ADOPT A STRATEGY IN CARE TO THE ELDERLY FOR THE PROMOTION OF FUNCTIONAL CAPACITY DURING HOSPITALIZATION

ADOPTAR UNA ESTRATEGIA EN LA ATENCIÓN A LAS PERSONAS MAYORES PARA EL FOMENTO DE LA CAPACIDAD FUNCIONAL EN HOSPITALIZACIÓN

Autores

Luís Filipe Lopes Vieira1

1 Enfermeiro Especialista em Enfermagem Médico-Cirúrgica – Área Específica: Pessoa Idosa, MsC, Centro Hospitalar Lisboa Norte

Corresponding author: luislvieira@gmail.com

 

 Resumo:

O envelhecimento da população conduz ao aumento da prevalência de doenças crónicas. Envelhecer é um processo inevitável que se traduz numa redução da capacidade orgânica e funcional não decorrente de acidente ou doença. O declínio funcional é geralmente associado a diversos fatores como a evolução natural da doença, a falta de apoio social, fatores comportamentais, a não adesão medicamentosa, dieta e estilos de vida.

É necessária a avaliação da capacidade funcional logo na admissão e direcionar os cuidados não só para a doença mas também para a prevenção do declínio funcional. Torna-se essencial estar desperto para depressão geriátrica, para as alterações das atividades de vida, entre as quais os hábitos relacionados com a alimentação, os cuidados de reabilitação física, o envolvimento da família ou cuidador, e o planeamento atempado da alta. O Enfermeiro assume especial importância na promoção e implementação destes cuidados, sendo o profissional de saúde que mais tempo passa com a pessoa idosa, conhece as suas capacidades e a forma como as potenciar.

PALAVRAS-CHAVE: Pessoa idosa; hospitalização; capacidade funcional

 ADOPT A STRATEGY IN CARE TO THE ELDERLY FOR THE PROMOTION OF FUNCTIONAL CAPACITY DURING HOSPITALIZATION

 Summary:

Population aging leads to increased prevalence of chronic diseases. Aging is an inevitable process that leads to a reduction in organic and functional capacity is not due to accident or illness. The functional decline is usually associated with several factors such as the natural evolution of the disease, lack of social support, behavioral factors, nonadherence with medication, diet and lifestyle

It is necessary to assess functional capacity immediately upon admission and direct care, not only for disease but also for the prevention of functional decline. It is essential to be awake for geriatric depression, changes to life activities, including the habits related to nutrition, physical rehabilitation care, involvement of family or caregiver, planning and timely discharge. The nurse assumes special importance in the promotion and implementation of care, and the health care professional who spends more time with the elderly, know their capabilities and how the leverage.

KEYWORDS: Elder, hospitalization, functional capacity

O envelhecimento traduz-se num risco crescente de deficiência, o avançar da idade encontra-se associado à doença, à incapacidade e à fragilidade. Isto significa que as práticas devem concentrar-se no que a pessoa idosa pode e realmente quer fazer, e não em estereótipos pré definidos. Embora as mudanças na fisiologia façam parte do envelhecimento, a evidência acumulada mostra que muitos dos processos da doença podem ser modificadas e minimizados através de intervenções educativas e preventivas. A metodologia utilizada para a elaboração deste artigo foi a revisão da literatura científica da prática baseada na evidência, alicerçada em bases de dados e organismos internacionais tais como: Hartford Institute for Geriatric Nursing, National Institute on Aging, Nurses Improving Care for Healthsystem Eldres (NICHE), National Guideline Clearinghouse™ (NGC), National Institute for Health and clinical Excellence (NHS) e Ebscohost. No contexto de aprofundar conhecimentos sobre o cuidar à pessoa idosa.

A reabilitação tem de abraçar todas as atividades diárias da pessoa idosa e deve centrar-se em três aspetos principais: reforçar e manter a qualidade de vida; restabelecer a atividade física, psicológica e social, e reconhecer o seu potencial de saúde e prevenção da doença. Esta deve procurar maximizar o cumprimento dos papéis e independência no seu ambiente, dentro das limitações impostas pela patologia (THOMAS, V., [et al] 2009).

