PRESSURE ULCERS: ELECTING THE TREATMENT PRODUCT

ÚLCERAS POR PRESIÓN: ELECCIÓN DEL PRODUCTO DE TRATAMIENTO

AUTORES: Bruno Cunha

Resumo

Os materiais de penso com acção terapêutica foram amplamente estudados e oferecem numerosas vantagens em relação a material largamente disponível e com longa tradição de uso. Um maior conhecimento do seu modo de actuação permitirá uma melhoria dos cuidados prestados ao utente com úlceras de pressão.

Palavras-Chave: úlceras de pressão, tratamento, penso ideal, material de penso

Abstract

The wound dressings with therapeutic action had been studied and they offer numerous advantages in relation the wide available material and with long tradition of use. A bigger knowledge in its way of acting will allow an improvement of the cares given to the patient with pressure ulcers.

Key words: pressure ulcers, treatment, ideal dressing, wound dressing

Introdução

Uma úlcera de pressão é uma lesão localizada da pele e/ou tecido subjacente, normalmente sobre uma proeminência óssea, em resultado da pressão ou de uma combinação entre esta e forças de deslizamento (EPUAP, 2009). Nas últimas décadas, houve alterações consideráveis nos métodos e produtos associados ao seu tratamento. O abandono do tradicional penso oclusivo foi estimulado pelo reconhecimento da necessidade de um microambiente favorável à cicatrização (Duque, 2009). A revolução nos métodos de tratamento de feridas deu-se em 1962, quando George Winter definiu a terapia de cicatrização em ambiente húmido como a desejável para a obtenção de uma cicatrização rápida e com o menor número de intercorrências (Rocha, 2006; Gouveia, 2008). A evidência dos estudos experimentais que indicam que manter as feridas húmidas acelera a reepitelização levou ao desenvolvimento de uma vasta gama de pensos (EWMA, 2004).

Em 1971 surgiu o primeiro penso desta era, uma película de poliuretano, e a partir daí a tecnologia não pára de nos surpreender (Elias, 2009).

 1. Avaliação do estado da úlcera de pressão

A avaliação da úlcera de pressão, é de extrema importância para os profissionais de saúde, pois permite avaliar o estado inicial da ferida que irá iniciar tratamento, bem como o sucesso ou insucesso do mesmo (Gouveia, 2009).

As respostas ao tratamento que necessita, encontram-se através de uma avaliação cuidadosa relativamente à sua localização, forma, dimensões, profundidade, tipos de tecidos presentes (epitelização, granulação, desvitalizado, necrosado), qualidade e quantidade de exsudado, a situação da região perilesional, dor manifestada pelo doente e o estado microbiano. Porém, as suas necessidades mudam à medida que progride ou se deteriora (Morison, 2004). A classificação das úlceras de pressão tem acompanhado a própria interpretação do seu mecanismo de desenvolvimento. Em 1975, Shea propôs pela primeira vez uma classificação por graus.

Foram realizadas várias modificações, até que em 1989, foi aceite a definição da NPUAP para os graus (Ferreira, 2007). Em 2009, numa colaboração entre a EPUAP e a NPUA, passaram a ser classificadas em categorias (Quadro 1).

 2. Selecção do Penso ideal

Tendo por base o princípio da terapia em ambiente húmido, Turner (1982) enumerou 7 princípios para o penso ideal, aos quais hoje em dia obedecem a maioria, dos pensos disponíveis: proporcionar um meio húmido, remover o excesso de exsudado, permitir as trocas gasosas, manter a temperatura ideal, ser impermeável às bactérias, estar livre de partículas/ contaminantes tóxicos e permitir remoção sem trauma (Figura 1). Fundamentalmente, os que mais se aproximam deste cenário ideal são aqueles que funcionam como penso primário e secundário, simultaneamente (Gouveia, 2008). Na actualidade, podemos juntar mais alguns critérios como, por exemplo, custo-efectividade (Rocha, 2006).

