3,41, %FAT  37,187±6,23 e 37,925±6,44 e %MUS 26,913±3,19 e 26,163±4,09, respetivamente).

Para os parâmetros IMC, %FAT e %MUS como o valor de p (0,805;0,819;0,689 , respetivamente) é maior que α, aceita-se a  hipótese nula e logo não se observam diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nas variáveis em questão.

Quanto aos resultados obtidos pela aplicação da bateria de teste de ApF funcional de  Fullerton, observa-se o seguinte:

Tabela 1: Resultados da bateria de aptidão física Funcional de Fullerton

Em todos os testes, o grupo praticante apresentou melhores resultados que o grupo sedentário. Ao recorrer ao teste T observa-se que existem diferenças estatisticamente significativas em todos os testes físicos, excetuando no teste sentado e alcançar.

No que concerne ao Índice de Barthel, os grupos apresentam igual nível de dependência, demonstrando-se ser independentes nas seguintes tarefas: alimentação, higiene corporal, controlo intestinal e deambulação. Já nas restantes tarefas, o grupo não praticante  apresentou piores resultados, reveladores de maior dependência, especialmente no item banho.

A avaliação global do Índice de Barthel indica que todos os elementos do grupo praticante  são independentes. Já no grupo não praticante, 6 idosas são considerados independentes e   ligeiramente dependentes (Gráfico 3). Desta forma, a amostra insere-se em apenas dois  dos cinco níveis de dependência deste índice. Ainda assim, como comprova o teste T (p =  0,001, sendo menor que α = 0,05, rejeita-se a hipótese nula), há diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, na avaliação global do Índice de Barthel. O  mesmo não se verifica na avaliação por tarefa. Referente ao Índice de Lawton, a  divergência de resultados foi mais notória. Em todos os itens, pela análise dos resultados  do teste T, observam-se diferenças estatisticamente significativas entre os grupos, bem  como na avaliação geral. (Anexo I) Comparativamente ao grupo praticante, o grupo não  praticante apresentou maiores dificuldades nas atividades de cuidar da casa, preparar  refeições, usar o telefone e usar dinheiro.

O resultado global aponta para 50% da amostra com dependência severa, representada na totalidade pelo grupo sedentário. Já o grupo ativo apresenta duas idosas independentes e seis moderadamente dependentes na concretização das AIVD’s (Gráfico 4).

Analisando os resultados obtidos da última parte dos procedimentos estatísticos (Tabela  2), correlações, pode observar-se que existe valores significativos de associações entre  umas e alta correlação entre outras. Assim, existem valores significativos de correlação  entre as variáveis: tempo de prática e Índice de Barthel;Tabela 2: Correlações

aptidão cardiorrepiratória e Índice de Barthel; e agilidade, equilíbrio e velocidade e Índice  de Lawton. Já as associações entre: tempo de  prática e Índice de Lawton; aptidão cardiorrespiratória e Índice de Lawton, entre outras apresentam alta correlação.

Análise de Dados

Quanto aos resultados obtidos através da  realização da bateria de Fullerton, em que se verificaram melhores valores em todos os testes, expeto no teste sentado e alcançar, por parte do grupo praticante de AF, outro estudo realizado por Teixeira (2005), sobre o efeito  da atividade física na autonomia funcional e qualidade de vida, surge com a mesma tendência. Confirmando a propensão a que os indivíduos que praticam AF possuem mais força, resistência nos membros superiores e inferiores, resistência aeróbia, velocidade,  agilidade, equilíbrio dinâmico, o que poderia indicar que a prática de atividade física  influencia uma melhor autonomia funcional nos idosos.

À semelhança dos resultados auferidos pelas escalas de Barthel e Lawton, Borges et al (2009), constatou que entre os idosos ativos fisicamente também existe um declínio da capacidade funcional, associado ao processo de envelhecimento, mas de forma mais lenta  e menos intensa que no grupo sedentário, pois não foram detetados casos de dependência  nas ABVD´s e apenas alguns de dependência parcial nas AIVD´s e nenhum de  dependência total. Neste contexto, outro estudo acerca dos efeitos de um programa de  atividade física, de  Guimarães et al (2008) conclui-se que os idosos obtiveram melhorias  na autonomia funcional, repercutindo-se numa menor dificuldade para a realização das  AVD e, como consequência, tornaram-se menos dependentes no contexto social em que  vivem, após a realização desse programa. Contudo, apesar de muitos estudos em várias  áreas de pesquisa, sugerirem que um estilo de vida ativo promove a manutenção da capacidade física funcional de indivíduos idosos por um período mais longo e, consequentemente mantém a sua qualidade de vida, tal não é possível comprovar neste  estudo, uma vez que não foram verificadas diferenças na aptidão física funcional dos  idosos dos dois grupos.