O enfermeiro tem um papel indispensável na reabilitação da pessoa idosa, no entanto tem sido desvalorizado e permanece mal definido. Este deve tentar melhorar a mobilidade, promovendo a atividade motora e sensitiva, compreender os sintomas sem significado do ponto de vista da pessoa idosa. Ajudar a adaptar-se às alterações na função, incorporar as perspetivas dos cuidadores e familiares na adaptação às mudanças. Deve compreender e respeitar as estratégias já utilizadas pela pessoa idosa, sugerir práticas para reduzir a tensão, stress e ansiedade, incluindo terapias complementares, se necessário e possível. Fornecer apoio em todos os aspetos da tomada de decisão e sempre que necessário facilitar o acesso aos sistemas de apoio para a pessoa idosa e todos os outros cuidadores e familiares. É importante estar desperto para as diferentes perspetivas culturais e necessidades.

Torna-se essencial registar a história de vida anterior e rotinas, realizar avaliações de saúde mental, necessárias para uma compreensão da capacidade da pessoa idosa se adaptar e se necessário fornecer uma série de atividades para diminuir o estado confusional, otimizando o funcionamento mental. Aumentar a autonomia é imprescindível para o estado cognitivo. Espiritualmente o enfermeiro deverá garantir que a pessoa é capaz de manter contacto com seu mundo social, facilitar a continuidade de todas as atividades religiosas e espirituais (THOMAS, V., [et al] 2009).

A reabilitação é um processo permanente em que se trabalha com a família, a equipa de reabilitação e a sociedade para atingir o seu nível ótimo de funcionamento, com o objetivo de prevenir complicações secundárias, promovendo a máxima independência, a manutenção da dignidade e promoção da qualidade de vida.

Deve promover-se a continuidade dos cuidados, nomeadamente motivar o idoso para o auto cuidado, englobar a pessoa idosa na tomada de decisões, ensinar as habilidades que podem melhorar a sua qualidade de vida, manter uma atividade física adequada evitando a deterioração, ouvir com vista a avaliar o sucesso dos cuidados e ser empático.

O enfermeiro envolve-se em diferentes tipos de funções quando trabalha com a pessoa idosos. As funções de apoio, incluem, prestar apoio psicossocial e emocional, ajudando no auxílio de transição da vida, realçando estilos de vida e relacionamentos, facilitando a auto expressão e a garantir a sensibilidade cultural. Funções restaurativas, destinadas a potenciar a independência e a capacidade funcional, impedindo a sua deterioração e ou deficiência e melhorar a qualidade de vida. Isto é feito através de um foco na reabilitação, que maximiza o potencial da pessoa idosa para a independência, incluindo a avaliação de competências e realização de elementos essenciais do cuidado. As funções educativas envolvem o ensino do auto cuidado. A reabilitação tem como objetivo maximizar a satisfação da pessoa idosa de forma equilibrada atendendo às limitações impostas pela patologia e deficiência (THOMAS, V., [et al] 2009).

O processo de adaptação é importante, pois geralmente a pessoa idosa que necessita de reabilitação encontra-se numa grande crise de identidade, ou estão em luto pela perda ou interrupção de habilidades físicas, emocionais e cognitivas. O papel do enfermeiro é ser parceiro, oferecer apoio pessoal e experiência prática, para que a pessoa idosa siga o seu próprio percurso de vida. O envelhecimento humano gera progressivas modificações morfológicas, fisiológicas, bioquímicas e psicológicas que, se associadas ao aparecimento de doenças crónicas e degenerativas, podem acelerar o declínio funcional do indivíduo idoso. Essas alterações comprometem a capacidade funcional do idoso a ponto de impedir o auto cuidado, tornando-o, muitas vezes, completamente dependente (CARVALHO, G., [et al] 2007).

