Comportamiento sedentario y la fuerza muscular en ancianos residentes en instituciones para personas de edad.

Sedentary Behavior and Muscle Strength in Elderly Residents of Institutions for the Aged.

1Josivaldo de Souza Lima

2Sandra Marcela Mahecha Matsudo e

1Timóteo Leandro Araújo

 

  1. Professor de Educação Física
  2. Médica do Esporte

 

 

1 e 2Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul – CELAFISCS

Endereço: Rua Heloisa Pamplona 269, Bairro Fundação – São Caetano do Sul

Tel: 11.4229-8980

Email: josivaldoesporte@gmail.com

Email: Sandra@celafiscs.org.br

Email: timoteo@celafiscs.org.br

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumo

 

As instituições de longa permanência para idosos possuem características de receber o idoso e cuida, conservando seu estado de saúde. Porém sabe-se que além desses, o idoso necessita de cuidados mais amplos de saúde, que deve abranger principalmente a prevenção de doenças e a promoção de saúde por intermédio de práticas de atividade física. O objetivo desta pesquisa foi associar o número de passos e tempo em comportamentos considerados sedentários na maioria dos nos dias de semana e finais de semana com a aptidão física e funcional de moradores de longa permanência para idosos (ILPI’s).A metodologia desse estudo transversal utilizou dados do projeto talentos da maturidade Santander Senior Fit de atividade físicas coordenado pelo CELAFISCS. Este estudo utilizou dados iniciais do projeto de intervenção em atividade física de 159 adultos fisicamente inativos. A amostra é composta por dois terço eram mulheres com idade de 75(11,39). Na avaliação do número de passos utilizamos o pedômetro digital Walk por 7 dias incluindo finais de semana. Na avaliação do comportamento sedentário foi utilizado duas questões do IPAQ versão curta, validado no Brasil. Na avaliação da aptidão física e funcional foi utilizado a tradicional bateria de testes do CELAFISCS tais como: Dinamometria, flexão de braço, sentar e levantar da cadeira em 30 segundos e em 1 minuto, sentar e alcançar, Timed Up and Go, equilíbrio dinâmico e estático e velocidade normal e máxima de andar. Os resultados apontam diferenças significantes entre os grupos de número de passos somente nas variáveis flexão de braço (p=0.0047), TUG (p= 0.0022), velocidade de andar (p=0.0127). Concluímos que adultos moradores de instituição de longa permanência para idosos que passam a maior parte do dia em comportamentos considerados sedentário apresentaram piores resultados na força muscular, sendo a força um importante componente responsável pela aptidão física e saúde física e funcional. Portanto dentro de instituições com esse público é importante adotar medidas de incentivo no sentido de evitar tais comportamentos.

 

 

 

 

Abstract

Institutions for the aged have characteristics of receiving and elderly care, preserving his health. But it is known that in addition, elderly patients need more extensive care, which mainly cover disease prevention and health promotion through physical activity practices. The objective of this research was to associate the number of steps and time behaviors considered sedentary in most weekdays and weekends with the physical and functional fitness of residents for the aged The methodology of this cross-sectional study used data talents project maturity Santander Senior Fit physical activity coordinated by CELAFISCS. This study used data from the early intervention project in physical activity of 159 physically inactive adults. The sample comprised two thirds were women aged 75 (11,39). In assessing the number of steps used digital pedometer Walk for 7 days including weekends. Evaluation of sedentary behavior in two issues of the IPAQ short version, validated in Brazil was used. In assessing the functional and physical fitness was used the traditional battery of tests such as the CELAFISCS: Dynamometry, arm flexion, sitting and rising from a chair in 30 seconds and 1 minute, sit and reach, Timed Up and Go, and dynamic balance static and normal and maximum walking speed. The results indicate significant differences between groups in the number of steps only variable arm flexion (p = 0.0047), TUG (p = 0.0022), walking speed (p = 0.0127). We conclude that adults living in long-stay institutions for the elderly who spend most of the day in sedentary behaviors considered fared worse in muscle strength, the force being an important component responsible for physical fitness and physical health and functioning. So within this public institutions is important to adopt incentive measures to avoid such behaviors.

