Oct 3, 2013

Expectativas de Responsabilidade Filial e Orientação da Responsabilidade no Cuidado aos Idosos 

Expectations of Filial Responsability and Guidance of Responsability in Care for the Elderly

Expectativas de Responsabilidad Filial y la Orientación de la Responsabilidad en el Cuidado de los Ancianos

 

Marta Gama (Enfermeira no Centro Hospitalar Lisboa Norte, EPE – pólo Hospital de Santa Maria) 

RESUMO

Muitos desenvolvimentos demográficos e estruturais ocorreram nas relações intergeracionais, os quais provocaram um impacto nas ligações familiares, tais como o aumento da longevidade e as alterações da dinâmica estrutural e social da família, tendo sido colocado em causa a vitalidade das obrigações familiares e solidariedade familiar, nomeadamente entre pais e filhos adultos.

Assim, com este estudo pretendeu-se verificar a presença de solidariedade entre pais e os seus filhos adultos, assim como as expectativas de responsabilidade filial dos pais e as suas opiniões e preferências no que se refere à orientação da responsabilidade para família/ serviços públicos no cuidado aos idosos. De forma a alcançar os objectivos, foi aplicado um questionário a 97 alunos, da Universidade Sénior da Póvoa de Santa Iria, com 55 ou mais anos e que tivessem pelo menos um filho adulto.

Foi possível chegar à conclusão de que existe solidariedade entre pais e filhos adultos, assim como os pais consideram que existe uma responsabilidade mista (família/Estado) no cuidado aos idosos e que preferem os apoios formais em detrimento dos informais (familiares) – contrariando a orientação familística. Contudo, apesar disso continuam a apresentar expectativas elevadas em relação à responsabilidade que os filhos devem ter para com os pais, nomeadamente a nível da dimensão de apoio emocional, sendo a dimensão de apoio instrumental a excepção. Desta forma, é possível concluir que há uma tendência por parte da população inquirida em preferir a complementaridade de apoios formais e informais, com consequente especialização de tarefas: instrumental e emocional, respectivamente.

PALAVRAS-CHAVE: solidariedade familiar; normas filiais; preferências no cuidado; familismo; responsabilidade dos serviços públicos.

ABSTRACT

Intergenerational relations have been affected by demographical and structural changes that had impact on family relationships. The increase in life expectancy and the changes in the families’ structural and social dynamics have put at risk the vitality of family obligations and solidarity, namely between parents and adult children.

Therefore, this research aimed at studying the existence of solidarity between parents and adult children as well as the parents’ expectations towards their children’s responsibilities and their views and preferences on family and welfare state responsibility as far as elderly people are concerned. In order to achieve this, a questionnaire was devised and subsequently applied to 97 participants attending the Universidade Sénior in Póvoa de Santa Iria, aged 55 or older, with at least one adult child.

The results indicate that there is solidarity between parents and adult children and that parents consider that both the family and the state should share the responsibility towards elderly people. Moreover, the study proves that formal support is preferred to the detriment of an informal one (family), which contradicts the familistic approach. However, parents evince high expectations as far as children responsibility towards them is concerned, specially in terms of emotional support. This does not apply, however, to the instrumental support domain. In conclusion, the study indicates that the participants tend to prefer the complementariness of formal and informal support with subsequent task specialisation: instrumental and emotional, respectively.

KEY WORDS: family solidarity; filial norms; care preferences; familism; welfare state responsibility.

INTRODUÇÃO

O envelhecimento da população é um fenómeno progressivo que se prevê, através dos estudos demográficos, que vá continuar e, inclusivamente aumentar. Este dado coloca exigências e desafios a nível económico, social, de investigação e de intervenção. Em paralelo ao processo de envelhecimento da sociedade, também é possível verificar alterações nas estruturas familiares, nas ligações sociais e no modo de viver da população idosa.

A orientação da vida social da família e o valor ligado à sociabilidade fazem desta o principal ponto de referência do processo do envelhecimento, sendo que as necessidades dos idosos são melhor entendidas dentro do contexto da família. De facto, a família é uma célula fundamental, enquanto lugar privilegiado de trocas intergeracionais. É aí que as gerações se encontram, se interajudam e completam de forma intensa.

Ao longo dos últimos dois séculos, drásticas alterações ocorreram na natureza e força das ligações familiares. Nos dia de hoje, torna-se uma prioridade das necessidades individuais o comprometimento para com a sobrevivência e o bem-estar económico da família. A orientação instrumental relativamente à família tem sido gradualmente substituída por uma orientação mais individualista e afectiva, dando-se uma enorme ênfase às necessidades individuais e felicidade pessoal. Este desenvolvimento levantou preocupações no que diz respeito à vitalidade das obrigações familiares e à força das ligações familiares.

A imagem transmitida pelos media sobre as relações entre as gerações, a qual reflecte a opinião pública, está associada à separação entre os membros, no que diz respeito aos jovens, encarados como individualistas flexíveis que mudam de trabalho frequentemente, o que faz com que estes se afastem cada vez mais dos seus pais. Desta maneira, segundo esta ideia, os filhos nem têm tempo ou vontade para estar com os seus pais (Szydlik, 2008). Tendo em conta estas perspectivas, é sugerido que com o aumento da população idosa a viver só e os seus filhos a residirem em diferentes cidades, acabe por haver um risco de isolamento social a partir do momento em que os filhos se afastam e abandonam as suas obrigações sociais e o seu compromisso para com os seus pais idosos, confiando no Estado. Embora a orientação individual para o ‘Estado’ ou para a ‘família’ como prestadores de apoio estar intimamente relacionada com a cultura, as preferências individuais e normas (se existir uma opção disponível) também vão variar (Motel-Klingebiel, Tesch-Roemer e Kondratowitz, 2005).

Estas afirmações baseadas no fim da família extensa de outrora, foram no entanto prematuras. Estudos de relações familiares intergeracionais revelaram que os filhos adultos não estavam isolados dos seus pais, pois não só mantinham contacto frequente com estes, assim como existia uma troca de inter-ajudas, mesmo quando estavam separados por longas distâncias geográficas (Lowenstein e Ogg, 2003; Dykstra, 2006; Szydlik, 2008). Também Bengtson (2000 in Lowenstein e Ogg, 2003) refere que os sociologistas familiares têm comprovado empiricamente que a família contemporânea mantém coesão familiar intergeracional, não se verificando uma substituição do apoio familiar pelos serviços públicos, mas antes um encorajamento daqueles por parte destes (Lowenstein e Ogg, 2003; Kohli, Künemund e Vogel, 2005).

Portanto, com todas as alterações demográficas, sociais e familiares que decorreram ao longo das últimas décadas, torna-se imperativo assegurar e contribuir para a verdadeira realidade de solidariedade e coesão existente na família, assim como analisar as expectativas e as preferências dos indivíduos no que diz respeito às crenças normativas sobre o apoio, tendo como pergunta de partida para o presente estudo: “Quais são as expectativas dos indivíduos com 55 ou mais anos em relação às responsabilidades filiais e as suas opiniões/preferências no que diz respeito à orientação da responsabilidade para o apoio familiar e de serviços públicos?”