As alterações do envelhecimento são parcialmente responsáveis pelo aumento do risco de desenvolvimento de problemas de saúde na população idosa estando na base da diminuição da capacidade funcional. A sinalização de condições para uma avaliação mais aprofundada permite ao enfermeiro implementar intervenções preventivas e terapêuticas (FULMER, T, 1991; 2007).

Nos EUA a Nurses Improving Care for Health System Elders (NICHE) desenvolveu em 1990 um de instrumento que designou “SPICES”.

O “SPICES” é um acrónimo para as síndromes mais comuns de intervenção de enfermagem à pessoa idosa. É um instrumento eficiente e eficaz de obtenção de informações necessárias para evitar alterações de saúde e consequentemente declínio funcional. São medidas pró-activas centradas em seis pontos comuns: S Sleep disorders, (problemas com o sono); P Problems with eating and feeding, (problemas com a alimentação e alimentar-se); I Incontinence (incontinência urinária e fecal); C Confusion (estado confusional); E Evidence of fall (perigo de quedas) e S Skin breakdown (integridade cutânea) (FULMER, T. 2007).

A perturbação do sono é comum durante o internamento hospitalar e mais comum ainda na pessoa idosa. O stress do internamento, o despertar para os cuidados de rotina, a dor, os efeitos dos medicamentos, as mudanças no ambiente e o ruído podem comprometer ainda mais o sono durante a hospitalização. Deve ser feito um esforço para criar um bom ambiente para o sono da pessoa idosa. As medidas podem incluir a minimização da conversa nos corredores e na sala de enfermagem durante as horas de sono e limitar as intervenções de enfermagem durante este tempo, por exemplo, adiar medição da tensão arterial, se a pessoa idosa está clinicamente estável (TRANMER, J., [et al] 2003).

O padrão nutricional é importante na avaliação da pessoa idosa. Num estudo realizado nos EUA, 20% dos idosos foram hospitalizados por desnutrição. O baixo índice de massa corporal e a desnutrição têm sido repetidamente associados a maiores taxas de mortalidade na pessoa idosa. Estes problemas podem ser mais evidentes em idosos emagrecidos ou incapazes de se alimentar (GUIGOZ, Y., [et al] 2002).

Existe também uma associação estreita entre a dor mal controlada e a rejeição aos alimentos e, entre a fome e uma sensação física de bem-estar. A capacidade de se alimentar é uma atividade básica do dia-a-dia. A pessoa idosa hospitalizada tem muitas vezes dificuldades de ordem prática quando se alimentam: a mesa de cabeceira está fora do alcance; os utensílios são difíceis de usar; a comida está fria ou são incapazes de se posicionar (ST-ARNAUD-MCKENZIE, D., [et al] 2004). É necessário fornecer proteínas e calorias suficientes para assegurar a ingestão adequada. Deve-se incluir as preferências pessoais do idoso na dieta e proporcionar à pessoa idosa aquando da alta o apoio dos serviços da comunidade se necessário (EDINGTON, J., [et al] 2004; GRAF, C. 2006).

A incontinência, quer vesical quer intestinal, na pessoa idosa hospitalizada, pode variar em intensidade e resultar em delírio ou demência. Pode ter origem na redução da atividade funcional por motivo de doença, nos medicamentos que interferem com a capacidade de detetar a plenitude da bexiga ou nas perturbações da marcha que resultam em dificuldade para se deslocar à casa de banho. A incontinência urinária está associada à diminuição do bem-estar físico e ao aumento do tempo de internamento (ANPALAHAN, M. & GIBSON, S., 2008).

A confusão temporária ou mais prolongada, afeta um número elevado de idosos hospitalizados. Um estudo realizado a nível hospitalar, mostrou que quase um terço das pessoas idosas com idade superior a 70 anos apresenta delírium nas primeiras 24 horas após a admissão. Comer, dormir, dosagens dos medicamentos e horários, podem provocar desorientação da pessoa idosa num ambiente estranho. Deve-se avaliar o estado confusional da pessoa idosa numa tentativa de impedir a sua ocorrência, e intervir precocemente para reverter e atenuar o receio do que esta condição pode provocar (EDLUND, A., [et al] 2006).