Introdução

Durante o processo de envelhecimento é comum com o avançar da idade cronológica o ser humano se torna menos ativo fisicamente Gobbi Sebastião et al. (2013) e Matsudo Sandra et al (2002). A diminuição das atividades da vida diária comumente acontece em todos os indivíduos, independente do sexo, classe econômica, cor, etnia. Matsudo Sandra et al (2002). O impacto da diminuição de atividades físicas acomete o indivíduo como um todo e em diferentes variáveis, entre elas a aptidão física. Petroski Elio (2012). Esse processo acontece em pessoas que ainda convivem com seus familiares e com amigos na vizinhança de forma independente e com maior impacto em pessoas institucionalizadas. Oliveira Paulo e Inês Echenique (2012). O efeito da diminuição das atividades físicas “sedentarismo” pode ser ainda mais devastador neste grupo, sendo as principais causas de novas doenças, aumento no número de quedas e complicações por doenças crônicas já existentes. Santana Pereira e Ialuska Guerra (2010), Costa Jimena, Wagner Ricardo e Oliveira Lisangela (2012) e Benedetti Tânia (2010).  A manutenção das atividades da vida diária pode implicar na preservação da força muscular que em pessoas na condição de moradora de instituições de longa permanência para idosos as ILPI’s podem interferir positivamente nas capacidades físicas e funcionais que esse idoso necessita para continuar a ser independente funcional. Ribeiro Luciana, Neri Anita, (2012).

A participação em atividades físicas, podem ser capaz de manter ou em muitos casos minimizar os efeitos deletérios do envelhecimento como: a redução da musculatura por perda e fibras musculares e consequentemente perda da força muscular conhecida como sarcopenia e dinapenia. Zago, Anderson et al (2012), Mariano Eder et al (2013) e Oliveira Ana (2014).

Entretanto a características de funcionamento de instituições de longa permanência para idosos (ILPI’s) não levam consideração a prevenção de doença por intermédio da promoção de saúde pela manutenção de atividades físicas e sim de forma farmacológica.

Já é bem sabido na literatura que o sedentarismo é considerado a 2° causa de mortes por todas as causa.  Cem por cento dessas doenças poderiam ser evitadas se existisse programas específicos de combate ao sedentarismo, levando em consideração as características comuns de cada grupo, como é o caso das ILPI’s que poderiam criar estratégias simples de mudança de comportamento. Lee I-M, et al (2012). Sabe-se que historicamente as casas repouso para idosos conhecidas como asilos possuem características de fazer com que esse idoso repouse, entretanto esse suposto repouso não pode ser entendido como privação de movimento muito menos da realização de atividades da vida diária. Gestores de ILPI’s muitas vezes sem intenção, com um pensamento de super proteção, criam regras que obrigam os moradores a ficar a maior parte do dia em comportamentos sedentário como por exemplo alocar televisão em quartos, refeitórios e salas de estar com o objetivo de entreter o idoso. Porém o que esses gestores muitas vezes não percebem é que estão condenando essa pessoa ao sedentarismo.

Para compreender a situação física e funcional atual das pessoas que vivem em ILPI’s é necessária a realização de testes e medidas específicas para pessoas nessa idade. Assim o objetivo no nosso trabalho foi associar uma medidas de nível de atividade física utilizando um contador de passos (pedômetro) com as questões 4a e 4b do International Physical Activity Questionnaire IPAq, sobre comportamento sedentário e variáveis de aptidão física e funcional de idosos moradores de ILPI’s.

