Quase no fim do Ano EUROPEU DO ENVELHECIMENTO ACTIVO vivemos nas últimas duas semanas, um exemplo dramático de falta de solidariedade intergeracional e de  exercício de cidadania, que envergonha o país.

A TVI noticiou que duas dezenas de pessoas com 65 e mais anos de idade viviam em condições sub-humana e indignas do desenvolvimento humano, num Lar de Idosos ilegal,  com ordem de fecho há mais de 3 meses pelo Instituto de Segurança Social.

Pessoas com 65 e mais anos de idade, com filhos, filhas e com profissionais de saúde que  tinham uma intervenção directa nesta organização ilegal.

Esta questão levanta diversos problemas, várias diligências, mas acima de tudo uma passividade muito preocupante por parte de algumas autoridades sociais, de saúde, de segurança e das próprias famílias.

O caso não é novo, antes fosse. A Direcção da Associação Amigos da Grande Idade tem vindo a alertar de forma insistente para esta problemática, do submundo dos Lares ilegais de Idosos, das dificuldades das famílias em manter pessoas com 65 e mais anos de idade no domicilio, dados os custos de lares feitos cumprindo uma legislação mais exigente que a dos países nórdicos no que repeita a condições fisicas e acima de tudo para a necessidade da mudança de modelos de financiamento e de intervenção.

Antes de deixarmos algumas medidas urgentes em Portugal, para a restruturação deste sector, deixamos várias perguntas, que devem ter por parte dos Ministérios competentes uma resposta pronta.

Onde estão os profissionais de saúde que estavam a trabalhar neste lar de Idosos, ou pelo menos deixavam o seu nome inscrito como de responsáveis, passando receitas e fazendo pensos?

Onde está a punição para os responsáveis do lar?

Já existem processos criminais contra os familares responsáveis pelo internamento de pessoas vulneráveis, neste lar ilegal?

Os responsáveis do Instituto da Segurança Social, já foram suspensos de funções e abertos procedimentos regulamentares de averiguações?

A sociedade actual e as organizações que nos tutelam ao não actuarem de forma activa em  situações de protecção de vulnerabilidade humana extrema estão a comprometer o futuro  da própria sociedade.

O PROBLEMA TEM SOLUÇÃO?

Teremos de começar nos bancos da escola, se possível nos infantários, onde temos de criar uma nova geração de pessoas humanas que respeitem os valores da vida nos vários ciclos de vida.

Temos de recentrar o desenvolvimento da sociedade, na evolução dos núcleos familiares, como sendo o garante do desenvolvimento humano. Temos algumas configurações familiares degenerativas, de contornos epidemiológicos de violência declarada ao nível financeiro, psicológico e das condições de saúde dos idosos.

O mais grave foi a forma como a sociedade de informação reagiu ao problema, sem nexo, de forma pouco pedagógica e acima de tudo sem exigirem uma resposta imediata das estruturas competentes. Sem compreenderem a problemática da dignidade humana.

A Direcção da Associação Amigos da Grande Idade, editou vários documentos, como as 5 Medidas de futuro e com futuro para o envelhecimento em Portugal, DECLARAÇÃO DE PRINCIPIOS – Ano Europeu do Envelhecimento Activo e da Solidariedade Intergeracional, Plano nacional de legalização de lares de idosos e casas de repouso e as 3 Medidas de futuro e com futuro para as Autarquias.

Em todos os documentos várias ideias centrais de organização do sistema de protecção para pessoas com 65 e mais anos de idade, com uma clara responsabilização das famílias,a questão do financiamento dos cuidados e a representação jurídica das pessoas idosas.

Se estas medidas fossem ouvidas e trabalhadas, hoje teríamos instrumentos claros de actuação face a esta situação.

Se estivéssemos num país desenvolvido, veríamos as ordens profissionais a instaurarem procedimento disciplinares. Os familiares, o dono, o director técnico e alguns responsáveis pelo Instituto de Segurança Social a serem constituídos arguidos.

A MENSAGEM DE BOAS FESTAS DA AAGI, PARA O ANO 2012

Todos os anos deixamos uma imagem e a deste ano invariavelmente é sobre o abandono de Idosos:

Estamos quase na Ceia de Natal,
quando estiverem reunidos com a vossa
família, perguntei à sociedade, quando
pensam em abandoná-los, vão ouvir
negar tal facto, no entanto, nunca
saberemos o que virá acontecer antes o
galo cantar na madrugada seguinte

A negação de pedro

A Negação de Pedro. 1610. Por Caravaggio,
atualmente no Metropolitan Museum of Art, em Nova Iorque. “Pedro de fato negou conhecer Jesus três vezes,mas, após a terceira, ele ouviu o galo e se lembrou da profecia quando Jesus se virou e olhou diretamente para ele. Pedro então começou a chorar amargamente.”

 

Cá continuaremos a despertar consciências, para o ano de 2013. Os votos de boas festas.

César Fonseca – Vice-Presidente da Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e Desenvolvimento.

Vítor Santos – Conselho Editorial do Journal of Aging and Innovation.

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