Feita a apresentação do tema, importa delinear os objectivos do estudo e os principais eixos que compõem o estudo, o qual tem como objectivos:

  • Analisar a solidariedade familiar actual existente entre os filhos adultos e os seus pais, no que diz respeito à proximidade geográfica, a nível de contacto estabelecido, à proximidade afectiva, a nível do consenso e do apoio instrumental;
  • Identificar a existência de uma orientação famílistica, através do apoio de crenças normativas sobre a responsabilidade filial, da responsabilização familiar no cuidado aos idosos e das preferências pelo apoio familiar em detrimento do apoio formal;

A centralidade deste tema relaciona-se com a importância de conhecermos as bases de solidariedade familiar intergeracional, estabelecidas entre pais e filhos, na vida adulta, assim como conhecer as crenças normativas, expectativas e preferências dos pais (indivíduos com 55 ou mais anos). É evidente que os resultados do estudo não podem ser extrapolados para a população portuguesa em geral, contudo é possível extrair deste informações muito ricas sobre as solidariedades intergeracionais, expectativas e orientação da responsabilidade no cuidado aos idosos.

SOLIDARIEDADE FAMILIAR INTERGERACIONAL – CONSTRUÇÃO DO MODELO TEÓRICO

Na década de 70, Vern Bengtson e os seus colegas começaram a elaborar uma construção da solidariedade orientada para o indivíduo e apontada às relações entre as gerações familiares (Black e Bengtson, 1974, in Hammarström, 2005). Esta construção de solidariedade foi originalmente desenvolvida para sumarizar vários comportamentos e sentimentos que pareciam caracterizar as relações pai-filho ao longo do curso de vida e focava-se em questões de coesão ou integração, conceptualizando a solidariedade familiar como uma interacção entre as três dimensões de solidariedade associativa, afectiva e consensual. Black e Bengtson (1974, in Hammarström, 2005) inspirados pelo conceito de solidariedade mecânica de Durkheim e enfatizando a similaridade de valores, os seus pressupostos basearam-se no facto da similaridade ideológica entre membros familiares (solidariedade consensual) reforçar e ser reforçada por altos níveis de afectos e associação. Estas dimensões foram assumidas como tendo elevados níveis de correlação entre elas e assim constituindo dimensões de uma construção única de ordem superior (Hammarström, 2005).

O modelo original no qual a solidariedade constitui uma construção única de ordem superior foi abandonado, através da investigação levada a cabo por Bengtson e Roberts (1991). Para além das três dimensões de solidariedade originais (associativa, afectiva e consensual), os autores incluíram mais três dimensões – solidariedade normativa, funcional e estrutural – colocando a solidariedade consensual como uma variável independente. Neste estudo, Bengtson e Roberts (1991) concluíram que a solidariedade não poderia ser vista como uma construção única uma vez que a única correlação significativa encontrada foi entre o afecto e a associação, enquanto o consenso diferia das outras componentes da solidariedade. Desta forma, Bengtson e Roberts (1991) reformularam o modelo de modo a apenas comprometer conexões entre as diferentes dimensões de solidariedade, deixando assim de olhar para a solidariedade como uma composição simples e linear de associação, afecto e consenso. Assim, Bengtson (2001: 8) afirma que a utilização da construção teórica de solidariedade intergeracional é para “[…] caracterizar as dimensões comportamentais e emocionais da interacção, coesão, sentimento e suporte entre os pais e filhos, avós e netos, ao longo da vida”. Bengtson e os seus colegas (Bengtson, Landry e Mangen, 1988; Bengtson e Roberts, 1991) identificam assim seis dimensões do modelo de solidariedade:

  • Solidariedade estrutural

Um dos aspectos mais facilmente observados e objectivamente determinados da solidariedade familiar ou coesão aparenta ser a estrutura de relações familiares intergeracionais. Dentro do contexto do sistema de família intergeracional, a estrutura familiar é vista como uma função de oportunidade. A estrutura familiar é definida como o padrão de papéis relacionais (redes de parentesco: número de filhos e netos; estado civil dos membros familiares; género dos filhos e netos; idade dos filhos em cada núcleo familiar) ressaltados por constrangimentos espaciais (proximidade: a actual distância em quilómetros da casa do inquirido à casa do avô, pai, filho ou neto referido; e as categorias funcionais, que são indicadoras do quão difícil ou do tempo consumido por uma visita ao parente).

  • Solidariedade afectiva

A construção do afecto, em particular, a solidariedade afectiva entre membros da família, é um assunto familiar e complexo. Na nossa existência do dia-a-dia todos nós somos tocados pelo afecto nas nossas relações interpessoais. A solidariedade afectiva deriva da construção geral do sentimento, sendo este um padrão de sentimentos socialmente definido que indica uma relação particular com um objecto social e é acompanhado por um comportamento socialmente apropriado. É nominalmente definida como a natureza e extensão do sentimento positivo em relação a outro membro da família. Os tipos e quantidades de sentimento positivo determinam a qualidade das relações entendidas por cada membro da família.

  • Solidariedade associativa

A solidariedade associativa é definida como o grau segundo o qual os membros da família partilham actividades com outros membros da família. A um nível teórico, esta definição inclui uma partilha de actividade intergeracional. O contacto entre membros da família é por vezes face-a-face, enquanto que noutras alturas a associação é limitada ao contacto indirecto (por escrito, ou por telefone).

  • Solidariedade consensual

Na solidariedade familiar são analisadas várias características da família em busca de traços que promovem a sua coesão. Uma destas dimensões é o grau de similaridade de valores e a opinião consensual entre os pais e os seus filhos. A dimensão consensual foca-se em valores, opiniões e orientações entre as gerações.

  • Solidariedade funcional

O apoio instrumental, como a troca de dinheiro, bens e serviços é um aspecto chave na solidariedade familiar, sendo a troca definida como acto de dar e receber assistência entre membros familiares de diferentes gerações. O foco reside na quantidade de assistência que as pessoas dão e recebem do sistema familiar intergeracional. Dar e receber é um aspecto de interdependência entre membros familiares. Apesar de a troca ser uma componente de solidariedade familiar ela é causa e consequência de outros aspectos da dinâmica familiar, como por exemplo: poder, igualdade e justiça na família.

  • Solidariedade Normativa

As normas familiares podem ser definidas como aqueles padrões de comportamento que governam e medeiam as interacções intrafamiliares e as expectativas da família como um sistema social. Tais normas moldam expectativas e atitudes e definem comportamentos próprios e equitativos de acordo com o tipo e grau de obrigações filiais. A responsabilidade filial refere-se às obrigações que os filhos adultos sentem em responder às necessidades básicas dos seus pais, enfatizando o dever, protecção e equidade. Assim, a solidariedade normativa diz respeito às expectativas referentes às obrigações filiais e parentais, bem como às normas sobre a importância dos valores familísticos, conceptualizando o grau de percepção de responsabilidade filial (familismo).

