Information Technologies in Management in Nursing – Systematic Review of the Literature

Tecnologías de la Información en la Gestión en Enfermería – Revisión Sistemática de la Literatura

Autores
Magda Narciso1; Renata Inácio2, Sónia Carvalho3
1 e 2Enfermeira, Serviço de Obstétrica/Ginecologia – CHO – Caldas da Rainha, 3Enfermeira, Serviço de Cirurgia – CHO – Caldas da Rainha

Corresponding author: magda_narciso@hotmail.com

Revisão sistemática da literatura apresentada no âmbito da Pós Graduação em Gestão e Administração de Serviços de Saúde para Enfermeiros administrada pela CESPU, nas1ºas Jornadas: “Reformas e Desafios da Gestão em Saúde”, realizadas no Auditório da Casa da Música em Óbidos, no dia 26 de Janeiro de 2013.

Resumo

A utilização das tecnologias da informação informatizadas é um recurso facilitador presente na prática diária da gestão dos cuidados de enfermagem.
Esta revisão sistemática tem como objetivos: sistematizar a evidência científica relativamente às tecnologias da informação na gestão em cuidados de enfermagem; perceber o contributo da tecnologia da informação na gestão em cuidados de enfermagem; compreender os fatores que influenciam positivamente a adesão às tecnologias da informação e perceber os fatores bloqueadores às tecnologias da informação nos cuidados de enfermagem.
Os estudos científicos publicados em bases de dados de referência entre 2006 e 2010 foram selecionados de acordo com os critérios inclusão/exclusão previamente definidos. Foram identificados 9 estudos que permitiram dar resposta aos objetivos propostos. O trabalho científico realizado por outros autores é, no entanto, reduzido havendo a necessidade de aprofundar e investigar sobre o impacto das tecnologias da informação na gestão dos cuidados de enfermagem.
As tecnologias da informação na gestão em cuidados de enfermagem possibilitam a eficiência organizacional, a otimização da utilização dos recursos e a promoção da melhoria dos cuidados de saúde.

Palavras-chave: tecnologia da informação; gestão em saúde; cuidados de enfermagem; informática em enfermagem.

Abstract

The use of computerized information technology is a resource which contributes to the successful management of nursing care on a daily pratice.
This systematic review aims to: systematize the scientific evidence in relation to information technology management in nursing; realize the contribution of information technology management in nursing; understand the factors that positively influence adherence to information technology and understand the factors blocking of information technology in nursing care.
Scientific studies published in reference databases between 2006 and 2010 were selected according to the criteria of inclusion / exclusion previously defined. We identified 9 studies that allowed to respond to the proposed objectives. The scientific work carried out by other authors is reduced and therefore the needs for further investigation on the impact of information technology on management in nursing care.
Information technology management in nursing enable organizational efficiency, optimizing the use of resources and the promotion of improved health care.

Keywords: information technology; health management; nursing care; nursing informatics.

Resumen

El uso de la tecnología de la información computarizada es un recurso facilitador presentar en la práctica diaria en la gestión de los cuidados de enfermería.
Esta revisión sistemática tiene como objetivos: sistematizar la evidencia científica en relación con la gestión de tecnología de información en enfermería; darse cuenta de la contribución de la gestión de tecnología de información en enfermería, comprender los factores que influyen positivamente en la adherencia a la tecnología de la información y comprender los factores de bloqueo de la tecnología de la información en los cuidados de enfermería.
Los estudios científicos publicados en bases de datos de referencia entre 2006 y 2010 fueron seleccionados según los criterios previamente de inclusión / exclusión definido. Se identificaron nueve estudios que permitieron dar respuesta a los objetivos propuestos. La labor científica llevada a cabo por otros autores es sin embargo reducido, requiriendo aún más e investigar el impacto de la tecnología de la información en la gestión de los cuidados de enfermería.
La tecnologías de la información en gestión en cuidados de enfermería permitir la eficacia organizativa y la optimización del uso de los recursos y la promoción de la mejora de la atención de la salud.

Palabras clave: tecnología de la información; gestión en salud; atención de enfermería; informática aplicada a la enfermería.

