Jul 26, 2012

Caros Leitores da Revista de Envelhecimento e Inovação, assistimos no passado mês de Dezembro ao início de um marco importante no panorama científico da Gerontologia em Portugal, com a primeira edição desta revista.

Realço este facto por se tratar de um periódico “nascido” no seio da associação Amigos da Grande Idade, que sem sombra de dúvida veio dar um novo impulso, uma nova perspectiva acerca da realidade dos idosos em Portugal, seus direitos e desenvolvimento de melhores condições para um envelhecimento activo. A disponibilização desta revista surge na continuidade desta filosofia, permitindo aos profissionais que cuidam da grande  idade acesso a conhecimento cientifico recente, de produção nacional e Internacional, transversal a vários campos da gerontologia. Digo isto porque é fundamental para o idoso que os profissionais se preocupem com questões relacionadas com o risco clínico, bem como, com os aspectos inerentes a condições crónicas, que impliquem uma atenção integral ou ventilação não-invasiva, sem esquecer aqueles que muitas vezes são esquecidos, os cuidadores da pessoa idosa. Também o tratamento de feridas é alvo de investimento cientifico a partir desta  edição, pois sabemos o impacto que tem a prevalência destas na grande idade. Sabemos que as úlceras de pressão (UP) constituem, pelo seu impacto quer a nível socioeconómico quer na qualidade de vida da pessoa, um grave problema de saúde e que os registos epidemiológicos traduzem a magnitude da problemática, com prevalências acima de 38% (PETERSON et al, 2010). Morison (2004) e Braden (1997), defendem que, ao se prestar cuidados preventivos completos a pessoas tendo em conta o risco pode-se reduzir o aparecimento de UP até 50% a 60%. Já para Gouveia e Miguéns (2009) 95% das UP são passíveis de serem prevenidas. No que respeita a úlceras das extremidades inferiores sabemos que a insuficiência venosa, doença arterial periférica e diabetes mellitus são responsáveis por mais de 90% do total de úlceras de perna (Mekkes e tal 2003), sendo que, representam um problema de saúde a nível mundial afectando sobretudo a população idosa, em especial a população feminina com idade superior a 65 anos. Existem estudos que revelam que 30% dos doentes tem historial de úlcera há mais de 10 anos. O historial desta doença é um ciclo contínuo de cicatrização e recidiva durante décadas. (Moffat e Dorman, 1995).

É neste enquadramento que se torna legitimo mobilizar a evidência científica mais pertinente e colocar este conhecimento ao serviço da prática, pois só assim se conseguem resultados efectivos. Mais do que simplesmente reproduzir práticas rotineiras, pretende-se quebrar alguns dos mitos acerca das feridas crónicas, focando aspectos cruciais, que emergem da investigação e que se mostram decisivos, no que respeita a interromper o processo de estagnação em que a ferida se encontra. É no tomar controlo deste tipo de situação, conseguir controlar os sintomas associados e cicatrizar de facto a ferida, para além de nos limitarmos a tapar e destapar feridas, com o passar das semanas, que reside o ponto de viragem na qualidade de vida do idoso e ai poderemos dizer que também estamos a contribuir para um envelhecimento, com qualidade!

É reconhecendo esta problemática, que começamos por publicar também um artigo relativo ao processo de cicatrização das feridas crónicas, sem esquecer de abordar aspectos básicos acerca do material de penso e de abordar assuntos importantes, como é o da infecção da ferida crónica ou da oxigenoterapia hiperbárica.

São este tipo de conhecimentos científicos, construídos para serem colocados ao serviço dos profissionais, que pretendemos disponibilizar, pois temos uma ambição legitima: Melhorar cada vez mais os cuidados prestados à pessoa idosa.

Neste sentido e graças à grande afluência de trabalhos de elevada qualidade científica, o conselho editorial tomou a decisão de tornar a revista trimestral.

Esperamos que com o passar do tempo a revista passe a ser uma referência científica para quem cuida da pessoa idosa, convidando desde já o leitor a partilhar connosco algum tema científico que assim entenda. Votos de uma agradável leitura.

Os meus cumprimentos!

Vítor Santos, RN, CNS, MsC, Centro Hospitalar do Oeste Norte – Peniche

 

 

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