Apesar das normas estabelecerem padrões de comportamento e estabelecerem as expectativas que guiam o comportamento, elas não são uniformemente aplicadas. Diferentes normas podem ser utilizadas por certos indivíduos ou as mesmas normas poderão ser aplicadas de formas distintas, dependendo do nível atribuído ou atingido pelo indivíduo dentro do grupo. Género, idade e status ocupacional, mudanças demográficas, mudanças na sociedade, estrutura familiar, bem como o aumento da natureza multicultural da nossa população são características que influenciam a mudança e a forma como as normas serão aplicadas, pelo que as normas familiares não são estáticas.

SOLIDARIEDADE NORMATIVA: EXPECTATIVAS E ORIENTAÇÃO DA RESPONSABILIDADE FILIAL/FAMILIAR E DOS SERVIÇOS PÚBLICOS

Bengtson e seus colegas distinguiram seis tipos de solidariedade, sendo as expectativas sobre como os membros familiares se comportam uns com os outros uma importante dimensão da vida familiar, a qual foi denominada de solidariedade normativa. A solidariedade normativa refere-se às normas que dão ênfase à primazia das relações na família, sendo definida como o grau de consenso intergeracional em relação à responsabilidade familiar e de força do comprometimento no desempenho dos papéis e no reconhecimento das obrigações familiares (Bengtson, Landry e Mangen, 1988; Bengtson e Roberts, 1991). Em todas as conceptualizações de solidariedade normativa, as expectativas de responsabilidade filial desempenham o papel de componente central, independentemente do consenso destas expectativas. Este conceito refere-se à dimensão que os membros familiares jovens e de meia-idade são esperados que prestem assistência aos seus pais idosos, e que dêem prioridade às necessidades destes em relação às suas (Lee, Netzer e Coward, 1994). Já Van der Pas (2006) define expectativas filiais como a reflexão de normas sociais gerais, um conjunto de crenças sobre como as pessoas se devem comportar em determinadas situações. Assim, pode-se concluir que as expectativas de responsabilidade filial consistem em crenças normativas sobre os deveres e obrigações dos filhos adultos para com os seus pais idosos, em momentos de necessidades. Bengston e Roberts (1991) sugeriram que um passo lógico no desenvolvimento da teoria é examinar as trocas dinâmicas nas relações intergeracionais e como elas se relacionam nas normas familiares.

As obrigações familiares são culturalmente descritas como expectativas normativas, as quais podem ser definidas em termos de dever e sentimentos de obrigação altruísta baseados no parentesco ou razões morais, a nível social, ou em termos de reciprocidade e afectividade, a nível individual (Wijckmans e Bavel, 2010). Tanto as normas gerais como as crenças pessoais podem afectar a conduta individual, e ambas estão inter-relacionadas (Ganong e Coleman, 2005; Gans e Silverstein, 2006).

É importante focalizar as obrigações familiares uma vez que estas são indicativas do actual funcionamento das famílias. Primeiramente, sentimentos de obrigação podem ter um importante impacto nas provisões de apoio, pois quanto mais forte for o sentimento de obrigação de um membro familiar a prestar um determinado tipo de apoio a outro membro familiar, é mais provável que aquele membro familiar preste realmente esse apoio em caso de necessidade (Lee, Neetzer e Coward, 1994). Ikkink, Tilburg e Knipscheer (1999) chegam mesmo a afirmar que as normas não são efectivas até que as necessidades de apoio surjam por parte dos pais idosos. Em segundo lugar, sentimentos de obrigação são uma importante medida para avaliar trocas actuais na família, pois os membros familiares irão avaliar o apoio que recebem dos membros familiares à luz do que sentem que esses outros membros familiares estariam obrigados a dar (Lee, Neetzer e Coward, 1994). Se os membros familiares não corresponderem às expectativas, isto poderá implicar uma redefinição desta relação familiar em particular ou a uma redefinição dos próprios sentimentos de obrigação familiar, possivelmente levando a uma anulação do apoio. Neste sentido, expectativas sobre as obrigações familiares e trocas familiares actuais são interdependentes e muitas vezes reforçam-se mutuamente.

A maior critica à ideia de que as pessoas geralmente têm um forte sentimento de obrigação familiar é apresentada por Finch e Mason (1991), em que na maioria dos casos, da amostra britânica, não existia um consenso claro da subsistência das normas familiares. Em muitos casos, os inquiridos sugeriram que as pessoas não eram obrigadas a tomar conta dos seus parentes, mas que essa função de apoio deveria ser tomada, por exemplo, pelo Estado. Emerge assim, uma outra conceptualização da solidariedade normativa no que diz respeito às expectativas de responsabilidade familiar versus responsabilidade do Estado Providência. Desta forma, na orientação do Estado Providência as crenças normativas dos indivíduos inclinam-se para a responsabilidade do Estado e as suas preferências favorecem os serviços formais relativamente ao apoio familiar. Na situação oposta, temos a orientação da responsabilidade familiar em que as crenças normativas dos indivíduos inclinam-se para a responsabilidade familiar e as suas preferências favorecem os serviços informais relativamente aos serviços formais (Motel-Klingebiel, Tesch-Roemer e Kondratowitz, 2005).

Ao longo dos últimos 30 anos, e primeiramente na Europa Ocidental e nos Estados Unidos, aumentaram o número de estudos de relações familiares intergeracionais entre a gerontologia e a sociologia familiar. Uma das razões principais para este interesse nas relações familiares ao longo de gerações poderá ser as exigências de crescimento nas famílias geradas pela alteração na estrutura etária da população juntamente com as restrições nas despesas públicas relativamente a pagamentos financeiros para cuidados de saúde aos mais idosos. Assim, para guiar a investigação pretendida, é adoptado neste estudo o paradigma da solidariedade intergeracional, por duas razões principais. Primeiramente, o paradigma da solidariedade representa na sociologia da família um dos esforços a longo prazo para desenvolver e testar uma teoria da integração familiar, sendo que o modelo da solidariedade guiou muitas das pesquisas sobre as relações intergeracionais adultas ao longo das últimas décadas (por exemplo, Lee, Netzer e Coward, 1994; Lowenstein e Ogg, 2003; Dykstra [et. al.], 2006; Lowenstein, 2007). Em segundo, as medidas baseadas nas dimensões de solidariedade incluem uma ferramenta válida e confiável de forma a avaliar a força das obrigações familiares intergeracionais (Bengtson, Landry e Mangen, 1988; Bengtson e Roberts, 1991). Desta forma, é delineado o modelo de análise do presente estudo, o qual se pode observar na figura n.º 1.