Introdução

As tecnologias da informação têm adquirido importância no âmbito da saúde, nas suas diferentes dimensões e níveis de ação, produzindo potenciais benefícios para os cidadãos e para os prestadores dos serviços. A sua utilização constitui-se como um elemento essencial para a promoção de formas de relacionamento mais seguras e cuidados de saúde mais acessíveis e eficientes economicamente (Portugal, 2010).
O desenvolvimento das tecnologias da informação em enfermagem tem permitido maximizar a gestão dos serviços, promovendo a melhoria da qualidade e da continuidade dos cuidados, dando visibilidade à tomada de decisão em enfermagem (Ordem dos Enfermeiros, 2007).
Contudo, não nos podemos esquecer que a utilização das tecnologias da informação, tal como qualquer inovação, gera alguma controvérsia, sucedendo que alguns enfermeiros se apresentam renitentes à adesão destas.
Assim, dada a curiosidade e a necessidade de saber mais sobre esta temática, foi crucial estabelecer os seguintes objetivos: sistematizar a evidência científica relativamente às tecnologias da informação na gestão em cuidados de enfermagem; perceber o contributo da tecnologia da informação na gestão em cuidados de enfermagem; compreender os fatores que influenciam a adesão às tecnologias da informação.

Quadro Teórico

Em pleno século XXI somos diariamente inundados com informação que percorre o mundo em frações de segundo. Segundo Amaral (2004), o avanço tecnológico e o desenvolvimento da ciência produziram complexas mudanças na economia, na sociedade e na cultura das organizações. Neste sentido, a enfermagem não passou indiferente a estes progressos. É considerada por isso, uma ciência em constante evolução que tem como objetivo garantir a prestação de cuidados de saúde de qualidade ao ser humano, saudável ou doente, ao longo da sua vida, na comunidade em que está inserido. Para que assim, mantenha, melhore ou recupere a saúde, e que adquira a máxima capacidade funcional tão rápida quanto possível (REPE, 2009).
De acordo com Aleixo (2010), para acompanhar o atual padrão de exigência de enfermagem, as tecnologias da informação da saúde surgem como um avanço desejável e irreversível em que os profissionais desempenham um papel fulcral na gestão de uma organização de saúde, pois possuem competências técnicas, cientificas, comunicacionais e relacionais para serem os principais agentes no processo de saúde e doença do doente, no decorrer do seu ciclo de vida.
Sousa (2001) descreve que as tecnologias da informação surgem como um conjunto de conhecimentos, refletidos quer em equipamentos e programas, quer na sua criação e utilização a nível pessoal e empresarial. Mendes e Lourenço (2007) referem que a utilização das tecnologias da informação constitui uma mais-valia, preconizam a modernização de infraestruturas informáticas da saúde e a adequação dos programas no contexto dos serviços. Salienta ainda Évora (2007), que estas podem contribuir para uma mudança na rotina do trabalho do enfermeiro, facilitando as suas tarefas, trazendo benefícios e novas oportunidades no processo de gestão da informação, em tempo real. Cunha (2008a) defende que as tecnologias da informação são parte integrante do quotidiano dos profissionais de saúde. A constituição de bases de dados de utentes e a sua utilização pelas redes informáticas vêm criar expetativas acrescidas de melhoria das comunicações e da eficiência dos serviços de saúde, nomeadamente pelas potencialidades de partilha de informação e pela continuidade de cuidados que possibilita aos diversos utilizadores. Para Carrasqueiro (2007) as tecnologias da informação associadas a um adequado sistema de informação permitem disponibilizar mais informação, no sentido de introduzir novas formas de prestar cuidados, mais acessíveis, eficazes e centrados nas necessidades dos clientes, e no desenvolvimento de novas práticas de colaboração de trabalho, flexíveis, contínuas, direcionadas às necessidades do dia-a-dia.