Proporcionar um meio húmido

A humidade promove a migração celular e ajuda ao desmembrar da ferida por meio da autólise (Dealey, 1999). Contrariamente ao que era convencional, manter a ferida húmida não aumenta a taxa de infecção (EWMA, 2004). As células epiteliais movem-se mais depressa e em maiores distâncias em ambiente húmido, ao passo que um ambiente seco pode efectivamente retardar o seu progresso (Morison, 2004). Todo o tipo de material que promova a terapia em ambiente húmido é também um excelente veículo de promoção de desbridamento autolítico que, ocorre de forma natural no nosso organismo (Madeira, 2007).

Remover o excesso de exsudado

O excesso de exsudado bloqueia a proliferação celular e a angiogénese, leva ao aprisionamento dos factores de crescimento e contém quantidades excessivas de metaloproteinases da matriz (MMPs). Estas são capazes de destruir proteínas essenciais da matriz extracelular e a sua actividade excessiva, ou mal distribuída, tem efeitos deletérios na cicatrização (EWMA, 2004).

Quando o exsudado se descontrola, vai saturar a zona perilesional, provocando maceração. Tal pode atrasar a evolução da ferida, bem como aumentar o seu tamanho. Daí a necessidade de manter um equilíbrio entre o exsudado e o penso, que respeite o processo de cicatrização e a pele perilesional (Duque, 2009).

Permitir as trocas gasosas

Os pensos devem ter a capacidade de efectuar trocas gasosas com o exterior, nomeadamente de vapor de água e oxigénio. As necessidades do fornecimento de oxigénio variam consoante a fase de cicatrização (Sub-Grupo Hospitalar Capuchos/Desterro, |SD|). Uma área de baixa tensão de oxigénio na superfície da ferida pode estimular a proliferação dos fibroblastos e a síntese de alguns factores de crescimento, contudo uma hipóxia prolongada, pode levar a um atraso na migração das margens (EWMA, 2004).

Manter a temperatura ideal

Uma temperatura ideal de 37º promove a macrofagositose e a actividade mitótica durante a granulação e epitelização (Duque, 2009). O uso de material que não proporcione isolamento térmico (por exemplo, gaze) provoca redução da temperatura tecidular causando efeitos fisiológicos (vasoconstrição, hipóxia, mobilidade leucócitária diminuída) que, contribuem para a interrupção da cicatrização (Santos, 2008).

Não se deve remover o penso deixando a ferida exposta por longos períodos, bem como limpar a ferida com produtos frios. A hipotermia tecidular conduz à diminuição da mitogénese e da actividade fagocitária, uma vez que pode levar até 40 minutos, para que uma ferida recupere a temperatura inicial, e cerca de 3 horas para que a actividade celular normalize (Morison, 2004; Sub-Grupo Hospitalar Capuchos/Desterro, |SD|).

Impermeável às bactérias

Os pensos devem impedir tanto a penetração de bactérias através da ferida como a libertação das baterias da ferida que conduzem a infecções cruzadas (Dealey, 1999). Um estudo, de Lawrence, demonstrou que os pensos de gaze não oferecem uma barreira a bactérias, dado que estas podem passar até 64 camadas de gaze seca. Quando molhada ainda é menos efectiva (Santos, 2008).

Estar livre de partículas e contaminantes tóxicos

As partículas e contaminantes tóxicos são responsáveis pelo reaparecimento ou prolongamento da resposta inflamatória e lesam a microcirculação. Pelo que, não devemos utilizar, por exemplo, algodão, hipoclorito de sódio ou iodopovidona (Duque, 2009). As soluções de hipoclorito de sódio são tóxicas para os fibroblastos, glóbulos brancos e células endoteliais, dificultam e interrompem a microcirculação (Morison, 2004). A iodopovidona é pouco eficaz na forma de solução (é inactivada na presença de matéria orgânica, mantém-se à superfície enquanto que os agentes causadores da infecção estão nas camadas profundas da ferida), podendo ser utilizada apenas em formulações que permita a sua libertação lenta, para conseguir uma redução da carga microbiana sem destruir os fibroblastos e danificar a microcirculação (Pina, 1999).