Fig. n.º 1: Modelo de Análise

 

METODOLOGIA

A população alvo a partir da qual foi efectuado o estudo, foram os alunos da Universidade Sénior da Póvoa de Santa Iria, em que o total de alunos que frequenta a Universidade é de 343 indivíduos com uma idade de 55 ou mais anos e/ou reformados a residir em localidades do concelho de Vila Franca de Xira (Póvoa de Santa Iria, Vialonga, Forte da Casa e Alverca), sendo que 14 destes alunos apenas leccionam no pólo que se situa em Vila Franca de Xira, os quais não foram abrangidos pelo estudo. A escolha da amostra teve como critério os indivíduos terem pelo menos um filho adulto vivo, com idade superior a 18 anos. Foi comunicado em cada sala de aula, durante uma semana em Novembro de 2010, a minha presença na Universidade Sénior e o objectivo da mesma, sendo que colaboraram no estudo apenas aqueles que se disponibilizaram para responder ao questionário, perfazendo no total 97 questionários completos e 3 incompletos.

A recolha de dados circunscreveu-se apenas a um único período no tempo (Novembro de 2010), sendo a sua configuração definida de desenho transversal. Dado que o estudo visa analisar as expectativas de responsabilidade filial, de uma população específica, e a sua orientação da responsabilidade familiar e do Estado no cuidado aos idosos, o seu carácter é naturalmente descritivo. Assim, para a análise dos dados utiliza-se o método quantitativo, recorrendo-se ao inquérito por questionário de administração directa como técnica de recolha de dados.

No que se refere à elaboração do questionário, pode-se dizer que neste estão implícitos três subconjuntos. A primeira parte do questionário é composta por variáveis de caracterização, (género, idade e estado civil), assim como por variáveis socioeconómicas (habilitações literárias, situação perante o trabalho, rendimento mensal, contexto familiar) e variável de estado de saúde.

Na segunda parte do questionário analisam-se as cinco dimensões do modelo de solidariedade intergeracional no que diz respeito à relação com o filho ‘focal’, sendo que é pedido ao inquirido que seleccione um dos dois critérios explícitos: 1 – é o filho que ajuda mais o pai nas AVD’s; 2 – é o filho que o pai vê mais frequentemente. Tal como afirmam Lee, Neetzer e Coward (1994: 561) este “procedimento de selecção garante que o filho focal é aquele com quem o pai tem o máximo de oportunidades de troca de ajuda”. Assim os instrumentos utilizados para avaliar as dimensões de solidariedade intergeracional são de duas fontes distintas: para avaliar as dimensões de solidariedade estrutural, associativa, afectiva e consensual recorre-se ao instrumento utilizado no Projecto OASIS por Lowenstein e Ogg (2003) e para avaliar a dimensão de solidariedade funcional recorre-se ao instrumento empregue por Lee, Neetzer e Coward (1994).

Na terceira parte do questionário analisa-se a sexta dimensão do modelo de solidariedade – solidariedade normativa – avaliando as expectativas de responsabilidade filial, através do instrumento utilizado por Van der Pas (2006), e a orientação da responsabilidade familiar / Estado Providência através do instrumento descrito por Daatland e Herlofson (2003).

Posteriormente, a informação retirada dos questionários foi codificada e inserida na base de dados do SPSS, para descrição dos resultados e análise interpretativa dos mesmos, à luz dos pressupostos teóricos.

CARACTERIZAÇÃO DA POPULAÇÃO INQUIRIDA

Do total de 97 inquiridos que constituem a amostra foi possível obter um conjunto de informações sociográficas dos indivíduos que leccionam na Universidade Sénior. Desta forma, a amostra é constituída por 44 homens e 53 mulheres com uma idade compreendida entre 55 e 81 anos, com uma média de 65 anos. É possível verificar que são os homens que apresentam uma idade mais elevada, em relação às mulheres.

No que diz respeito ao estado civil, verifica-se que a maioria dos inquiridos são casados (75, 3%), assumindo algum destaque os viúvos (17,5%) e por último, salienta-se a fraca expressividade dos divorciados (6,2%) e separados (1%). É possível verificar que no que se refere aos inquiridos viúvos, 28,3% são do género feminino face aos 4,5% do género masculino. É possível verificar que a faixa etária em que se evidencia maior prevalência de viúvos é entre os 70 e 74 anos de idade (representando 35,3% do total de viúvos).

Em relação ao agregado familiar é possível observar que a maioria dos inquiridos coabita com o cônjuge/companheiro (47, 4%), tendo também importante expressividade os que coabitam com cônjuge/companheiro e filho (25,8%) e ainda os que vivem sós (20,6%), sendo que do total da população inquirida verifica-se que 26,4% mulheres e 13,6% homens vivem em situação isolada, sendo que a maioria dos que vivem sós são viúvos (70%).

Quando questionados sobre o nº de filhos, foi possível constatar que quase metade da população tem apenas um filho (48,5%), e ainda com grande expressividade os que têm dois filhos (41,2%), tendo pouco destaque os que têm três e quatro filhos (respectivamente, 7,2 e 3,1%) (Anexo III). A maioria dos inquiridos afirmou ter netos (75,3%), revelando com maior expressividade os que apresentam um e dois netos (respectivamente, 26,8 e 30,9%).

No que se refere às características profissionais e económicas, verifica-se que 28,9% apresentam habilitações literárias a nível do 3.º Ciclo de escolaridade e que 82,5% são reformados. O rendimento económico da população constitui um indicador importante para determinar a dependência económica face a terceiros. É possível verificar que o rendimento mensal médio da população inquirida se situa entre os 700 e 1000 euros, sendo que 23,7% da nossa amostra apresenta um rendimento mensal superior a 1500 euros, para além de que as mulheres tendem a apresentar um rendimento mensal inferior ao dos homens.

Por fim, no que diz respeito ao estado de saúde, a maioria dos inquiridos refere considerar o seu estado de saúde razoável (59,8%) ou bom (33%), tendo fraca expressividade a classificação de muito bom e mau (respectivamente 4,1 e 3,1%). Verifica-se uma semelhança entre géneros, contudo os homens tendem a considerar o seu estado de saúde melhor em relação às mulheres.

Do total da amostra, 51,5% dos inquiridos afirmaram apresentar um problema de saúde com uma duração de mais de 6 meses, sendo as doenças mais referidas, por ordem de importância, a hipertensão, diabetes, osteoporose, doenças do foro cardíaco, gástrico e reumático, hipercolesterolémia, doença oncológica, problemas de coluna, alergias, hipotiroidismo e apneia do sono. Contudo, apenas 19,6% dos inquiridos afirmou limitação causada pela doença/ problema de saúde nas AVD’s, em que 52,6% referiu que essa limitação não era severa.