Ainda assim, no campo das correlações a aptidão física, representada pela capacidade cardior respi ratór ia apresentou valores significativos de correlação quando associada ao  Índice de Barthel e alta correlação quando emparelhada com o Índice de Lawton. Num estudo sobre a funcionalidade e a AF, Lobo et al (2007), verificaram que existe uma  correlação entre a aptidão física e o Índice de Barthel: quanto menor a aptidão física,  menor pontuação de Barthel, ou seja maior grau de dependência.

De encontro aos fortes valores de correlação entre tempo de prática de AF e o Índice de Lawton, existe a sugestão de Borges et al (2009) de prováveis relações existentes entre a prática regular de atividades físicas e a manutenção ou aquisição de bons níveis de autonomia para o desempenho das AVD´s e AIVD´s durante o processo de  envelhecimento.

Conclusão

Deste estudo retiraram-se as seguintes conclusões: não existem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos valores de ApF; o grupo não praticante revela maiores níveis de dependência no desempenho da ABVD banho e das AIVD’s cuidar  a casa, preparar refeições, usar o telefone e usar o dinheiro; existem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos nos Índices de Barthel e Lawton, assumindo  o grupo não praticante maiores níveis de dependência; e idosas praticantes  apresentam maiores níveis de independência nas ABVD’s e AIVD’s. Dado à não existência  de diferenças na ApF entre os grupos e atendendo ao problema de partida, não poderei  inferir que exista uma relação de causa-efeito como sugerido a priori.

Contudo, estas conclusões apresentam algumas fragilidades na medida em que a diferença média de idades entre o grupo praticante e o grupo não praticante torna-se exagerada. Isto porque estudos indicam que o fator idade pode influenciar o grau de dependência,  existindo a tendência de que indivíduos mais velhos apresentem maiores níveis de  dependência. Outra limitação tem a ver com o facto da amostra não ser representativa e  portanto não se poderá aplicar as conclusões à população.

Referências Bibliográficas

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SIMÕES, António (2006). A Nova Velhice – Um novo público a educar, Porto: Ambar
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Universidade do Porto

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Calidad de vida relacionada con la salud

Dec 30, 2011

Artigo Original

Calidad de vida relacionada con la salud: población rural y urbana desde una perspectiva de género

Quality of life related to health: rural and urban population from a gender perspective

Autores: Miguel Madruga, Josué Prieto, José Alberto Parraca, Narcís Gusi

RESUMEN

Introducción: Entre los diferentes factores sociodemográficos que pueden determinar el nivel de calidad de vida relacionada con la salud (CVRS) de las personas mayores se encuentra el lugar de residencia y el género. Este estudio pretende evaluar la calidad de vida relacionada con la salud en poblacion comparando población rural y urbana y analizando las diferencias entre hombres y mujeres.

Metodología: Estudio transversal de una cohorte de 75 años de edad, de 8 centros de atención primaria de ámbito rural y urbano seleccionados de forma aleatoria en la misma región de España (Extremadura). Se realizó una entrevista personal a 434 personas (214 de ámbito urbano y 220 de ámbito rural) de 75 años de edad. Se evaluaron las características sociodemográficas y se utilizó la versión española del cuestionario de calidad de vida SF-36.

Resultados: La población urbana muestra niveles superiores en todas las dimensiones y componentes del cuestionario, hallándose diferencias significativas en todas las dimensiones y componentes del cuestionario, excepto en SF-36 mental. Los hombres de ámbito rural y urbano mostraron diferencias significativas en RF, BP y MH. Las mujeres de ámbito rural y urbano mostraban diferencias en RF, GH, SF y SF-36 físico.