Cunha (2008a) acrescenta que o uso dos sistemas de informação, na instituição hospitalar tem sido cada vez mais valorizado na prática dos cuidados de enfermagem, sendo que: facilita a organização do trabalho a nível de registos e administração e a avaliação dos cuidados a doentes, permite uma maior disponibilidade no cuidado direto ao doente; rentabiliza recursos humanos e tecnológicos, com o objetivo de atingir resultados económicos positivos, tornando o sistema de saúde mais eficiente e eficaz na tomada de decisão certa e no momento oportuno.
Os enfermeiros compreendem como as tecnologias da informação podem mudar o seu trabalho diário, e sabem como usufruir dos seus benefícios para criar oportunidades e ocupar o seu espaço no processo de mudança. Surge, assim um novo paradigma, a informática em enfermagem.
American Nurses Association (2001) definiu a informática em enfermagem como uma especialidade que integra as diferentes ciências, a enfermagem, a computação e a informação. Permite padronizar a documentação, melhorar a comunicação, apoiar o processo de tomada de decisão, desenvolver e disseminar novos conhecimentos, aumentar a qualidade, a efetividade e a eficiência dos cuidados em saúde, fornecendo maior poder de escolha aos clientes e fomentar o progresso em enfermagem. A informática em enfermagem, segundo Staggers e Thompson (2002), possibilita igualmente melhorar a saúde dos indivíduos, famílias, comunidades e população, otimizando a gestão e a comunicação da informação. Logo, inclui a utilização da informação e da tecnologia na prestação direta do cuidado, estabelecendo sistemas administrativos efetivos, na organização e no ensino, auxiliando a aprendizagem contínua e apoiando a pesquisa de enfermagem.
Llapa Rodríguez et al. (2008, p.148) ressaltam que:
“(…) a enfermagem deve estar preparada para a utilização e domínio dos diversos e sofisticados tipos de tecnologias computacionais disponíveis e, em nenhum momento devem substituir o contato humano no cuidado de saúde, já que se poderia chegar a superestimação da máquina e ao distanciamento do doente”.
Reforçando esta ideia, Amaral (2004) menciona que os profissionais de saúde mais conservadores poderão dizer que a utilização do computador na enfermagem leva à desumanização dos cuidados e à perda de privacidade dos doentes.
Compete assim, a cada profissional de enfermagem promover o uso das tecnologias da informação informatizadas na gestão diária do seu trabalho, utilizando os recursos existentes e os conhecimentos técnicos da melhor forma, procurando atingir a excelência dos cuidados.
Neste âmbito, e segundo Thofehrn (2006), emerge o conceito da gestão em cuidados de enfermagem, consistindo num conjunto de atitudes do enfermeiro que visam manter a coerência entre o discurso e a ação, junto da equipa de enfermagem e cujo objetivo é o cuidado terapêutico às pessoas em sofrimento físico, psíquico e social que procuram e necessitam de atenção especializada.
Frederico e Leitão (1999, p.34) realçam a importância dos enfermeiros na gestão em saúde referindo que os “avanços tecnológicos e a especialização dos recursos humanos só são possíveis através de uma interação entre os membros que constituem a organização e para tal, é necessário que haja um sistema integrado que permita concentrar informações, possibilitando o planeamento para que se possa tomar decisões”.
No momento atual, as tecnologias da informação assumem-se como uma ferramenta essencial na gestão e monitorização dos cuidados, no entanto, os enfermeiros retiram um proveito mínimo das vantagens das tecnologias, no que diz respeito à valorização dos benefícios e impactos da prestação de cuidados.
Aleixo (2010) destaca a necessidade de existirem mais enfermeiros gestores em lugares estratégicos com influência a nível de decisões públicas de forma a mobilizar fundos e investimentos para uma crescente investigação na profissão.