SOLIDARIEDADE INTERGERACIONAL ENTRE PAIS E FILHOS ADULTOS

Primeiramente, é feita uma caracterização sociográfica do filho adulto, verificando-se que 51,5% são do género masculino e 48,5% são do género feminino, com idades compreendidas entre os 20 e os 54 anos de idade (uma média de 36 anos de idade), em que a maioria são licenciados (62,9%) e estão empregados (90,7%) e 52,6% são casados, verificando contudo uma forte expressividade a nível dos solteiros (30,9%). Visto a população analisada ser independente e não necessitar de ajuda nas actividades de vida, quase a totalidade dos inquiridos com mais de um filho (98%) optou pelo critério do “filho que vê com mais frequência”, sendo que apenas um indivíduo optou pelo critério do “filho que o ajuda mais nas suas AVD’s”.

A nível da solidariedade estrutural, pode-se verificar que os filhos adultos vivem razoavelmente próximos dos seus pais, uma vez que cerca de metade da amostra (48,5%) vive a menos de 10 minutos ou entre 10 e 29 minutos do seu filho, verificando-se ainda que 24,7% dos filhos adultos reside com os seus pais.

No que diz respeito à solidariedade associativa, é possível constatar que os pais vêem frequentemente o seu filho, sendo que mais de metade dos inquiridos vê o seu filho uma vez por dia ou mais ou algumas vezes por semana (62,9%). Contudo 10,3% dos inquiridos referem ver os seus filhos mais ocasionalmente, nomeadamente aqueles que vivem no estrangeiro, embora haja um caso em que o inquirido refere que “ só me visita se precisa de mim ou quando eu convido e mesmo assim por vezes recusa o convite”.

Ainda no que se refere à solidariedade associativa, ao analisar a frequência com que os inquiridos estabelecem contacto telefónico com o seu filho é possível verificar que estes falam frequentemente com o seu filho, sendo que a maioria dos inquiridos estabelece contacto telefónico com o seu filho uma vez por dia ou mais ou algumas vezes por semana (74,2%). Ainda a referir que 13,4% dos inquiridos nomearam outra situação, sendo a situação “quando necessário” a opção de 11,3% uma vez que a maioria destes inquiridos reside com o seu filho, não tendo grande necessidade de estabelecer contacto telefónico frequentemente.

No que concerne à solidariedade afectiva pode-se verificar que mais de metade dos inquiridos e o seu filho adulto têm uma proximidade afectiva muito elevada ou extremamente elevada (52,6%), existindo apenas um inquirido que afirma apresentar um grau baixo de proximidade afectiva.

A nível da solidariedade consensual apesar da maioria dos inquiridos considerar que os seus valores e opiniões são bastante e muito semelhantes (36,1 e 25,8%, respectivamente) com os do seu filho adulto, 19,6 e 13,4% dos inquiridos consideram que apenas são um pouco semelhantes ou que não são muito semelhantes, respectivamente.

No que diz respeito à solidariedade funcional, pode-se verificar que os apoios, mais referidos pela população inquirida, que os filhos adultos prestaram nos últimos 12 meses, foram presentes sem ser dinheiro (42,3%), conselho numa decisão (37%) e ajuda nas tarefas domésticas ou pequenas tarefas (33%). É de salientar que 19,6% dos pais referiram não ter recebido ajuda por parte do seu filho adulto.

Quanto aos apoios que os pais prestaram ao seu filho adulto, nos últimos 12 meses, foram por ordem de importância presentes sem ser dinheiro (48,3%), assistência financeira em presente ou empréstimo, ajuda nas tarefas domésticas (42,3%) e conselho numa decisão (38,1%). Verifica-se também uma forte expressividade no que diz respeito a tomar conta das crianças (28,9%). Apenas 5,2% dos pais referiram não ter ajudado o seu filho adulto, sendo que foram os pais que prestaram mais apoio ao seu filho adulto, em relação ao apoio prestado por este aos seus pais.

Apenas 24,7% dos inquiridos afirmou ter um dos seus pais vivo, sendo que 70,8% destes inquiridos presta algum tipo de apoio a um dos seus pais ou a ambos (correspondendo a 17,5% do total da população inquirida), situando-se 70,6% na faixa etária dos 55 aos 64 anos de idade. No que diz respeito ao tipo de apoio prestado: acompanhamento, visitas, apoio nas tarefas domésticas, apoio financeiro e apoio no transporte foram os apoios mais enunciados, por ordem de importância.

Assim 70,8% dos inquiridos, que tem um dos seus pais vivo, presta apoio a este ajudando simultaneamente o seu filho adulto, pois metade destes inquiridos dá apoio ao seu filho adulto em tarefas domésticas, dá presentes sem ser em dinheiro e assistência financeira em presente ou empréstimo (58,8%, 52,9% e 47,1%, respectivamente), e 1/3 dos inquiridos dá apoio ao seu filho adulto tomando conta dos netos.

SOLIDARIEDADE NORMATIVA

A pesquisa da solidariedade normativa é feita através primeiramente do estudo das expectativas de responsabilidade filial e posteriormente da orientação da responsabilidade familiar versus Estado no cuidado aos idosos.

Desta forma, para a análise das expectativas de responsabilidade filial foram redigidas 16 afirmações, inseridas em quatro dimensões (emocional, instrumental, informativa e contacto), em que os inquiridos tinham de indicar se discordavam totalmente, discordavam, não concordavam nem discordavam, concordavam ou se concordavam totalmente. Sendo assim, a apresentação dos resultados vai ser apresentada através das quatro dimensões.

Quanto à análise da responsabilidade familiar e do Estado no cuidado aos idosos foi estudado a quem os inquiridos impunham responsabilidade no apoio instrumental (apoio financeiro, apoio nas tarefas domésticas e apoio no cuidado pessoal) a idosos com necessidades e as preferências pessoais dos inquiridos no que diz respeito às suas preferências habitacionais e na proveniência de apoio em caso de necessidade.

Verificou-se que a nível da dimensão emocional pode-se verificar que a maioria dos inquiridos concorda com as afirmações, ou seja tem uma grande expectativa a nível da dimensão emocional, sendo que apenas a afirmação “os filhos devem sentir-se responsáveis pelos seus pais” originou mais divergência, pois 27,8% dos inquiridos não concorda nem discorda, 17,5% discordam e 4,5% discordam totalmente da afirmação.

No que diz respeito a nível da dimensão instrumental é possível verificar que a opinião dos inquiridos é bastante divergente. Apenas é possível verificar que a maioria dos inquiridos concorda e concorda totalmente em que “os filhos devem cuidar dos seus pais doentes” (55, 7 e 17,5%, respectivamente) e que “em situação de emergência, os filhos devem acolher os seus pais em sua casa” (54,6 e 16,5%, respectivamente). Pelo contrário não apresentam expectativas no que concerne às restantes afirmações, pois os inquiridos não concordam nem discordam com estas, chegando mesmo a discordar que os filhos devem providenciar apoio financeiro, abdicar do seu tempo livre, ajustar a sua situação profissional e a sua situação em sua casa para ajudar os pais (17,5%, 26,8%, 36,1% e 22,7%, respectivamente).