Permitir remoção sem trauma

Os cordões capilares muitas vezes penetram no penso e o exsudado seco adere ao mesmo e ao retirá-lo é provocado desbridamento mecânico que, está desaconselhado pela não selectividade e por ser extremamente doloroso (Duque, 2009; Madeira, 2007).

Custo – efectividade

Os pensos devem permitir optimizar a cicatrização do leito das feridas, em tempo útil, com recurso a menos meios quer humanos quer materiais. Não se pode comparar o preço unitário de uma gaze com um penso de terapia avançada, porque este último proporciona ao doente uma cicatrização mais rápida com menos desconforto, dor, odor e deslocações para tratamentos (Santos, 2008).

3. Opções terapêuticas

O material de penso é frequentemente classificado em grupos. Por exemplo: absorventes, desbridantes, hemostáticos, impreganados, promotores de cicatrização e filmes (Rocha, 2006). Contudo, face aos actuais conhecimentos parece prematuro propor uma classificação, dado que, os diferentes materiais podem exibir mais que uma função (Elias, 2009).

Alginatos

Os alginatos derivam das algas castanhas e as suas fibras são sais de cálcio do ácido algínico (Rocha, 2006). Absorvem o exsudado por capilaridade, podendo absorver um volume de líquido entre 10 a 20 vezes o seu peso. Neste processo ocorre a troca de ião sódio do exsudado por ião cálcio do penso, formando-se um gel hidrófilo que, para além de absorver exsudado, mantém a humidade no leito da ferida promovendo assim o desbridamento autolítico do tecido inviável, a granulação e o alívio da dor devido à acção humectante nas terminações nervosas (Elias, 2009). Permitem as trocas gasosas e têm ainda propriedades hemostáticas devido à presença de cálcio (Elias, 2004).

Estão indicados em feridas altamente exsudativas. Não podem ser utilizados em feridas com pouco exsudado pelo facto de aderirem ao leito da ferida (Elias, 2009). Devem ser colocados somente no leito da ferida, de forma evitar a maceração da pele circundante (Rocha, 2006).

Para a fixação requerem a aplicação de um penso secundário. Em feridas planas a opção deverá ser um penso que mantenha o equilíbrio da humidade evitando o deslizar do penso primário, por exemplo, uma espuma ou película transparente. Nas cavitárias, a opção poderá ser uma película transparente, um hidrocolóide ou até mesmo uma espuma (Elias, 2009).

 Carvão Activado

Os apósitos de carvão activado são constituídos por uma membrana não aderente, permeável, que envolve uma camada central impregnada com carvão activado. Este tem capacidade de adsorver moléculas que estão na origem do intenso odor produzido pelo metabolismo de bactérias anaeróbias. São permeáveis, mantêm o leito da ferida húmido e não devem ser cortados sob o perigo de levar à descoloração dos tecidos, o que impedirá uma avaliação correcta da ferida e a avaliação de possíveis reacções de sensibilidade (Elias, 2004 e 2009).

Não devem ser colocados em feridas secas e deve ter-se o cuidado de perceber se há referência a dor local, muitas vezes relacionada com a adesão do penso ao leito da ferida (Elias, 2009). Requerem um penso secundário, sendo que a conjugação com um material que retenha a humidade e a afaste do carvão, vai melhorar o seu desempenho (Rocha, 2006).