Metodologia

A revisão sistemática da literatura é um método de pesquisa que permite a procura, a avaliação critica e a síntese das evidências disponíveis do tema investigado, a implementação de intervenções efetivas nos cuidados de saúde e a redução de custos, bem como a identificação de lacunas que direcionam para o desenvolvimento de futuras pesquisas. Vilelas (2009, p.203), refere que “as revisões sistemáticas da literatura, dão-nos uma visibilidade maior dos resultados, ao invés de limitarem as nossas conclusões à leitura somente de alguns artigos.”
De acordo com Pocinho (2008), a revisão sistemática é o tipo de estudo retrospetivo e secundário, que facilita a elaboração de diretrizes clinicas, sendo extremamente útil para os tomadores de decisão na área da saúde.
Na realização do artigo, pretende-se aceder à investigação científica publicada nos últimos anos, tendo como ponto de partida a questão de investigação: Qual o contributo das tecnologias da informação na gestão em cuidados de enfermagem?
A pesquisa bibliográfica foi operacionalizada, tendo por base as palavras-chave: tecnologia da informação; gestão em saúde; cuidados de enfermagem e informática em enfermagem, em três idiomas preferenciais, o português, o inglês e o espanhol.
Optou-se por uma pesquisa exaustiva em diversas bases de dados eletrónicas: SciELO Portugal; SciELO Scientific Electronic Library Online; Google Scholar; Pubmed; B-On – biblioteca online do conhecimento; IC-online serviços de documentação do Instituto Politécnico de Leiria; centro de documentação da Escola Superior de Saúde de Lisboa; SIIB/UC – Millennium via Escola Superior de Enfermagem de Coimbra; RCAAP – repositório científico de acesso aberto de Portugal; e base de dados da Revista de Enfermagem Referência.
Foram assim definidos os seguintes critérios de inclusão e exclusão presentes no quadro abaixo (1).
QUADRO 1 – Critérios de inclusão e exclusão dos artigos pesquisados