Conclusiones: El género y el lugar de residencia son variables que determinan el nivel de CVRS, y como consecuencia de ello deben ser consideras a la hora de evaluar la CVRS y diseñar programas e intervenciones específicas para la población mayor..

Palabras clave:Calidad de vida, mayores, rural-urbano, hombre-mujer

INTRODUCCIÓN

Evaluar la calidad de vida relacionada con la salud (CVRS) en la población mayor es un aspecto fundamental para conocer su estado de salud general y aquellos factores
que son determinantes para mantener un nivel de calidad de vida adecuado (Ferrucci, Baldasseroni et al. 2000). Además esta evaluación permite conocer las necesidades socio-sanitarias así como los efectos que pueden producir los diferentes tratamientos e intervenciones que se desarrollan con ellos (Sabbah, Drouby et al. 2003).

El término CVRS es un concepto multidimensional, que concierne a múltiples factores de la persona, como son el bienestar psicológico, la función física, las relaciones sociales, género, situación económica, nivel de actividad física, acceso a servicios sanitarios y lugares para realizar ejercicio, nivel educativo, entre otros (Sabbah, Drouby et al. 2003; Weeks, Kazis et al. 2004; Fogelholm, Valve et al. 2006; Shucksmith, Cameron et al. 2006; Oguzturk 2008; Tajvar, Arab et al. 2008). Estos factores influyen de forma significativa en los niveles de calidad de vida de la población y pueden ser diferentes en función del lugar o ámbito de residencia, estableciéndose así diferencias entre la población rural y urbana (Weeks, Kazis et al. 2004; Marcellini, Giuli et al. 2007; Nummela, Sulander et al. 2007; Lucchetti, Corsonello et al. 2008; Oguzturk 2008).

Algunos estudios previos demostraron que las personas mayores que viven en zonas rurales tenían un menor nivel de CVRS (Weeks, Kazis et al. 2004; Fogelholm, Valve et al. 2006; Oguzturk 2008; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009), estas diferencias se producen tanto a nivel físico como a nivel psicológico (Weeks, Kazis et al. 2004). Según estos y otros estudios previos la población rural muestra niveles inferiores en múltiples parámetros de calidad de vida (función física, dolor corporal, rol físico, salud y bienestar general, salud mental, función social, bienestar general y emocional, nivel de independencia) con respecto a sus homólogos de zonas urbanas (Weeks, Kazis et al. 2004; Marcellini, Giuli et al. 2007; Lau and Morse 2008; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009; Dong and Simon 2010). Asimismo, estudios previos muestran que la población rural padece mayores síntomas depresivos y niveles de ansiedad, menor nivel de autoestima y un mayor sentimiento de soledad que la población urbana que pueden repercutir de
forma significativa en su CVRS (Lau and Morse 2008; Oguzturk 2008; Dong and Simon 2010)

A pesar de que existen bastantes estudios en la literatura científica cuyo objetivo es evaluar la CVRS en personas mayores comparando población rural y urbana, es menos frecuente encontrar estudios que además analicen las diferencias entre hombres y mujeres en estas poblaciones. En este sentido, estudios previos han puesto de manifiesto que las mujeres de ámbito urbano tienen un nivel de calidad de vida inferior a los hombres (Sabbah, Drouby et al. 2003; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009), pero un nivel de salud percibida mayor que los hombres (Nummela, Sulander et al. 2007). No obstante, los resultados obtenidos en algunos estudios previos no son concluyentes respecto a la importancia de la variable género a la hora de evaluar la CVRS (Weeks, Kazis et al. 2004; Nummela, Sulander et al. 2007), y por ello, es necesario desarrollar estudios que
analicen las diferencias en CVRS según el género y el lugar de residencia (Lau and Morse 2008)

Por tanto, el objetivo de este estudio es determinar los niveles CVRS de una cohorte de personas mayores con una edad de 75 años en Extremadura (España) y analizar las diferencias entre población rural y urbana desde una perspectiva de género.

METODOLOGÍA

El presente estudio se basa en un diseño observacional analítico de corte transversal en una cohorte de población de 75 años de Extremadura de ámbito rural y urbano para
analizar las diferencias entre población rural y urbana desde una perspectiva de género.