 

Método

Amostra

Este trabalho trata-se de um estudo transversal com amostra por conveniência. A amostra deste estudo transversal foi composta por 159 adultos, sendo 60 homens com média de idade de 71,3±12,4 e 99 mulheres com média de idade de 75,8±12,3 fisicamente inativos. A seleção da amostra foi por conveniência, todos os idosos fazem parte do programa de intervenção em atividades físicas Senior Fit® programa tal criado pelo Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS) A amostra selecionada provém de 6 ILPI’s filantrópicos da cidade de São Paulo no município de São Caetano do Sul. Foram incluídos na amostra todos os idosos que realizaram a avaliação física e funcional e utilizaram o pedômetro (medidor de passos) Foram excluídos na amostra os idosos que perderam o pedômetros ou utilizaram por menos de 3 dias. Todos os participantes assinaram um termo de consentimento livre e esclarecido e os que não conseguiam ler nem escrever a instituição assinou o termo como corresponsável. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, sob n° 310.381. Na avaliação do número de passos foi utilizado o pedômetro Digital Walk 700. O avaliado foi orientado a utilizar o pedômetro durante 7 dias. Na avaliação do comportamento sedentário foram utilizadas duas questões do IPAQ versão curta que permite estimar o tempo despendido em atividades mais passivas (realizadas na posição sentada).

 

Procedimentos

A avaliação da aptidão física e funcional foi realizada utilizando a bateria de testes do CELAFISCS. Matsudo Sandra (2010). Tais como:

Dinamometria de preensão manual tem como objetivo medir a força de membros superiores de ambas as mãos, foi utilizado neste estudo a melhor medida de força da mão dominante.

Flexão de cotovelo e tem como objetivo medir a força e fadiga muscular de membros superiores da mão dominante, neste teste é utilizado o maior número de repetições de extensão e flexão do cotovelo em 30 segundos.

Sentar e levantar da cadeira em 30 segundos tem como objetivo medir a força e fadiga muscular de membros inferiores, neste teste é utilizado o maior número de repetições de levantar e sentar em 30 segundos de uma cadeira que geralmente medi trinta centímetros de altura.

Levantar da cadeira uma vez tem como objetivo medir a mobilidade geral realizado no menor tempo possível utiliza-se o tempo médio de três tentativas.

Equilíbrio unipodal tem como objetivo medir o equilíbrio estático realizado em 30 segundos na posição em pé e flexionando uma das pernas na posição de 45° graus. Utiliza-se o tempo médio de três tentativas sendo 30 segundos o máximo.

Flexibilidade tem como objetivo medir a flexibilidade de tronco, realizado em posição sentada com as pernas estendidas tenta-se alcançar a maior distância no banco de Wells.

Análise estatística

As variáveis de interesse do estudo foram descritas por meio da frequência absoluta e percentual, média e desvio padrão. A distribuição dos dados foi avaliada pelo teste de Kolmogorov Smirnov. As variáveis de aptidão física e capacidade funcional foram comparadas entre os estratos de adiposidade através do Wilcoxon. A regressão linear foi realizada para avaliar a associação entre a variável independente (número de passos) e dependentes (aptidão física e capacidade funcional). Na regressão linear múltipla as associações foram avaliadas independente da idade, sexo e escolaridade dos indivíduos. Para todas as análises foi utilizado o programa Stata 12.1 (StataCorpo LP, College Station, TX, USA) e considerado um nível de significância de 5%.

Resultados

Mais de dois terços dos idosos asilados eram do sexo feminino e metade tinha excesso de peso. A média de idade era de 75 anos (11,39) e tinham aproximadamente 4 anos de escolaridade (dp 3,46). Em relação às variáveis de aptidão física, a média de força de preensão (kg), flexibilidade (cm), e flexão de braço (rep) foi de 19 (dp 7,53), 16 (dp 8,26) e 13 (dp 6,26), respectivamente. Nos testes de capacidade funcional, a média foi de 20seg no TUG, 4seg no equilíbrio unipodal, 7,8seg na velocidade de andar, 1,5seg para levantar da cadeira e 9 repetições no teste de sentar e levantar da cadeira em 30 segundos. Foram encontradas diferenças significantes entre os grupos de número de passos somente nas variáveis flexão de braço (p=0.0047), TUG (p= 0.0022), velocidade de andar (p=0.0127). (Tabela 1).