É importante a identificam-se fatores de risco por vezes associados a quedas da pessoa idosa hospitalizada: a confusão; a instabilidade da marcha; a incontinência ou frequência urinária; e a administração de medicação sedativa e hipnóticos. É imprescindível identificar a pessoa idosa com história anterior de quedas e se necessário tomar medidas que visem a prevenção ou a sua anulação. Se a pessoa idosa que não tem história de quedas cai no hospital, a avaliação e o tratamento devem-se centrar na identificação de possíveis causas iatrogénicas (FONDA, D., [et al] 2006).

A perda da integridade cutânea constitui também uma das razões de perda da capacidade funcional. As úlceras de pele, nomeadamente as úlceras de pressão podem ser fatais na pessoa idosa. As úlceras na pessoa idosa imobilizada são provocadas por diminuição da pressão arterial que provoca necrose tecidular. Os principais fatores de risco são: a idade avançada; a imobilidade; a neuropatia, (que pode interferir com a deteção da dor); má nutrição, deficiência cognitiva, (impedindo o auto cuidado, ou o reconhecimento de problemas), a fricção na roupa da cama e a incontinência urinária (resultando no aumento da humidade nas áreas de proeminências ósseas). Estas condições fornecem quase de imediato necessidades de intervenção na pessoa idosa (FULMER, T. 2007).

A avaliação pelo SPICES quando feita regularmente pode sinalizar necessidades e contribuir para a prevenção e tratamento de doenças comuns (FULMER, T. 2007).

Para maximizar a capacidade funcional e prevenir o seu declínio devem ser mantidas as rotinas diárias do idoso, (ajuda a manter a atividade física, cognitiva e social), incentivar a marcha, alargar ou flexibilizar o horário das visitas, se possível incentivar a leitura do jornal. É também importante esclarecer a pessoa idosa, familiares e cuidadores acerca da importância da promoção da independência e alertá-los para as consequências do declínio funcional, promovendo o ensino.

O declínio funcional pode ser é reversível se associado a doença aguda e, pode-se prevenir através de estratégias direcionadas para o exercício físico, (mantendo uma amplitude de movimentos, flexibilidade e funcionalidade) nutrição, controlo da dor e socialização (SIEGLER, E., [et al] 2002; TUCKER, D., [et al] 2004; VASS, M., [et al] 2005).

É também importante diminuir o tempo de repouso no leito, tendo em atenção as restrições físicas (sondas vesicais, nasogástricas, etc.), a medicação, especialmente medicamentos psicoativos, em doses geriátricas, avaliar e tratar a dor. Deve-se promover precocemente a recuperação da função inicial, (se possível), através de consulta precoce de medicina física e reabilitação, nutrição e ensinos (KRESEVIC, D., [et al] 1998).

O declínio funcional na pessoa idosa hospitalizada pode ter consequências devastadoras. É um resultado comum da cascata de dependência em que a pessoa idosa sofre as mudanças do envelhecimento, fazendo com que o repouso no leito ou imobilidade resulte em alterações fisiológicas irreversíveis, com maus resultados na alta. Horários de passeio de rotina, atividades de prevenção à privação sensorial e alta hospitalar oportuna estão entre as intervenções que podem ajudar a prevenir o declínio funcional (GRAF, C. 2006).

O cuidador principal ou familiar da pessoa idosa deverá ser orientado sobre as vantagens das estratégias de intervenção e ter conhecimento sobre as causas do declínio funcional relacionadas com as condições agudas e crónicas da patologia. Dever-se-á também, fomentar o ensino para abordar as necessidades de cuidados de prevenção de quedas, lesões e complicações mais comuns proporcionando a curto prazo cuidados especializados de fisioterapia e a longo prazo ajustar os cuidados necessários para prevenção de quedas. No regresso ao domicílio torna-se necessário realizar as adaptações necessárias para manter a segurança e independência, incluindo dispositivos de apoio e adaptações no domicílio. A pessoa idosa, como parte integrante deste processo, deverá ser estimulada a alcançar a maior independência, o nível funcional possível e a melhor qualidade de vida. Os enfermeiros devem estar atentos à avaliação e identificação da pessoa idosa suscetível de apresentar declínio funcional (KRESEVIC, D., [et al] 1998).