Participantes

La muestra del estudio se reclutó de entre las personas mayores que tuvieran 75 años en el momento del estudio (2007), que estuvieran censadas en 4 centros de salud de la ciudad de Cáceres seleccionados aleatoriamente y en 4 centros de salud de zonas rurales menores de 1.500 habitantes que distaran al menos 20 km de la ciudad de Cáceres, que fueron seleccionados aleatoriamente. Los posibles participantes fueron informadas del estudio por medio de sus médicos de familia quienes informaron de los criterios de inclusión del estudio: no tener diagnosticado ningún problema físico o mental agudo que pudiera interferir en el desarrollo del protocolo del estudio, como por ejemplo Alzheimer, Parkinson ni otras demencias. No tener problemas de comunicación severos, no tener cualquier problema de salud que haga que la persona tenga que ser hospitalizada o
pueda causarle problemas e incluso la muerte.

Un total de 538 personas (268 personas de población urbana y 270 de la población rural) con 75 años de edad en el momento de estudio fueron escrutadas inicialmente, y fueron informadas (por correo postal y teléfono) de los objetivos y protocolo del estudio y su posible participación. Un total de 480 (238 de ámbito urbano y 242 de ámbito rural) mostraron su interés por participar en el mismo. Tras la aplicación de los criterios de inclusión, 46 personas (24 de ámbito urbano y 22 de ámbito rural) fueron excluidas del estudio por diversos motivos: problemas físicos o mentales, (4 hombres y 6 mujeres ámbito urbano, 5 problemas de comunicación (1 mujer ámbito urbano y 1 mujer ámbito rural),
hospitalizados o enfermos (6 hombres y 7 mujeres ámbito urbano y 6 hombres y 5 mujeres ámbito rural).

Finalmente, un total de 434 personas (113 hombres y 101 mujeres de áreas urbanas, 103 hombres y 117 mujeres de áreas rurales) consistieron, por escrito, participar voluntariamente en la investigación. La presente investigación fue diseñada y realizada por la Universidad de Extremadura en España. Se llevó a cabo de conformidad con la Declaración de Helsinki y sus posteriores actualizaciones, y fue aprobado por la Comisión de Ética Biomédica de la Universidad de Extremadura (nº 01/08). Así los datos registrados fueron codificados para preservar el anonimato de las participantes.

Instrumentos de recogida de datos

La evaluación de las variables objeto de estudio se desarrolló a partir de diversos cuestionarios. En primer lugar, las características sociodemográficas de los participantes fueron recogidas mediante un cuestionario de elaboración propia basado en cuestionarios estandarizados presentes en la literatura científica. Las características sociodemográficas evaluadas fueron género, lugar de residencia, estado civil, nivel de estudios, con quién vive, consumo de tabaco, consumo de alcohol, enfermedades de larga duración diagnosticadas (diabetes, hipertensión, osteoporosis, artrosis, entre otras) y ejercicio físico de mantenimiento realizado.

En el presente estudio la CVRS se evaluó mediante la versión oficial española del Cuestionario de Salud relacionada con la Calidad de Vida Short Form-36 Health Survey (SF-36) versión 1 (Alonso, Prieto et al. 1995), uno de los cuestionarios más utilizados en la literatura para la evaluación de este constructo multidimensional. Consiste en 36 items para evaluar 8 dimensiones: función física (PF), rol físico (RP), dolor corporal (BP), salud general (GH), vitalidad (VT), función social (SF), rol emocional (RE) y salud mental (MH). El rango de las puntuaciones para cada dimensión oscila de 0 (peor estado de salud) a 100 (mejor estado de salud). El cuestionario no está diseñado para
proporcionar un índice global, aunque se han propuesto puntuaciones resumen de salud física (SF-36físico) y de salud mental (SF-36mental), mediante la combinación de
las respuestas de los ítems.

Recogida de datos

La evaluación de los participantes se realizó mediante entrevista personal, con el fin de facilitar su aplicación, ya que se trataba de personas mayores que podían tener alguna dificultad para la lectura por diferentes causas (analfabetismo, limitaciones visuales o problemas de comprensión). Cada persona fue entrevistada durante una hora
aproximadamente en su centro de salud de uso habitual. La valoración fue realizada por técnicos (enfermera o trabajador social) conocedores de la materia y entrenados para el desarrollo de esta labor. Los entrevistadores recibieron durante dos meses un periodo complementario de formación específica, en el que se les dio conocer los objetivos concretos del estudio, el protocolo de investigación y su actuación explícita dentro del mismo.