 Colagenase

A colagenase é um produto existente na forma de pomada que, contém colagenase clostridiopeptidase A, parafina líquida e vaselina branca. É um agente desbridante enzimático que se liga ao colagénio. Na sua activação é essencial a humidade, preferencialmente o exsudado da própria ferida. Quando aplicada, é absorvida de forma a chegar ao tecido viável no fundo do leito da ferida, quebrando as fibras de colagénio que prendem o tecido necrótico à base da ferida (Elias, 2009).Está indicada no desbridamento de tecidos mortos ricos em fibrina. Como conduz à activação da fase inflamatória, o que leva a um aumento da produção de exsudado, a pele circundante deve ser cuidadosamente vigiada. De forma a potenciar a actividade das enzimas, deve utilizar-se um material que mantenha um ambiente húmido (por exemplo, hidrocolóide), tendo em conta que iodo, prata ou zinco inactivam a colagenase (Rocha, 2006; Elias, 2009).

 Colagénio

O colagénio pode ser aplicado em todos os tipos de feridas crónicas sem tecidos necrosados e em que se observa uma fase inflamatória muito prolongada no tempo (Elias, 2009). Liga-se e inactiva as MMPs que, produzidas em excesso degradam as fibras de colagénio, impedindo desse modo a cicatrização. Para além disso, liga-se e protege os factores de crescimento (Rocha, 2006).

Sendo biodegradável, não é necessário remover os resíduos da aplicação anterior aquando das trocas de penso. Deve ser coberto por um penso secundário de baixa aderência (Elias, 2009).

 Espumas

As espumas são constituídas, geralmente, por três camadas: uma externa, hidrofóbica de poliuretano ou poliéster (confere capacidade de efectuar trocas gasosas, mas não permite a passagem de fluidos e bactérias); uma camada intermédia de poliuretano, poliéster, viscose, celulose, rayon ou poliacrilato (com função de absorver o exsudado) e uma camada que entra em contacto com o leito da ferida, hidrofílica, com silicone, carboximetilcelulose, poliuretano, pectina, gelatina ou propileno (permite remoção sem trauma). Mantêm o leito da ferida húmido criando as condições essenciais para que ocorra o processo de granulação. Têm muitas formas de apresentação sendo os pensos com rebordo adesivo, sem rebordo adesivo e as apresentações cavitárias, as mais generalizadas. Existem alguns autores que dividem as espumas em hidrocelulares e hidropolímeros (Elias, 2004 e 2009).

Apresentam uma capacidade de absorção de exsudado em quantidade moderada ou elevada, tendo como vantagens a sua capacidade de conter o exsudado (não deixam repassar para o leito da ferida o exsudado que foi absorvido, prevenindo a maceração dos tecidos adjacentes) e o facto de não deixarem resíduos (importante na presença de feridas em granulação). Podem ser utilizadas como penso primário ou secundário. Na utilização para preenchimento de cavidades, não devem ficar justas aos bordos, dado que com a absorção há possibilidade de aumento de tamanho e consequente pressão excessiva, o que pode danificar os tecidos neo-formados (Elias, 2009).

 Hidrocolóides

Apresentam-se sob a forma de pensos ou pastas e são constituídos por uma mistura de gelatina, pectina e carboximetilcelulose. As apresentações em pensos têm uma película externa impermeável de poliuretano (confere a capacidade de efectuar trocas gasosas e de não permitir a passagem de fluidos e bactérias) e as pastas têm um suporte base de poliéster, goma ou excipientes gordos. A carboximetilcelulose confere ao penso capacidade moderada de absorção de exsudado e forma um gel que mantém o leito da ferida húmido, desencadeia mecanismos de desbridamento autolítico, intervém na granulação e diminui a sensação de dor local (Elias, 2004 e 2009).

São utilizados em feridas com tecido de granulação ou epitelização que, apresentem moderado ou pouco exsudado e como penso secundário de outros (hidrogel, colagenase). Não se recomenda a utilização em feridas muito exsudativas e em feridas infectadas, em particular por bactérias anaeróbias (Elias, 2009).