Critérios de Inclusão Critérios de Exclusão

– Artigos publicados a partir de 2006.
– Serem em português, inglês ou espanhol.
– Estudos centralizados na temática das tecnologias da informação na gestão em cuidados de enfermagem.
– Estudos com evidência científica, quantitativos ou qualitativos.
– Texto completo.

– Artigos com publicação anterior a 2006.
– Estudos em outras línguas que não o português, inglês, ou espanhol (por incapacidade/desconhecimento dos investigadores para traduzir outras línguas).
– Artigos de revisão bibliográfica.

Foram encontradas 110 publicações, das quais 101 foram excluídas por não apresentarem os critérios pertinentes para o estudo. Deste modo, como descrito no quadro acima, foi necessário estabelecer critérios de inclusão e exclusão, que permitiram selecionar os estudos mais relevantes. É importante mencionar a dificuldade em encontrar publicações representativas do “estado da arte” da problemática dos últimos cinco anos, por isso foi inevitável a utilização de artigos mais antigos, para ir de encontro aos objetivos definidos.

Apresentação dos Resultados/Discussão

Na discussão dos resultados dos artigos, foram identificados diversos fatores que influenciam o desempenho do enfermeiro na gestão de cuidados relacionado com o uso da tecnologia da informação. Deste modo, subdividimos a análise em três itens:
– Contributo da tecnologia da informação na gestão em cuidados de enfermagem;
– Fatores que influenciam positivamente a adesão às tecnologias da informação;
– Fatores bloqueadores à tecnologia da informação nos cuidados de enfermagem.

Contributo da tecnologia da informação na gestão em cuidados de enfermagem

A opinião dos enfermeiros, em termos gerais, enquanto utilizadores das tecnologias da informação a nível hospitalar, é bastante satisfatória.
Kuchler, Alvarez e Haertel (2006); Fonseca e Santos (2007); Ammenwerth et al. (2010) referem que o uso de tecnologias da informação possibilita que os dados se obtenham fácil e rapidamente, proporcionando uma maior orientação para estabelecer cientificamente diagnósticos.
Vários autores (Pinto, 2009; Peterlini e Zagonel, 2006; Lameirão, 2007; Cunha, Ferreira e Rodrigues, 2010; Ammenwerth et al., 2010) relatam que com as tecnologias da informação, a acessibilidade e atualização contínua dos registos e processo do doente estão mais facilitados, evita-se a duplicação da informação, de papel e custos inerentes e possibilita uma melhor e mais prática visualização do plano de cuidados e do próprio doente, promovendo a continuidade dos cuidados e consequentes alterações institucionais.
Cunha (2008b) partilha da mesma opinião dos autores supracitados e reforça que as tecnologias da informação contribuem para a planificação e intervenção em saúde e simplificam a tomada de decisão a gestores e profissionais de saúde. Este resultado vai de encontro à reflexão de Frederico e Leitão (1999) que defendem a importância da planificação através do uso da tecnologia para a tomada de decisão.
Tendo por base a sua investigação, Peterlini e Zagonel (2006) destacam no seu artigo, que as tecnologias da informação facilitam o registo diário das atividades realizadas, a sua consulta e a transmissão de dados intra e inter instituições e profissionais de saúde, impedem o extravio de informações e preservam a confidencialidade dos mesmos, originando mais-valias em saúde para os doentes e sociedade. Cunha (2008a) considera igualmente a tecnologia como um meio facilitador nas diversas atividades do enfermeiro.
As tecnologias da informação influenciam também a qualidade dos cuidados prestados, ao nível da execução das fases do processo de enfermagem, da prática tendo por base a evidência, da inclusão, continuidade e visibilidade dos cuidados de enfermagem (Cunha, Ferreira e Rodrigues, 2010). Ammenwerth et al.(2010) no seu estudo destacam ainda a uniformização da linguagem e de documentos como uma vantagem da implementação da tecnologia da informação.
Os autores Kuchler, Alvarez e Haertel (2006) alegam que a implementação de tecnologias promove a eficiência, resultando em menos tempo despendido para registos e por conseguinte, mais tempo disponível para cuidar.
De acordo com Peterlini e Zagonel (2006), o enfermeiro considera as tecnologias da informação fundamentais para o exercício profissional, uma vez que possibilitam estabelecer objetivos dentro da própria equipa de trabalho em que todos possuem conhecimento relativamente às mesmas, distinguir as ações de cada elemento, compartilhar pensamentos e perceções e gerar inter e intrarelações nas equipas, originando mais e melhores resultados, mais qualidade prática e humana, maior flexibilização e desburocratização dos procedimentos gestionários e consequentemente utentes mais satisfeitos.
Ainda segundo os mesmos autores supracitados, as informações adquiridas através das tecnologias são úteis quer para o enfermeiro gestor do serviço, quer para o enfermeiro na prestação de cuidados, sendo que o primeiro consegue ter uma representação acerca das ações planeadas, previstas e concretizadas, simplificando as atividades de acompanhamento e avaliação.
Em resultado da utilização das tecnologias da informação, os profissionais podem realizar melhor as suas funções, acolher os doentes de modo mais efetivo e produzir diferentes métodos de cumprir o trabalho (Perez e Zwicker, 2010). Já Cunha, Ferreira e Rodrigues (2010) referem que as tecnologias da informação evidenciam os cuidados de enfermagem e realçam a necessidade de estas tecnologias estarem ajustadas ao contexto característico da instituição e serviço.
Lameirão (2007) e Peterlini e Zagonel (2006) destacam que as tecnologias da informação influenciam claramente a motivação dos enfermeiros, a valorização da atividade profissional e as vantagens em saúde para os doentes.