A avaliação da capacidade funcional deve ser integrada nos cuidados, devendo esta ser registada no processo de enfermagem, tal com as intervenções, metas e resultados esperados. Deve-se também promover estratégias de prevenção e reparação da capacidade funcional.

Atendendo a estes factos o enfermeiro tem um papel fundamental na qualidade de vida, pois forma um vinculo forte com a pessoa idosa hospitalizada, melhorando situação de saúde e promovendo um envelhecimento bem sucedido.

Os cuidados de enfermagem à pessoa idosa devem ter como finalidade manter e valorizar a autonomia. Para isso, é necessário avaliar o grau de dependência e instituir medidas direcionadas para atingir o maior nível possível de independência funcional e autonomia. É essencial uma avaliação multidimensional da pessoa idosa centrada problemas atuais ou potenciais e individualizados para cada idoso.

É importante comunicar com a pessoa idosa, constituindo um papel de destaque e confiabilidade, pois deverá romper as barreiras impostas por limitações de fala, audição, confusão mental e diferenças culturais (CASTRO, M. & FIGUEIREDO, N., 2009).

Torna-se necessário registar-se o estado funcional recente ou o declínio progressivo devendo ser avaliado ao longo do tempo para validar a sua evolução. Nesse sentido, o plano de cuidados deverá ser atualizado e se necessário reajustado ao longo do internamento. A avaliação funcional inclui um processo sistemático de identificação de habilidades físicas na pessoa idosa a precisar de ajuda. Os instrumentos de avaliação padronizados funcionais são utilizados como uma linguagem comum para comunicar o estado funcional entre os prestadores de cuidados. A súbita mudança do estado funcional poderá indicar o início de uma doença aguda ou exacerbação de uma doença crónica. Esta avaliação funcional deve feita com base em escalas de avaliação da capacidade funcional (CASSEL, C. 2004; KRESEVIC, D. 2008).

Estas escalas devem ser eficientes, de fácil interpretação e aplicação, com a finalidade de proporcionar informações úteis e quantificáveis que devem ser englobados na história da pessoa idosa e incorporadas nas rotinas diárias, tendo como base as avaliações (GRAF, C. 2006).

A introdução de um sistema de avaliação funcional baixa a incidência e prevalência de declínio funcional, contribuindo para a diminuição da morbilidade e da mortalidade (KRESEVIC, D. 2008). Os métodos para a avaliação funcional estruturada, consiste na observação direta (testes de desempenho) e questionários, sistematizados por meio de escalas que aferem os principais componentes da dimensão (PAIXÃO, C. & REICHENHEIM, M., 2005).

É também importante a comunicação interdisciplinar sobre estado funcional, alterações e expectativas de evolução, promovendo reuniões de equipa multidisciplinar, incluindo a pessoa idosa e familiares, sempre que possível (KRESEVIC, D., [et al] 1998).

Recomenda-se uma abordagem de cuidados que vai além do registo da história clínica e os sinais vitais para observar as mudanças na pessoa idosa mas sim o estado mental, funcional, nutricional e suporte social (AMELLA, E. 2004).

A avaliação geriátrica global é um sistema de diagnóstico que aborda a área médica, funcional e psicossocial. Tem como objetivo detetar prematuramente potenciais deficiências, traçar tratamentos terapêuticos adaptados e monitorizar a progressão do declínio funcional a longo prazo. É importante que a avaliação abranja além da história e exame físico, a análise da marcha, do equilíbrio e da capacidade funcional, ou seja, a capacidade para exercer as AVD’s (FREITAS, E., [et al 2002).