A sua remoção pode causar traumatismo na pele circundante friável, existem relatos de hipergranulação quando existe um uso prolongado e o gel que se forma tem uma coloração amarelada e um cheiro desagradável(Elias, 2009).

 Hidrofibras

As hidrofibras são constituídas por carboximetilcelulose sódica com um baixo grau de carboximetilação que as torna pouco solúveis, mas com uma elevada capacidade de absorção. A absorção do exsudado, ocorre verticalmente e sem expansão lateral prevenindo a maceração dos tecidos adjacentes, transformando lentamente o penso em gel que, mantém o leito da ferida húmido. Promovem o desbridamento autolítico e a granulação, diminuem a sensação de dor local, são permeáveis e têm a capacidade de absorver exsudado até um máximo de trinta vezes o seu peso (Elias, 2004 e 2009).

Estão indicadas em feridas muito exsudativas e a sua capacidade de remoção com relativa ausência de dor é uma vantagem. Como forma um gel coeso, torna mais fácil a sua remoção na totalidade e de forma íntegra. Não devem ser utilizadas em feridas com reduzida produção de exsudado e à semelhança dos alginatos requerem um penso secundário para a fixação (Elias, 2009).

 Hidrogeles

Os hidrogeles existem comercializados sob duas formas de apresentação: gel amorfo e apósito (Rocha, 2006). O gel é composto essencialmente à base de água (70 a 96%), contendo ainda propilenoglicol, pectina e carboximetilcelulose ou alginato (Duque, 2009). Promovem a hidratação dos tecidos secos por cedência de água, cuja libertação é regulada pelos restantes constituintes. O elevado teor de água no leito da ferida, estimula a migração e produção de enzimas proteolíticas que ajudam no processo de desbridamento autolítico do tecido necrosado/ desvitalizado. O ambiente húmido também estimula a angiogénese e a granulação dos tecidos, para além de diminuir a sensação de inflamação e de dor local (Elias, 2009).

Deve ter associado um penso que permita as trocas gasosas, seja impermeável às bactérias e evite absorver o gel ou mesmo permitir a sua evaporação. As opções mais adequadas são as películas transparentes e os hidrocolóides. A sua utilização em feridas com exsudado é desnecessária e contraproducente pois pode levar à maceração dos bordos e da pele circundante (Elias, 2009).

 Iodo

O iodo é um elemento não metálico que, pode ser usado em feridas infectadas, desde que incluído em formas galénicas que permitam a sua libertação constante e em níveis terapêuticos. Tem propriedades bactericidas, tendo sido comprovada contra bactérias, fungos, protozoários, vírus e alguns esporos. No entanto, tende a ser inactivado pela matéria orgânica presente no leito da ferida e se a sua concentração na ferida for muito elevada torna-se tóxico para os fibroblastos, atrasando a cicatrização.

Existem dois tipos de pensos que libertam iodo de forma controlada e contínua. Um constituído por uma rede de cadexómero que liberta iodo lentamente após absorver água ou exsudado (existe na forma de pasta e de grânulos) e que está indicado para feridas infectadas com exsudado. Outro constituído por uma compressa de viscose impregnada por polietilenoglicol que, liberta o iodo para o leito da ferida e está indicado para feridas infectadas pouco exsudativas. A grande diferença é que o primeiro penso liberta o iodo de uma forma sustentada ao longo do tempo, enquanto o segundo utiliza o iodo de uma forma muito rápida (Elias, 2004 e 2009).

Necessita de um penso secundário que, não deixe resíduos no leito da ferida. Não deve ser utilizado em caso de sensibilidade ao produto, feridas profundas e distúrbios renais ou da tiróide (Elias, 2009).

Películas transparentes

As películas transparentes, também conhecidas por filmes, são constituídas por uma fina camada de poliuretano. São produtos barreira que permitem as trocas gasosas e impedem o contacto dos fluidos exteriores e bactérias com a pele. Estão indicadas para a protecção da pele macerada, sendo que também podem ser utilizadas como penso secundário de hidrogel, hidrofibras, entre outros. Como são impermeáveis permitem a prestação de cuidados de higiene completos (Elias, 2009).