Fatores que influenciam positivamente a adesão às tecnologias da informação

Cunha (2008b) e Pinto (2009) referem que a grande maioria dos participantes nos seus respetivos estudos indica que o facto de utilizarem frequentemente o computador fora do contexto hospitalar é benéfico para uma melhor adesão e adaptação das tecnologias da informação. Peterlini e Zagonel (2006) são da mesma opinião e acrescentam ainda que a formação em sala e a realização da mesma em horário laboral é tida como um agente marcante para auxiliar a adesão aos sistemas de informação e que contribui favoravelmente para o desempenho no uso deste instrumento de trabalho.
Outro estudo analisado destaca que nos profissionais de saúde a partir do momento em que começam a compreender as características e funcionamento dos sistemas, estes passam a ser usados seguindo uma rotina (Perez e Zwicker, 2010).
Cunha, Ferreira e Rodrigues (2010), concluíram no seu estudo que os fatores que intervêm na adesão às tecnologias da informação são os seguintes: o tempo de experiência, a formação de base e pós-graduada, a relação entre a compreensão dos procedimentos de mudança vividos nas instituições e a categoria profissional.
Em sinopse, estes autores destacam a importância da formação e da implicação ativa dos profissionais aquando a implementação de tecnologias da informação.

Fatores bloqueadores às tecnologias da informação nos cuidados de enfermagem

Na maioria dos estudos em questão, os enfermeiros mencionam que a falta de experiência no uso do computador afeta a sua adaptação à tecnologia. Refere ainda Pinto (2009), que numa fase inicial de implementação de um sistema, ocorre renitência pela incerteza, medo do desconhecido, insegurança e medo de falhar. Peterlini e Zagonel (2006) descrevem que os enfermeiros que raramente utilizaram ou nunca utilizaram um computador, especialmente na faixa etária de 51-60 anos sentem uma maior insatisfação com a utilização dos sistemas de informação.
Outro estudo, mostrou que os enfermeiros sentiram stress pela dificuldade no trabalho informatizado, principalmente na fase de introdução da informatização, descrevem-no como “complicado”, “difícil”, “treinamento insuficiente”, “falta de destreza”, “falta de estrutura” e o “afastar a enfermagem da enfermaria”. Preferindo deste modo a forma manuscrita, realçando que a tecnologia provoca uma falta de controlo sobre o trabalho (Fonseca e Santos, 2007).
Os enfermeiros, no estudo de Perez e Zwicker (2010), salientam que a inovação pode estar desalinhada com os processos de trabalho e objetivos dos seus utilizadores, optando pelos métodos antigos de trabalho, dificultando assim a adoção de novos procedimentos e métodos incorporados na inovação. Assim, da mesma opinião Amaral (2004), indica que os profissionais poderão considerar que a utilização do computador pode levar à desumanização dos cuidados.
Em relação à formação sobre os sistemas realizada durante o período laboral, Fonseca e Santos (2007) referem que alguns profissionais estavam, pela organização do serviço, impossibilitados de participarem. Os enfermeiros também relatam a formação como sendo rápida e insuficiente e alegam que aprenderam sozinhas ou com a ajuda do manual.
Noutro estudo, é evidenciado como aspeto negativo o período longo de tempo entre a formação e a aplicação prática do sistema de informação e a existência numa fase inicial de poucos terminais, bem como a falta de espaço para colocar os mesmos (Lameirão, 2007).
Segundo Cunha (2008b) e Ammenwerth et al. (2010), os enfermeiros referem a hipótese de mudar de sistemas de informação e a necessidade de recomeçar novamente, como um fator bloqueador.
É igualmente importante e demonstrado como limitação por Cunha (2008b), o “facto de o sistema informático ser falível e, portanto, pode acontecer que alguma informação fique indisponível para consulta durante um período de tempo ou mesmo perder-se definitivamente”, afetando a disponibilidade dos dados e, consequentemente, a continuidade e segurança dos cuidados.
Lameirão (2007) refere ainda outros inconvenientes, nomeadamente, as complexidades práticas, as atualizações dos sistemas realizadas em horários pouco conciliáveis e a ausência de outra opção como fonte de informação aquando avarias e falhas energéticas.
Fonseca e Santos (2007) acrescentam ainda que os enfermeiros relatam o tempo despendido ao rever o trabalho de outros profissionais, como por exemplo, a prescrição médica com mais erros.

Conclusão

A enfermagem é uma arte complexa, subtil e enraizada num profissionalismo que não se manifesta apenas através dos atos praticados, mas também através da capacidade de ir ao encontro dos outros e de caminhar com eles para conseguirem uma saúde melhor (Hesbeen, 2001).
A missão da enfermagem relacionada com o estado atual da sociedade exige mudanças na saúde. Pinto (2009) acredita que um dos principais desafios da modernização do sistema de saúde passa pela aposta intensiva nas tecnologias da informação enquanto investimento estratégico, capaz de racionalizar a utilização dos recursos disponíveis e de incrementar a eficiência e a qualidade.
O contributo da tecnologia na gestão em cuidados de enfermagem tem vindo a assumir um papel relevante e interligado com a eficiência, eficácia e segurança dos cuidados. Facilita assim, a organização do serviço, permite o acesso mais rápido da informação do utente, simplificando a comunicação entre os profissionais de saúde e interligação com outras instituições.
Neste contexto, tornou-se evidente a importância do envolvimento dos líderes no processo de mudança, nomeadamente no empenho, na motivação e na consciencialização dos seus funcionários.
O enfermeiro depreende assim, a utilidade da tecnologia da informação na sua prática de cuidados, valorizando os benefícios evidentes, com disponibilidade para novas oportunidades e para acompanhar a mudança na instituição ou na sociedade. Porém, verificou-se ainda em alguns estudos, alguma renitência por parte dos enfermeiros na utilização do computador. Por outro lado, Aleixo (2010) salienta que atualmente os sistemas de informação informatizados disponíveis na maioria dos locais restringem-se ainda à classificação de doentes, sistema de assiduidade, escalas de serviço de enfermeiros e gestão de recursos.
Conclui-se que a formação acerca da tecnologia da informação na licenciatura de enfermagem e atualizações no serviço sobre os sistemas de informação revelam-se uma medida facilitadora da aceitação da implementação destes. De tal modo que, os enfermeiros dispondo desse conhecimento tão indispensável contribuem para um aumento da produtividade no serviço.
Esta revisão da literatura contribui para a compilação do conhecimento publicado acerca das tecnologias da informação. Devido à escassez de estudos nesta área em Portugal, sentiu-se a necessidade de alargar a outras realidades, nomeadamente Brasil e Áustria. No entanto, estamos cientes que o resultado desta revisão não esgota a pesquisa sobre a produção científica nesta temática, atendendo aos critérios de inclusão estabelecidos. Apesar de existir uma necessidade crescente de investigação nesta área.
A enfermagem atualmente enriquecida com o uso da tecnologia de informação, estimulou uma mudança na atitude dos prestadores, melhorando a monitorização dos cuidados e uma melhor gestão na tomada da decisão.

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