Análisis de datos

El análisis estadístico de los datos se realizó utilizando el paquete estadístico SPSS v.16.0 (Headquarters 2005). Para todas las pruebas el nivel de significación fue de p < 0.05.
El análisis descriptivo y la comparación de las características socio-demográficas entre la población rural y urbana se realizó mediante la prueba de Chi-cuadrado (x2) de Pearson.Las diferencias en CVRS entre población rural y urbana, así como por género se realizó a través del análisis de la varianza (ANOVA).

La comparación de los datos de CVRS entre la población de estudio y los valores normativos de población de similar grupo de edad (75-79) e igual género se realizó mediante la prueba estadística t-test para muestras independientes.

RESULTADOS

Los resultados del análisis de las características socio-demográficas de la muestra del estudio (Tabla 1), indicaban que tanto la población rural como urbana eran comparables en estado civil, con quien vive, consumo de tabaco, consumo de alcohol y ejercicio físico de mantenimiento realizado. Sin embargo encontramos que existían diferencias significativas.

Los resultados respecto a la CVRS se muestran en la Tabla 2. Desde la perspectiva de género, los hombres muestran mejores niveles que las mujeres tanto en el componente físico como en el componente mental del cuestionario, así como en todas las dimensiones del cuestionario SF-36 (PF, RF, BP, GH, SF, RE, MH).
Los resultados del estudio en relación a la CVRS en función del lugar de residencia mostraban que existían diferencias significativas entre hombres de ámbito rural y urbano en RP, BP y MH y entre las mujeres de ámbito rural y urbano en RP, GH, VT, SF y SF-36 físico.

Desde el punto de vista del lugar de residencia y género, las mujeres de ámbito rural tenían una puntuación superior en MH y BP que las de ámbito urbano y los hombres de ámbito rural valores superiores en VT, SF y MH que los de ámbito urbano. Asimismo, los hombres de ámbito urbano obtenían puntuaciones superiores en todas las dimensiones del cuestionario con respecto a las mujeres, sin embargo no se encontraron diferencias significativas en RF, SF-36físico y SF-36mental. En el caso de la población rural, los hombres también obtenían puntuaciones superiores en todas las dimensiones y componentes del cuestionario en comparación con las mujeres, no encontrándose diferencias significativas en el SF-36 mental.

DISCUSIÓN

Entre los principales hallazgos de este estudio, encontramos que el género es una variable determinante a la hora de evaluar la CVRS, ya que puede influir de forma significativa. De este modo, los resultados del presente estudio coinciden con los de estudios previos, en los que los hombres muestran niveles superiores de CVRS con respecto a las mujeres (Sabbah, Drouby et al. 2003; Lucchetti, Corsonello et al. 2008; Tajvar, Arab et al. 2008; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009). De esta manera, el género puede influir tanto en las dimensiones PF, RF, BP, GH y VT del cuestionario (Sabbah, Drouby et al. 2003) como en otras como SF, RE y MH en el caso ámbito urbano y sobre todas las dimensiones en ámbito rural.