No que se refere à dimensão de contacto, é possível verificar que os pais apresentam altas expectativas, uma vez que a maioria concorda que “os filhos devem telefonar regularmente” e que “os filhos que vivem perto dos seus pais devem visitá-los pelo menos uma vez por semana” (66% para ambas as afirmações). Contudo quase a maioria dos inquiridos (47,4%) não concordou nem discordou que “os filhos devem viver próximo dos seus pais”, sendo que 7,2% discordaram e 6,2% discordaram totalmente.

Por fim, quanto à dimensão informativa é possível constatar que os inquiridos apresentam altas expectativas no que concerne a esta dimensão, uma vez que em todas as afirmações a maioria concorda que os filhos devem aconselhar, controlar a qualidade de cuidado e familiarizar os seus pais com serviços prestadores de cuidados de saúde (54,6%, 67% e 71,1%, respectivamente).

No que diz respeito à responsabilidade atribuída pela população inquirida à família ou ao Estado, a nível dos apoios financeiro, nas tarefas domésticas e no cuidado pessoal a idosos que necessitam de apoio, foi possível verificar que a maioria dos inquiridos (77,3%, 79,4% e 76,3%, respectivamente) considerava que tanto o Estado como a família deviam suportar essas responsabilidades.

Quanto às preferências pessoais habitacionais, a maioria dos inquiridos refere preferir residir numa instituição (54,6%), contudo mais de 1/3 dos inquiridos refere preferir residir com os seus filhos (38,1%), caso não pudesse viver de forma independente.

Também a nível das preferências pessoais no que diz respeito à proveniência de apoio em caso de necessidade de ajuda a longo prazo, a maioria dos inquiridos referiu que preferia receber ajuda de serviços organizados (73,2%), sendo que apenas 23,7% preferia que esta viesse de familiares.

DISCUSSÃO E CONCLUSÃO

Com a caracterização da população inquirida é possível verificar que a maioria dos inquiridos é casada. Contudo constata-se com alguma expressividade que uma parcela da população inquirida é viúvos, sendo na sua grande maioria inquiridos do género feminino. Este resultado pode relacionar-se com a sobremortalidade masculina, referida por Carrilho e Patrício (2005), em que a esperança de vida é mais elevada nas mulheres do que nos homens. É possível verificar também que a faixa etária em que se evidencia maior prevalência de viúvos é entre os 70 e 74 anos de idade (representando cerca de 1/3 do total de viúvos), idade próxima da esperança de vida para os homens.

A nível do agregado familiar verifica-se que metade da população inquirida reside com cônjuge/companheiro e ¼ desta reside com cônjuge/companheiro e filho, tendo de se ter em conta que a média de idade da população inquirida é de 65 anos. Contudo mesmo assim, ainda é possível verificar alguma expressividade dos que vivem sós, verificando-se que são as mulheres as que mais vivem em situação isolada e que a maioria dos que vivem sós são viúvos. Esta situação está provavelmente associada à sobremortalidade masculina e à maior esperança de vida feminina (Guerreiro, 2003). Também é possível verificar que tanto os inquiridos como os seus filhos adultos têm predominantemente um ou dois filhos, justificando a baixa acentuada da fecundidade ao longo das últimas décadas, pois tal como afirmam Carrilho e Patrício (2005) em 2004 a descendência média é de 1,4 filhos por mulher, assim como se verifica uma diminuição média do tamanho da família.

Através da análise da solidariedade familiar intergeracional foi possível constatar que os filhos adultos não estavam isolados dos seus pais, pois não só mantinham contacto frequente com estes, assim como existia uma troca de inter-ajudas, à semelhança do que demonstraram outros estudos empíricos (Lowenstein e Ogg, 2003; Dykstra, 2006; Szydlik, 2008). Assim, é possível verificar que os resultados da solidariedade estrutural demonstram que os filhos adultos vivem próximo dos seus pais, contrariando a ideia de que os membros familiares vivem cada vez mais afastados uns dos outros, sendo que cerca de metade da população inquirida vive a menos de 10 minutos ou entre 10 e 29 minutos do seu filho adulto. Estes resultados vão de encontro aos do estudo de Dykstra [et al.] (2006) em que a média de distância entre os membros familiares mostrou-se ser relativamente baixa, assim como o de Hank (2005) em que a maioria dos inquiridos vivia próximo do seu filho e o de Lowenstein e Ogg (2003) no qual mais de metade dos pais viviam entre 10 a 30 minutos dos seus filhos. Contudo no que se refere à coabitação é possível verificar que ¼ da população inquirida reside com o seu filho adulto e o cônjuge, ao contrário de outros estudos como de Rein (1994) e de Lowenstein e Ogg (2003), nos quais se verificou um declínio da coresidência entre as gerações, apesar dos filhos adultos residirem próximo dos seus pais idosos. Neste último estudo é necessário ter em conta que foi em Espanha que se verificou um maior nível de coresidência (cerca de ¼ da população espanhola inquirida), verificando-se valores semelhantes também no estudo de Gil (1999) apoiando o argumento de que a coresidência é mais comum nos países mediterrâneos. Hank (2005) também refere a predominância da coresidência nos três países mediterrâneos comparados com os outros países investigados. Contudo também tem de se ter em conta a faixa etária dos inquiridos que abrange os indivíduos com 55 ou mais anos, ou seja o estudo ainda engloba indivíduos de meia-idade, sendo que nesta fase da vida muitos dos filhos adultos ainda residem com os pais, como se verifica no estudo em que dos 25 inquiridos que reside com o seu cônjuge e o seu filho, 16 destes encontram-se entre a faixa etária dos 55 aos 64 anos de idade. Este facto está relacionado com os filhos saírem cada vez mais tarde de casa dos pais uma vez que demoram mais a ter a sua independência financeira devido ao “alongamento da formação escolar e do correspondente atraso de entrada na vida adulta activa.” (Almeida [et. al.], 1998: 46) e consequentemente também está relacionado com o aumento da idade média do primeiro casamento (Fernandes, 1997, Almeida [et. al.], 1998, Carrilho e Patrício, 2005).

No que diz respeito à solidariedade associativa, verificou-se que os pais estabelecem contacto face-a-face e telefónico frequentemente com o seu filho, sendo que a população inquirida estabelece mais frequentemente contacto telefónico do que contacto face-a-face. Estes resultados vêm de encontro com a realidade empírica que comprovou que os pais e filhos adultos estabelecem contactos regulares (Rein, 1994; Gil, 1999; Lowenstein e Ogg, 2003; Hank, 2005; Dykstra [et. al.], 2006, Hatton-Yeo, 2007 e Szydlik, 2008).

No que concerne à solidariedade afectiva, mais de metade dos inquiridos e o seu filho adulto têm uma proximidade afectiva muito elevada ou extremamente elevada, o que vem de encontro com os estudos realizados por Lowenstein e Ogg (2003) e Szydlik (2008).