A utilização de instrumentos de avaliação tem importantes implicações na qualidade de vida da pessoa idosa, uma vez que facilita ações preventivas, assistenciais e de reabilitação. Estas ações contribuem para um processo de envelhecimento com maior esperança de vida saudável e uma tentativa de recuperação ou manutenção da capacidade funcional (ROSA, T., [et al] 2003).

A escala da Avaliação Breve do Estado Mental (MMS), elaborada por Folstein [et al] em 1975, é provavelmente dos testes mais utilizados mundialmente quando se pretende uma avaliação da função cognitiva ou rastrear quadros demenciais. Pode ser usado isoladamente ou incorporado a instrumentos mais amplos (LOURENÇO, R. & VERAS, R. 2006). Permite avaliar o estado cognitivo em função da escolaridade da pessoa, tendo a vantagem de ser relativamente simples de realizar. Está validado para Portugal pelo Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência (MENDONÇA, A., [et al] 2008).

É importante a avaliação de presença de sintomatologia depressiva utilizando a Escala de Depressão Geriátrica (GDS-15). Os transtornos do humor são uma das patologias psiquiátricas mais comuns na pessoa idosa, são responsáveis pela perda de autonomia e agravamento de quadros patológicos pré-existentes. Em 1983, Yesavage e colaboradores desenvolveram e validaram um instrumento de triagem para a depressão designado de Escala de Depressão Geriátrica (GDS). A depressão é o problema de saúde mental mais comum na terceira idade, no entanto por vezes associa-se, de forma errada, que os sintomas depressivos fazem parte do envelhecimento (FERRARI, J. & DALACORTE, R., 2007). Está validada internacionalmente e amplamente utilizadas na avaliação geriátrica global e de domínio público, auxiliando a determinar a necessidade de tratamento (ADELMAN, D., [et al] 2003).

O Índice de Barthel avalia o nível de independência da pessoa na realização de dez atividades básicas de vida: alimentação; banho; cuidados pessoais; vestir; transferências; deslocação; subir e descer escadas; uso dos sanitários; controlo da bexiga e controlo intestinal (MAHONEY, F. e BARTHEL, D., 1965). Encontra-se também validado para Portugal (MELO, M. G. 2010).

A Mini Avaliação Nutricional (MAN) é uma ferramenta de controlo e avaliação que pode ser utilizada para identificar pessoas idosas com risco de desnutrição. Consiste num questionário de rápida realização. A prevalência da desnutrição é ainda maior na pessoa idosa com deficiência cognitiva e está associada com o declínio cognitivo (FALLON, C. 2002). A pessoa idosa desnutrida quando é hospitalizada tende a permanecer mais tempo internada, a apresentar mais complicações e correr maior risco de morbilidade e mortalidade do que aqueles que se encontram num estado nutricional normal (KAGANSKY, N., [et al] 2005).

Foi desenvolvido pela Nestlé e por uma equipa de geriátras, sendo uma das poucas ferramentas de controlo validadas para a pessoa idosa. Tem sido bem validada em estudos internacionais nos mais diversos ambientes e está validado para Portugal.

A capacidade de marcha é um parâmetro a avaliar na capacidade funcional. Existem vários testes para a avaliação da marcha no entanto podem tornar-se complicados e a sua avaliação ser morosa. A observação direta de como um individuo sai da cama, se senta numa cadeira, fica de pé e caminha uma pequena distância de forma equilibrada, com ou sem ajuda é importante para obter uma avaliação segura.