Na tabela 2 estão apresentadas as associações do número de passos com as variáveis de aptidão física e capacidade funcional. Na análise bivariada, o número de passos esteve associado com força muscular de braço (β 4,28; IC 95% 0,97 – 7,58), além de melhor desempenho nos testes TUG (β -6,87; IC 95% -12,00 – -1,75) e velocidade de andar (β -2,47; IC 95% -4,78 – -0,17). No modelo múltiplo, o número de passos manteve-se associado somente com o desempenho no teste de velocidade de andar (β -3,19; IC 95% -5,87 – -0,50), independente do sexo, idade e nível socioeconômico dos idosos.

Tabela 1: Características sociodemográficas, aptidão física e capacidade funcional de idosos residentes em asilos, segundo número de passos. São Caetano do Sul, 2014
Passos <2765 Passos >2765
Variável N Media (dp)   N Media (dp)
Idade 28 75,57 (10,95) 28 73,96 (11,78)
Sexo
Masculino 11 50 11 50
Feminino 17 50 17 50
Peso (kg) 28 63,41 (12,95) 28 63,11 (11,37)
Altura (cm) 28 152,25 (8,87) 28 150,36 (28,17)
IMC:
Eutrófico 13 52 12 48
Excesso de peso/ obeso 12 48 16 52
Escolaridade (anos) 21 2,81 (3,60) 26 4,85 (4,94)
Número de Medicamentos 28 3,07 (3,28) 28 2,75 (2,94)
Aptidão Física:
Preensão Manual (kg) 28 17,37 (7,28) 28 20,59 (7,57)
Flexibilidade 28 15,30 (6,77) 28 17,14 (9,55)
Flexão de Braço (rep) 25 10,72 (6,13) 27 15 (5,74)
Capacidade Funcional:
Up and Go test (seg) 28 23,10 (10,53) 28 16,22 (8,49)
Equilíbrio (seg) 28 2,97 (5,66) 28 5,09 (7,05)
Velocidade de Andar (seg) 28 9,06 (4,90) 28 6,59 (3,62)
Velocidade Máxima de Andar (seg) 28 6,88 (4,86) 28 5,13 (2,49)
 Levantar da Cadeira 1 vez (média) 26 5,49 (14,9) 28 1,64 (1,35)
Levantar da Cadeira 1vez (melhor) 26 1,81 (1,47) 28 1,28 (1,01)
Levantar da Cadeira 30 seg (rep) 25 8,88 (5,13) 27 10,04 (3,19)

 

Tabela 2: Análise de regressão linear bruta e ajustada da associação entre número de passos e aptidão física e capacidade funcional de idosos residentes em asilos. São Caetano do Sul, 2013
Bruto

 

    Ajustado*

 

   
Número de Passos Passos <2765 Passos >2765 p Passos <2765 Passos >2765 p
      β (IC 95%)   β (IC 95%)
Aptidão Física:      
Preensão Manual 1 3,21 (-0,76 – 7,19) 0,111 1 2,17 (-1,96 – 6,30) 0,296
Flexibilidade 1 1,84 (-2,59 – 6,28) 0,408 1 0,72 (-4,81 – 6,26) 0,793
Flexão de Braço 1 4,28 (0,97 – 7,58) 0,012 1 3,40 (-0,32 – 7,12) 0,072
Capacidade Functional:
Up and Go test (seg) 1 -6,87 (-12,00 – -1,75) 0,010 1 -6,05 (-12,27 – 0,17) 0,056
Equilíbrio (seg) 1 2,12 (-1,31 – 5,55) 0,220 1 -0,80 (-3,90 – 3,73) 0,966
Velocidade de Andar (seg) 1 -2,47 (-4,78 – -0,17) 0,036 1 -3,19 (-5,87 – -0,50) 0,021
Velocidade Máxima de Andar (seg) 1 -1,75 (-3,82 – 0,32) 0,096 1 -2,18 (-4,68 – 0,31) 0,085
Levantar Cad.1 vez (média) 1 -3,85 (-9,53 – 1,83) 0,180 1 -1,01 (-2,09 – 0,07) 0,067
Levantar Cad. 1vez (melhor) 1 -0,53 (-1,21 – 0,16) 0,129 1 -0,50 (-1,24 – 0,24) 0,182
Levantar da Cadeira 30 seg (rep) 1 1,16 (-1,20 – 3,52) 0,330 1 0,20 (-2,72 – 3,12) 0,892