A nível da solidariedade consensual apesar da maioria dos inquiridos considerar que os seus valores e opiniões são bastante e muito semelhantes com os do seu filho adulto, cerca de 1/3 da população inquirida considera que apenas são um pouco semelhantes ou que não são muito semelhantes. À semelhança também no estudo de Lowenstein e Ogg (2003) foi possível verificar que era em Espanha que os indivíduos apresentavam um menor índice de consenso, em comparação com os outros países (Noruega, Inglaterra, Alemanha e Israel).

No que diz respeito à solidariedade funcional, foi possível verificar que foram os pais que prestaram mais apoio, em relação ao apoio que os filhos adultos prestaram aos seus pais. Este resultado vem contra a investigação de Dykstra [et. al.] (2006), no qual se verificou que existe a mesma quantidade de ajuda de pais para filhos como dos filhos para os pais, e contra os estudos de Attias-Donfut (1993, in Rein, 1994) e Lowenstein e Ogg (2003), em que foi possível concluir que os pais claramente prestavam menos apoio do que recebiam por parte dos seus filhos adultos. Uma das possíveis razões para este resultado pode estar relacionada com a faixa etária da população inquirida (com 55 ou mais anos) em que esta poderá prestar mais apoio aos seus filhos ou estes podem depender mais dos seus pais, sendo que em todos os estudos empíricos a idade dos pais é mais avançada. Outra razão possível depreende-se com o facto de serem apenas os pais a relatarem a troca de ajudas existentes entre eles e os seus filhos adultos, sendo que pode acontecer que o apoio não seja reconhecido pelo receptor tal como afirmou Dykstra [et. al.] (2006) ao constatar que os filhos referiram prestar mais apoio aos pais do que os pais referiram receber por parte dos filhos. Também Ikkink, Tilburg e Knipscheer (1999) afirmaram na sua investigação que tanto os filhos como os pais tinham tendência a reportar que davam mais ajuda do que recebiam. Do mesmo modo, foi possível constatar que houve mais pais a afirmar que não receberam nenhum apoio por parte dos seus filhos, do que o contrário. É possível verificar que noutros estudos empíricos também os inquiridos referem, com alguma expressividade, não receber qualquer tipo de apoio por parte dos seus filhos (Lowenstein e Ogg, 2003 e Szydlik, 2008).

A nível dos apoios especificamente verifica-se que existe uma relativa similaridade de troca de apoios entre pais e filhos adultos a nível do conselho, tarefas domésticas, presentes sem ser dinheiro e transporte, o que não se verifica a nível do apoio financeiro. São os pais que prestam mais apoio financeiro aos seus filhos adultos do que o contrário, tal como se verificam nos estudos empíricos de Attias-Donfut (1993, in Rein, 1994), Gil (1999) e Dykstra [et. al.] (2006). Outro tipo de apoio também prestado aos filhos adultos referido por mais de ¼ dos pais está relacionado com o cuidado aos netos. Nos estudos de Gil (1999) e Szydlik (2008) verifica-se que os pais prestam este tipo de apoio aos seus filhos, verificando-se contudo resultados superiores nas investigações levadas a cabo por Dykstra [et. al.] (2006) e Attias-Donfut, Ogg e Wolff (2005).

Verifica-se que apenas ¼ da população inquirida pertence à geração ‘pivô’, ao contrário do que era esperado, uma vez que segundo Attias-Donfut, Ogg e Wolff (2005) na actualidade esta geração é numericamente muito elevada, muito devido ao aumento da esperança de vida. Contudo grande maioria destes inquiridos pertence a uma geração ‘pivô’ activa, em que afirma prestar algum tipo de apoio a um ou ambos os pais em simultâneo com a ajuda prestada ao seu filho adulto (tarefas domésticas, presentes, assistência financeira e cuidar dos netos, por ordem de importância). Já na investigação levada a cabo por Attias-Donfut, Ogg e Wolff (2005) apesar de se verificar um elevado número de indivíduos pertencentes à geração ‘pivô’, apenas 1/5 destes pertencia a uma geração ‘pivô’ activa. Quanto à idade em que se encontra esta geração, verifica-se que a maioria pertence à faixa etária dos 55 aos 64 anos de idade, estando ligeiramente em desacordo com Attias-Donfut, Ogg e Wolff (2005), os quais afirmam que nos países mediterrâneos esta geração aumenta a partir do final dos 60 anos de idade.

Com estes resultados pode-se concluir que existe solidariedade entre pais e filhos, verificando-se que, de uma maneira geral, os pais não estão distantes fisicamente nem afectivamente dos seus filhos adultos, estabelecendo contactos frequentes, e que existe uma troca mútua de inter-ajudas de pais para filhos e vice-versa. Também se conclui que apesar de a geração ‘pivô’ ser uma minoria da população inquirida, grande parte desta pertence a uma geração ‘pivô’ activa.

No que diz respeito às expectativas de responsabilidade filial, verificou-se que, de uma maneira geral, os pais apresentam elevadas expectativas tanto a nível das dimensões emocional, contacto como informativa. Contudo a nível da dimensão instrumental, a população inquirida está pouco de acordo que os filhos devam providenciar apoio financeiro, abdicar do seu tempo livre, ajustar a sua situação profissional e a sua situação em sua casa para ajudar os pais. Estes resultados vão ao encontro do estudo realizado por Van der Pas (2006) em que o autor concluiu que os pais interpretavam o papel filial como aquele que inclui uma grande quantidade de discussão de assuntos e contacto com os filhos, assim como os pais apreciavam bastante estar familiarizados com os recursos de saúde disponíveis e em receber apoio emocional dos seus filhos. Também foi possível verificar no estudo de Van der Pas (2006) que a maioria dos pais não estava de acordo com os filhos terem de ajustar as suas situações laborais e familiares para os ajudarem, como também achavam que os filhos não tinham o dever de lhes prestar assistência financeira.

Ao contrário do que era esperado, no que se refere à responsabilidade atribuída pela população inquirida à família/Estado a nível de apoio instrumental a um idoso que necessita de cuidado, foi possível concluir que a maioria considera que existe uma responsabilidade mista, ou seja, responsabiliza tanto o Estado como a família a nível dos três domínios (apoio financeiro, apoio nas tarefas domésticas e apoio no cuidado pessoal). Já estudos empíricos demonstram que os países do Sul da Europa, como Espanha, Itália ou Grécia, apresentam um padrão semelhante uma vez que estão mais inclinados a responsabilizar a família pelo cuidado, estando mais divergentes no que se refere ao apoio financeiro a idosos que necessitem desse apoio (Lowenstein e Ogg, 2003; Lopes, 2006; Fokkema, Bekke e Dykstra, 2008). No mesmo seguimento é possível constatar com os resultados obtidos no estudo que a seguir à responsabilização mista, a responsabilidade recai sobre o Estado e só por último recai sobre a família.