Poliacrilato

O penso de poliacrilato é constituído por uma camada exterior de fibra sintética e uma camada interna constituída por duas camadas de celulose que envolvem grânulos de poliacrilato saturados com solução de ringer. A camada que entra em contacto com o leito da ferida não permite a adesão aos tecidos e é permeável ao exsudado e à solução de ringer. A camada que não entra em contacto, é hidrófoba e tem como função conservar a humidade e não permitir a passagem de fluidos para o exterior. Os grânulos de poliacrilato hidratam o leito da ferida por cedência de solução de ringer e a celulose tem alguma capacidade de retenção de exsudado (Elias, 2009).

Está indicado no desbridamento (autolítico) de tecidos necrosados secos. Não deve ser cortado e aquando da sua aplicação deve observar-se que fica no interior das margens, uma vez que pode provocar maceração dos seus bordos. Assim, necessita de um penso secundário que o mantenha seguro e previna a sua deslocação (Elias, 2009).

Prata

A prata, em soluções concentradas de ácidos, origina sais iónicos com propriedades antimicrobianas. Tem um largo espectro de acção, sendo activa contra bactérias, fungos e alguns vírus. Os pensos contendo prata estão assim indicados em feridas infectadas. Encontram-se no mercado várias apresentações que combinam diversos produtos com prata iónica, como por exemplo carvão activado, hidrofibras, alginatos ou espumas (Elias, 2004 e 2009).

Na selecção do penso deverá ter-se em conta aspectos específicos da ferida17. Por exemplo, os pensos contendo prata e carvão activado combinam o poder adsorvente do carvão com o poder antimicrobiano da prata. Os pensos de prata com hidrofibras, alginatos ou espumas associam a capacidade de absorção à acção antimicrobiana (Elias, 2009).

Existem também apresentações com prata metálica. Os nanocristalinos são constituídos por camadas alternadas de rayon/poliéster e de polietileno com nanocristais de prata metálica, permitindo a rápida libertação desta (Elias, 2004).

Se ao fim de duas semanas de utilização não se observarem melhorias significativas na evolução da ferida deve suspender-se a aplicação e fazer uma reavaliação do doente. Se a evolução for favorável, também não está indicada uma utilização demasiado prolongada, uma vez que se o número de iões de prata for muito superior ao número de bactérias, poderá afectar fibroblastos e células epiteliais (Pina, 2006).

Conclusão

A abundância de material de penso com acção terapêutica torna muito complexa a selecção deste material e gera muita confusão (Elias, 2009). Contudo, com conhecimentos provenientes de várias áreas do saber, diferenciadas e complementares, será possível suprimir algumas lacunas que verificamos na nossa praxis diária.

Referências Bibliográficas

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(6) ELIAS, C. et al (2009) Penso – Acto de Pensar uma Ferida. Tipografia Lousanense, Lda. ISBN 978-989-20-1595-5.

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(10) DEALEY, C. (1999) O papel dos hidrocolóides no tratamento de feridas. Revista Nursing. ISSN: 0871-6196. N.º 138.

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(12) FORNELLS, M. et al (2008)  Maceração e Exsudado: Desde o leito da ferida ao limite da ferida crónica. Disponivel on-line em www.gaif.net

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(14) SANTOS, C. (2008)  O uso de compressas pode sair caro. Disponivel on-line em www.gaif.net

(15) PINA, E. (1999) Aplicação tópica de antimicrobianos no tratamento de feridas. Revista Nursing. N.º 137.

(16) ELIAS, C. (2004) Material de penso utilizado em feridas crónicas. Revista Nursing. N.º 188.

(17) PINA, E. (2006) Pensos com prata: Indicações para a sua utilização e selecção. Revista Nursing. N.º 210.

 

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