Discussão

Em relação às instituições de longa permanência ILPI’s a cidades de São Caetano do Sul possui 15 sendo apenas 6 com característica de instituição filantrópicas, essas seis instituições filantrópicas foram escolhidas para fazer parte do projeto Senior Fit que ofereceu desde de 2012 a 2014 atividades físicas de 2 à 3 vezes na semana com duração de 40 a 60 minutos. A pesquisa foi realizada no início do projeto onde o grupo ainda não realizava atividades físicas sistematizadas. Na pesquisa os achados mostram que a capacidade física e funcional deste grupo é muito menor que outros grupos de idosos que não moram em ILPI’s e não fazem exercícios e são independentes. de Oliveira Eliane et al (2013) e Penha José Carlos (2012). A possível explicação para tal achado pode ser pelo simples fato simples de, mesmo tendo condições para realizar caminhadas e auxiliar nas atividades da casa, de certa forma os idosos são impedidos ou não são incentivados a fazê-las. Ao contrário de pessoas da mesma idade que moram sozinhas, elas precisam realizar atividades básicas como cuidar da casa, no asseio, na ida ao mercado, essas simples atividades diárias já são capazes de manter a capacidade funcional. Borges Grasiely, Benedetti Tânia, Farias Sidney (2011). Estudos realizados em São Caetano do Sul com idosos independentes que realizavam caminhadas diárias na locomoção até os centros da terceira idade onde realizavam atividades físicas, foram mais eficiente no gasto calórico que a própria aula aeróbica, mostrando que a caminhada por si só já pode ser indicada como um componente de preservação do peso corporal. Cruciani Fernanda et al (2012).  Sabe se que no processo de envelhecimento a massa muscular diminui e a massa de gordura aumenta fazendo com que o idoso diminua as atividades cotidianas devido a perda da função muscular de contração eficiente. Silva Junior e Ferrari Gerson (2011).

A força muscular do grupo que realizou mais horas em comportamento sedentário apresentou piores resultados nos testes, em contra posição o grupo que tinha maiores valores de passos na semana apresentaram melhores resultados de força muscular de membros superiores, isso não significa que possuíam valores de força adequados para a idade. O comportamento sedentário tem sido estudado por muito pesquisadores que tem mostrado efeitos negativos surpreendentes independentes do nível de atividade física.

Pesquisa realizadas no Norte do Brasil sobre os aspectos construídos em ILPI’s apontou semelhanças em seis instituições pesquisadas, apenas uma possuía espaço físico construído para práticas de atividades físicas. Apesar disto nenhuma delas tinha planejamento para atividades, nem mesmo profissional capacitado para realizar tal atividade. Pereira Besse, (2011).

Pode ser uma possível explicação para esse achado de mulheres que caminham mais, dentro dessas instituições geralmente são as responsáveis pela organização da instituição, como voluntárias que participam da limpeza do ambiente, lavam, passam roupas, costuram, ajudam na cozinha lavando e secando as louças e arrumam as suas camas e das demais de seu quarto. Com essas atividades diárias pode ocorre a manutenção da força de membros superiores como foi demonstrado na tabela 2 a força de membros superiores com total de passos na semana. Já a, menor força de membros inferiores relacionadas ao tempo gasto em atividades sedentárias, podemos citar que, boa parte desse tempo é gasto assistindo televisão, sentado ou deitado, já que essas instituições não possuem espaços para outras tarefas.