Otro de los principales hallazgos del presente estudio es que el lugar de residencia es un factor que puede condicionar de manera significativa los niveles de CVRS. Los resultados del presente estudio son consistentes con los de estudios previos, donde las personas de ámbito rural (tanto hombres como mujeres) muestran niveles inferiores en su CVRS con respecto a los de ámbito urbano (Weeks, Kazis et al. 2004; Marcellini, Giuli et al. 2007; Lau and Morse 2008; Oguzturk 2008; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009).
Aunque existen otros estudios que no consideran el lugar de residencia como factor que pueda influir en las dimensiones del cuestionario SF-36, excepto en VT (Sabbah, Drouby et al. 2003), en el presente estudio se encontraron diferencias significativas entre rural-urbano en todas las dimensiones del cuestionario excepto en el SF-36mental. Los resultados de este estudio revelaron que las personas de población urbana mostraban mejores niveles de GH y RE, pero puntuaciones inferiores en la dimensión MH, hecho que
podría explicarse parcialmente por la presencia de mayores niveles de estrés en la población urbana (Lau and Morse 2008). Según otros estudios, la vida en el ámbito rural es más exigente físicamente que la del ámbito urbano (Cancela and Ayán 2008), hecho que podría explicar que los hombres de ámbito rural puntuaran más elevado en el SF-36 físico así como en PF, RF y BP, a pesar incluso de que la población de ámbito urbano tengan mayor acceso a lugares para actividad física o realizar ejercicio físico (Fogelholm, Valve et al. 2006). La mujer rural se ocupa de las labores propias del hogar, también realiza trabajos de agricultura de cierta exigencia física, que en muchos casos no consideran como saludable, lo cual podría explicar que las mujeres de ámbito rural puntúen más elevado en el BP que las de ámbito urbano (Cancela and Ayán 2008).Entre las
posibles causas de estas diferencias de CVRS entre rural-urbano y hombres-mujeres se encuentra las interacciones entre diferentes factores como enfermedades crónicas (artritis reumatoide, osteoporosis…) (Orfila, Ferrer et al. 2006), nivel educativo (Fogelholm, Valve et al. 2006; Rėklaitienė, Bacevičienė et al. 2009), ingresos económicos (Fogelholm, Valve et al. 2006; Lucchetti, Corsonello et al. 2008; Tajvar, Arab et al. 2008), estrés (Oguzturk 2008), actividad física (Fogelholm, Valve et al. 2006), compañía (Liu and Guo 2007), etc.

Finalmente, comparando los resultados de la población del estudio con los valores normativos en población española de similar grupo de edad (75-79) e igual género desarrollados en el estudio de López-García et al (2003), los hombres y mujeres de ámbito urbano obtenían puntuaciones similares en todas las dimensiones del cuestionario (p>0.05). Sin embargo, la población rural mostraban puntuaciones superiores (phombres) y en las dimensiones de PF, RP, GH, VT y RE (en el caso de las mujeres). Por tanto, la población urbana del presente estudio es representativa del resto de población española (López-García, Banegas et al. 2003), sin embargo la población rural no es representativa de la población nacional, siendo necesario considerar este aspecto a la hora de generalizar los resultados. Este hecho puede ser debido a los diferentes modelos de ruralidad y envejecimiento existentes en la geografía española (Triado, Villar et al.
2003).

Este estudio cuenta con algunas limitaciones. Como en otros estudios epidemiológicos, los resultados son obtenidos a partir de las respuestas de los participantes y por ello puede estar influenciados por la percepción e interpretación del sujeto. Se ha utilizado un solo cuestionario de evaluación de CVRS, cuando en estudios recientes se recomienda el uso de al menos dos instrumentos (Polinder, Haagsma et al. 2010). El estudio está además restringido a la cohorte de 75 años de edad residente en zonas rurales o urbanas de la misma región, por lo que los datos deben ser tomados con cautela y no deben ser directamente generalizados a otras las poblaciones con otras características sociodemográficas.

Las conclusiones que se desprenden del presente estudio son que el género y el lugar de residencia (rural-urbano) son factores que pueden incluir de forma significativa en la CVRS de la población mayor. Por tanto, estos factores deben estar presentes en la evaluación de la CVRS y los posteriores análisis de sus resultados.

Aunque hay multitud de instrumentos para evaluar la CVRS, de diferentes grupos de edad, y de factores que lo determinan, que dificultan la posibilidad de establecer comparaciones entre diferentes estudios, convendría por tanto utilizar algunas pautas básicas e instrumentos comunes a la hora de analizar la CVRS. Es necesario establecer servicios y programas de intervención que sirvan para mantener y mejorar el nivel de CVRS de las personas mayores, de forma que sean perfectamente adaptados a cada uno de los contextos (rural y urbano).

Agradecimientos

El presente estudio fue financiado por la Dirección General de Salud Pública y Consumo de la Junta de Extremadura (España) (Proyecto de Investigación Socio-Sanitaria no. 01/08).

REFERENCIAS

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Tablas

Tabla 1: Características socio-demográficas de los participantes del estudio

Tabla 2: Calidad de vida relacionada con la salud (CVRS) evaluado con SF-36 en población rural y urbana desde una perspectiva de género

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