Também ao contrário do que era esperado, são os resultados obtidos a nível das preferências pessoais no cuidar em caso de necessidade. Assim, quanto às preferências pessoais habitacionais, a maioria dos inquiridos referiu preferir recorrer a serviços formais (instituição) caso não pudesse viver de forma independente, apesar de mais de 1/3 dos inquiridos preferir residir com os seus filhos. Estes resultados vão contra os resultados de Lopes (2006), a qual concluiu que a maioria dos inquiridos dos países do sul da Europa, como Grécia, Espanha e Portugal, preferiam a co-habitação com os seus filhos e uma minoria preferia os serviços formais. No mesmo sentido, Daatland e Herlofson (2003) concluíram que a maioria dos inquiridos espanhóis preferiam co-residir com um filho, ao contrário dos inquiridos dos restantes países analisados (Noruega, Israel, Alemanha e Inglaterra).

No que concerne às preferências pessoais no que diz respeito à proveniência de apoio em caso de necessidade de ajuda a longo prazo, também foi possível verificar que a maioria dos inquiridos referiu que preferia receber ajuda de serviços organizados, sendo que menos de ¼ da população inquirida preferia que esta viesse de familiares. Estes resultados não vêm ao encontro das conclusões de Lopes (2006) a qual refere que os idosos preferem principalmente o cuidado familiar, verificando um elevado índice de preferências na proveniência de apoio familiar em países do Sul da Europa, como Portugal, Espanha, Grécia ou Itália. Também Daatland e Herlofson (2003) verificam que são os inquiridos espanhóis que mais preferem receber apoio por parte de familiares ao invés de serviços formais, ao contrário dos inquiridos dos quatro restantes países analisados.

Assim, pode-se concluir que a população inquirida não apresenta uma orientação familística, não só por demonstrar preferência pelo apoio formal em detrimento do apoio informal e de considerar tanto o Estado como a família responsáveis no cuidado aos idosos, mas também por se verificar que apresenta baixos níveis de expectativas de responsabilidade filial no que diz respeito ao domínio instrumental, sendo que não abdica do apoio que espera receber por parte dos seus filhos nomeadamente no domínio emocional e informativo, nos quais apresenta elevados níveis de expectativas de responsabilidade filial. De certa forma, estes resultados acabam por ir ao encontro da teoria de complementaridade de apoios, pois pode-se depreender que os inquiridos demonstram preferência para que haja complementaridade entre o apoio familiar e serviços públicos, sendo que os serviços ao partilharem a sobrecarga do cuidado com a família reforçam o comprometimento desta, assim como os destinatários do cuidado também estão mais receptivos a aceitar a ajuda familiar uma vez que se sentem menos um peso para a família, tal como sustentam Lowenstein e Ogg (2003) e Van der Pas (2006). Estes resultados também podem levar-nos à variante da hipótese de complementaridade – a teoria de especialização familiar, na qual as redes formal e informal especializam-se em distintas competências, sendo que as famílias se concentram no apoio emocional e os serviços públicos no apoio instrumental (Van der Pas, 2006). Lowenstein e Ogg (2003), assumem que este modelo se baseia na ideia Parsoniana da diferenciação estrutural da família moderna, pois o apoio sócio-emocional substitui o apoio instrumental no cerne da família pós moderna.

Desta forma, pode dizer-se que os objectivos propostos inicialmente foram alcançados.

Porém, existem algumas limitações no estudo, nomeadamente no que se refere à opção de considerar apenas o filho ‘focal’ na avaliação da solidariedade intergeracional, uma vez que não é possível ter noção da solidariedade existente entre pais e com cada um dos seus filhos adultos. Os critérios utilizados para a “escolha” do filho ‘focal’ também acabam por apresentar fraquezas, pois os pais podem dar e receber apoio de um filho com o qual estejam menos vezes em contacto.

Também a avaliação da solidariedade intergeracional apenas segundo a opinião dos pais acaba por não poder mostrar a verdadeira realidade de troca de inter-ajudas entre pais e filhos adultos. Assim como, as solidariedades afectiva e consensual poderiam ter sido avaliadas por um método qualitativo, a complementar ao método quantitativo, uma vez que são dimensões em que se baseia a relação humana, sendo possível obter resultados mais fiáveis e fidedignos.

Possíveis recomendações a futuros estudos passariam por a avaliação da solidariedade intergeracional não ser realizada somente através da opinião dos pais, como também dos seus filhos, permitindo obter uma fonte de informação mais rica e um confrontamento de respostas (pais-filhos e filhos-pais). Outra sugestão seria a avaliação da relação intergeracional, não avaliando apenas a solidariedade como também outras dimensões das relações intergeracionais, como o conflito e ambivalência, permitindo assim obter um quadro completo da relação familiar.

Com este estudo pretendeu-se verificar a presença de solidariedade entre gerações, assim como as expectativas de responsabilidade filial dos pais com 55 ou mais anos e as opiniões e preferências no que se refere à orientação da responsabilidade da família/ responsabilidade estatal no cuidado aos idosos. Foi possível verificar que os pais consideram que existe uma responsabilidade mista (família e Estado) e que preferem os apoios formais em detrimento dos informais (familiares), sendo que apesar disso continuam a apresentar expectativas elevadas em relação à responsabilidade que os filhos devem ter para com os pais, à excepção do apoio instrumental. Os resultados obtidos devem fazer com que haja uma reflexão sobre os serviços públicos disponíveis à população idosa portuguesa e perceber que cada vez mais se torna imperativo a intervenção do Estado na promoção de novas políticas públicas no cuidado aos idosos e um aumento do número e qualidade das estruturas institucionais de apoio aos idosos. Com este estudo verificou-se o desejo de uma complementaridade de apoios (formais e informais), pois assim os idosos não sentem que sobrecarregam a sua família, ficando mais receptivos em receber ajuda da família. Ao verificar-se uma menor expectativa a nível da dimensão de apoio instrumental e maior a nível das dimensões emocional/informativo, e pelo facto dos pais preferirem que o apoio instrumental provenha de serviços públicos, pode-se dizer que está presente a hipótese de especialização familiar, uma vez que os pais demonstram vontade em que a família e os serviços desempenhem papéis diferentes no cuidar, em que as famílias concentram as suas tarefas no apoio emocional/informativo e os serviços públicos no apoio instrumental.

O mito da família portuguesa familística sofre mutações, nomeadamente a nível das suas preferências pessoais no cuidado na velhice, sendo que estamos perante uma sociedade em que o cuidado familiar domina presentemente. Embora não seja possível extrapolar os resultados obtidos para a realidade nacional, deve-se valorizar os mesmos, pois as preferências pessoais da população inquirida justificam uma inter-ligação dos apoios formais e informais de forma integrada, assim como uma remodelação e expansão dos serviços/apoios formais aos idosos.

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