A literatura já tem apresentado que durante o processo de envelhecimento a força de membros inferiores sofre mais perdas, aproximadamente 53,1% e nos membros superiores 26,7%. Andrade Erinaldo (2012). Essa perda durante o processo pode ser minimizada ser o indivíduo que envelhece se preocupa em adotar estilos de vida ativo, e tiver um envelhecimento com hábitos saudáveis. World Health Organization (2011). Um estilo de vida ativo pode ser pequenas mudanças na rotina ou criação de estratégias para se atingir o nível de atividade física recomendado pela OMS.

A mudança negativa da força muscular já demonstrou em estudos anteriores que aumentar o tempo de internação independente da causa de internação, e aqueles pacientes que caminhavam durante a internação, foram mais propícios a receber alta mais em menos dias de internados quando comparados com os que não faziam nada. Shadmi E e  Zisberg, A (2011).

A força de membros inferiores é também uma das responsáveis pelo aumento de quedas em idosos, principalmente em idosos inativos. Aikawa Adriana (2012), Dias Roberta (2010) e Álvares Liege (2010).

Idosos que não tem força muscular suficiente para realizar caminhadas, estão sujeitos a desenvolver outras alterações como por exemplos às psicológicas, devido a privação em ambientes externos e exclusão social. Minghelli Beatriz (2010). Idosos que tinham uma vida mais ativa, mais social e passam a experimentar a solidão principalmente por entes queridos, tem mais chance de desenvolver a depressão, sendo esta a quinta maior causa de mortes em idosos. de Melo Neu (2010) e Sousa-Muñoz et al (2013).

Quando se vive livre na comunidade ou de forma independente na sociedade, essas mudanças de comportamento podem ser mais fáceis de ser cumpridas, porém quando se vive em instituições de acesso restrito é necessário seguir regras específicas seguindo a cultura da instituição, tornando a mudança de comportamento mais comprometida por limitação de espaço físico e também por as instituições não terem uma visão mais ampla de que manter um morador o tempo todo ocioso sentando e até mesmo privando-os de determinadas tarefas, estão condenando-os ao sedentarismo, ou seja, privando-os de ter uma saúde física favorável.

Porém o que poucos sabem é que adotar um estilo de vida ativo não necessita de muito custo, nem para a instituição nem para o próprio individuo que estar ali muitas vezes sendo custeado pelo estado ou pela própria instituição. de Souza Freire (2012). As adoções de comportamento saudáveis, leva em consideração alguns fatores que são; desde o incentivo por parte das pessoas que convivem com este idoso até mesmo na mudança da rotina diária deste individuo. Gobbi Sebastião (2012). Levando em consideração que essas pessoas moram em uma instituição, pode-se criar estratégia de mudanças de hábitos saudáveis como, por exemplo, leva-los a realizar as refeições na cozinha ao invés de leva-las até a cama, criar horários para realizar caminhadas matinais, a cada 30 minutos sentado, ficar 5 minutos em pé, como preconiza o Programa Agita Paulo, com o objetivo de combater o sedentarismo por meio de ações específicas para os idosos, reconhecido em 2002 pela OMS como importante modelo de promoção da saúde. Matsudo Sandra (2012). Todas essas estratégias entrariam na promoção de saúde por intermédio da atividade física.

 

Conclusão

Adultos moradores de instituição de longa permanência para idosos que passam a maior parte do dia em comportamentos considerados sedentário apresentaram piores resultados na força muscular, sendo a força um importante componente responsável pela aptidão física e saúde física e funcional. Portanto dentro de instituições com esse público é importante adotar medidas de incentivo no sentido de evitar tais comportamentos.

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