O teste levanta e ande (get up and go) pode ser aplicado pelos enfermeiros para avaliar a forma de marcha durante as atividades de vida diária na pessoa idosa (MEZEY, M., [et al] 2006). Apresentado em 1986, tem como objetivo a avaliação do equilíbrio e marcha na pessoa idosa. Aproximadamente metades das quedas que envolvem a pessoa idosa têm fatores extrínsecos, tais como pisos escorregadios ou existência de tapetes junto do leito. O resultado da outra metade dos acidentes envolve fatores intrínsecos tais como a fraqueza dos membros inferiores, falta de equilíbrio, distúrbios da marcha, efeitos da medicação, baixa visão ou doença aguda (MEZEY, M., [et al] 2006). Apesar de não existir validação para Portugal é indicado para a pessoa idosa hospitalizada podendo adaptar-se à população idosa portuguesa

Na avaliação da capacidade funcional é também importante a avaliação das atividades Instrumentais de Vida Diária (KRESEVIC, D. 2008).

A Escala de Lawton e Brody (Escala de Atividades Instrumentais de Vida Diária), foi desenvolvida por Lawton e Brody em 1969 para avaliar as AVD mais complexas, necessárias para viver na comunidade. Competência em habilidades, tais como compras, cozinhar e gestão de finanças é necessário para uma vida independente. É uma escala bastante utilizada e pode ser realizada em 10 a 15 minutos. A escala pode fornecer um sistema de alerta precoce de declínio funcional ou sinalizar a necessidade de uma avaliação mais aprofundada. Hospitalização, mobilidade reduzida e outros factores podem diminuir rapidamente a capacidade de realizar atividades essenciais para uma vida independente e, os efeitos podem ser permanentes (GRAF, C. 2008). Esta escala foi também validada para Portugal pelo Grupo de Estudos de Envelhecimento Cerebral e Demência, (MENDONÇA, A., [et al] 2008).

CONCLUSÃO

O envelhecimento faz parte natural do ciclo da vida. É, pois, desejável que seja vivido de forma saudável. O estado funcional na pessoa idosa é um processo dinâmico, o que torna necessário ser avaliado em momentos diferentes para determinar a sua evolução. Assume especial relevância a avaliação inicial da pessoa idosa quando da admissão em ambiente hospitalar. Esta avaliação é de grande importância no planeamento e execução individualizada dos cuidados de enfermagem.

É fundamental uma avaliação geriátrica eficiente e completa, incidindo na capacidade funcional.

O “SPICES” constitui um bom instrumento, pois permite detetar situações que, se corrigidas atempadamente, contribuem para a sua manutenção ou pelo menos para a prevenção do seu declínio funcional. A solidão, a perda de papéis sociais, a sensação de inutilidade e a imobilidade são fatores que contribuem para a instalação de quadros depressivos. Assim, torna-se prioritário a apreciação da depressão geriátrica. Este registo, em ambiente hospitalar, deverá ser realizado o mais precoce possível, permitindo a sua referenciação e encaminhamento e direcionamento dos cuidados de enfermagem logo na admissão. É importante também o controlo da dor persistente. A dor afeta de um modo global todas as atividade de vida, com especial incidência a mobilidade, o sono e a alimentação.

Pode-se concluir também que é de especial destaque a supervisão das refeições da pessoa idosa, se possível a personalização dos hábitos alimentares para manter um padrão alimentar adequado. É indispensável o início precoce de reabilitação física para poder potenciar a capacidade de mobilização que a pessoa idosa ainda possui.

A alta hospitalar deverá ser iniciada atempadamente e programada em equipa multidisciplinar, com o reforço dos ensinos e envolvendo a família/cuidador principal nos cuidados. Os cuidados de enfermagem geriátricos devem-se centrar na qualidade de vida da pessoa idosa, estimulando uma capacidade funcional real e espectável, sem falsas esperanças nem ilusões. O Enfermeiro como promotor dos cuidados de saúde e que mais tempo passa com a pessoa idosa, assume um papel importante na manutenção e maximização da atividade funcional. Neste sentido é primordial que esteja desperto para esta problemática, pois por vezes basta uma avaliação inicial mais profunda ou uma observação mais perspicaz para se intervir precocemente sobre a pessoa idosa, promovendo cuidados de saúde mais individualizados e com a finalidade de maximizar a capacidade funcional ou pelo menos diminuir a perda dessa capacidade.

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